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Fungos que “falam”: cientistas explicam como redes miceliais enviam sinais elétricos abaixo do solo em padrão que intriga pesquisadores hoje

Por Maria Beatriz Silva
23/09/2026
Em Curiosidades
Fungos que "falam": cientistas explicam como redes miceliais enviam sinais elétricos abaixo do solo em padrão que intriga pesquisadores hoje

Fungos que "falam": cientistas explicam como redes miceliais enviam sinais elétricos abaixo do solo em padrão que intriga pesquisadores hoje

Durante muito tempo, a comunicação foi associada principalmente a animais, plantas e organismos com sistemas nervosos ou estruturas especializadas. Os fungos, porém, apresentam uma forma diferente de transmitir sinais. Em redes formadas por filamentos chamados hifas, mudanças elétricas podem percorrer o micélio e revelar uma atividade interna complexa, embora isso não signifique que os fungos tenham linguagem semelhante à humana.

Por que os fungos conseguem produzir sinais elétricos em suas redes?

Os fungos filamentosos crescem formando hifas, estruturas tubulares que se ramificam e podem se conectar. O conjunto dessas estruturas forma o micélio, uma rede capaz de ocupar o solo e explorar diferentes regiões em busca de recursos. Como as hifas possuem membranas com gradientes iônicos, mudanças no potencial elétrico podem surgir durante seu funcionamento.

Essas variações não são equivalentes a pensamentos ou mensagens conscientes. Elas representam fenômenos fisiológicos que os pesquisadores conseguem registrar com eletrodos colocados no substrato ou diretamente em estruturas fúngicas. Em determinadas espécies, foram observados impulsos semelhantes a potenciais de ação, com diferentes amplitudes, durações e intervalos entre os sinais registrados.

comunicação dos fungos
Fungos emitem sinais elétricos e o motivo surpreendente

Os sinais elétricos dos fungos podem ser considerados uma forma de comunicação?

Os sinais elétricos dos fungos chamam atenção porque podem apresentar padrões repetidos e variar diante de estímulos ambientais. Isso levanta a possibilidade de que a atividade elétrica esteja relacionada ao transporte de recursos, ao crescimento e à coordenação de respostas dentro da rede. Ainda assim, a função exata desses sinais permanece uma questão científica aberta.

Pesquisas publicadas na Royal Society Open Science registraram oscilações de potencial elétrico em diferentes espécies de fungos, incluindo fungos orelha-de-pau, enoki, cogumelo-orelha-de-pau e Cordyceps. Os autores observaram que os sinais variavam entre espécies e podiam formar sequências. A análise matemática dessas sequências permitiu compará-las a padrões de linguagem, sem demonstrar uma linguagem fúngica equivalente à humana.

Que papel o micélio desempenha na transmissão desses sinais?

Um dos aspectos mais interessantes está na capacidade do micélio de formar uma rede contínua e dinâmica. Quando diferentes regiões estão conectadas por hifas, alterações locais podem ocorrer em um organismo que funciona como uma estrutura integrada. Isso cria condições para que mudanças químicas, elétricas e físicas se relacionem dentro da mesma colônia.

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Alguns pontos ajudam a interpretar o fenômeno:

01 As hifas são filamentos que formam o corpo vegetativo de muitos fungos.
02 O micélio é a rede formada pelo conjunto de hifas.
03 Eletrodos conseguem registrar diferenças de potencial elétrico.
04 Os sinais podem ocorrer em diferentes escalas de tempo.
05 Estímulos ambientais podem alterar a atividade elétrica registrada.
06 A função exata dos padrões elétricos ainda está em investigação.

O que acontece quando uma alteração elétrica percorre a rede micelial?

Em muitos fungos, a atividade elétrica também pode estar ligada ao movimento de íons através das membranas celulares. Íons como potássio, cálcio, sódio e prótons participam da formação de diferenças de potencial. Alterações nesses fluxos podem acompanhar crescimento, percepção ambiental e outras funções celulares, criando sinais que se propagam ou mudam conforme as condições encontradas pelo fungo.

Um estudo publicado em 2026 registrou a atividade elétrica durante cerca de quinze dias em substratos colonizados por fungos ostra. Os pesquisadores identificaram sinais lentos, com amplitudes na escala de milivolts, e encontraram indícios claros de propagação direcional entre pontos de registro. Os resultados são compatíveis com ondas iônicas viajando pela rede micelial de maneira consistente.

comunicação dos fungos
Cientistas descobrem sinais elétricos nas redes de fungos

Até que ponto é correto dizer que os fungos estão “falando”?

É importante separar o que foi medido daquilo que ainda é hipótese. Os pesquisadores conseguem detectar alterações elétricas e estudar sua propagação, mas isso não prova que os fungos estejam conversando com mensagens intencionais. A expressão “fungos que falam” funciona como metáfora para um fenômeno real: redes vivas apresentam atividade elétrica organizada e mensurável em condições controladas.

Além da curiosidade biológica, essa atividade desperta interesse tecnológico. Pesquisas científicas já investigam o uso de micélios como componentes de sensores, sistemas eletrônicos e dispositivos biohíbridos. A possibilidade de aproveitar respostas elétricas produzidas por organismos vivos abre uma área experimental promissora e interdisciplinar que combina diferentes áreas, incluindo microbiologia, engenharia, materiais e computação não convencional.

Tags: comunicação dos fungosfungos e tecnologiafungos que falamsinais elétricos
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