O ovo não é o vilão do colesterol, mas sim o multivitamínico mais barato e completo da natureza. Jogar a gema fora é desperdiçar a luteína que blinda sua visão contra a luz azul e a colina que é o combustível primário da sua memória.
O colesterol do ovo realmente entope as artérias?
Esse é um dos mitos nutricionais mais persistentes e já derrubados pela ciência moderna. Para a vasta maioria das pessoas (cerca de 70-80%), o colesterol ingerido via alimentos tem pouco ou nenhum impacto no colesterol sanguíneo, pois o fígado ajusta sua produção interna para manter o equilíbrio.
A Harvard School of Public Health esclarece que o verdadeiro inimigo do coração são as gorduras trans e o excesso de açúcar, não o colesterol dietético do ovo. Estudos mostram que comer um ovo por dia não aumenta o risco de doenças cardíacas em pessoas saudáveis e, na verdade, melhora o perfil do “bom” colesterol (HDL).

Por que jogar a gema fora atrapalha o ganho de massa muscular?
Se você come apenas a clara (albumina) pensando em proteína pura, está perdendo metade do potencial anabólico. A gema contém nutrientes que facilitam a síntese proteica, tornando o ovo inteiro superior à soma de suas partes.
Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition comparou homens que comeram ovos inteiros após o treino contra aqueles que comeram apenas claras com a mesma quantidade de proteína. O resultado? A resposta de construção muscular foi 40% maior no grupo que ingeriu o ovo inteiro. A gordura e os micronutrientes da gema agem como catalisadores para o crescimento muscular.
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Como a luteína age como “óculos de sol” internos?
A gema do ovo é rica em dois carotenoides poderosos: luteína e zeaxantina. Esses pigmentos amarelos se acumulam na mácula (a parte central da retina) e funcionam como um filtro natural que bloqueia a luz azul nociva emitida por telas e pelo sol.
A American Optometric Association (AOA) destaca que a biodisponibilidade desses antioxidantes no ovo é altíssima devido à presença de gordura, que facilita a absorção. O consumo regular reduz drasticamente o risco de Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e catarata, as principais causas de cegueira em idosos.
No vídeo a seguir, a Dra. Lavínia Leitão Lima, com mais de 40 mil seguidores, fala um pouco sobre o consumo de ovos para o olho:
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Por que o cérebro tem “fome” de colina?
A colina é um nutriente essencial que muitas vezes é negligenciado, e o ovo é a melhor fonte alimentar dele. Ela é a matéria-prima para a produção de acetilcolina, o neurotransmissor responsável pela memória, aprendizado e controle muscular.
Segundo o National Institutes of Health (NIH), a deficiência de colina pode levar a danos hepáticos e cognitivos. Ingerir duas gemas fornece cerca de 300mg de colina, cobrindo mais da metade da necessidade diária e garantindo que seu sistema nervoso tenha “velocidade de processamento”.
Qual a melhor forma de preparo para preservar os nutrientes?
Cozinhar demais o ovo pode oxidar o colesterol (criando oxisteróis, que são prejudiciais) e destruir parte das vitaminas sensíveis ao calor.
Siga este guia de preparo ideal:
- Ovo Cozido Mole: A melhor opção. A clara cozida garante a absorção da proteína (a avidina crua bloqueia a biotina), e a gema mole preserva os nutrientes.
- Poché: Excelente preservação nutricional, pois usa temperatura controlada da água.
- Mexidos/Fritos: Use fogo baixo e gorduras estáveis (como manteiga ou azeite). Evite queimar as bordas ou deixar a gema dura e cinzenta.
- Cru: Não recomendado devido ao risco de Salmonella e à menor absorção de proteína (apenas 50% é absorvida crua vs 90% cozida).










