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Inquilino quebra box antigo do banheiro e proprietário cobra modelo novo muito mais caro na vistoria final

Por Daniely Cardoso
27/10/2026
Em Notícias
Ricardo havia morado durante três anos em um apartamento alugado.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Ricardo havia morado durante três anos em um apartamento alugado. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Ricardo Almeida estava encerrando o contrato de aluguel quando recebeu uma cobrança inesperada pela substituição do box antigo do banheiro, que havia quebrado durante sua permanência no imóvel. O proprietário exigiu a instalação de um modelo novo, mais moderno e muito mais caro do que o equipamento original. A situação levanta uma dúvida: o inquilino precisa pagar integralmente por uma melhoria em um imóvel alugado?

Inquilino quebra box antigo e recebe cobrança na vistoria final

Ricardo havia morado durante três anos em um apartamento alugado. O banheiro possuía um box de vidro antigo, com estrutura metálica desgastada e sinais de uso. Durante a locação, uma das folhas de vidro quebrou, e o inquilino comunicou o ocorrido à imobiliária, reconhecendo que seria necessário avaliar sua responsabilidade pelo dano.

O problema apareceu na vistoria de saída. Em vez de apresentar um orçamento para recuperar as condições anteriores, o proprietário exigiu um box novo de padrão superior, com ferragens modernas e acabamento diferente. Ricardo questionou a cobrança porque entendia que deveria reparar o prejuízo causado, mas não necessariamente financiar uma reforma que valorizasse o imóvel.

A Lei do Inquilinato estabelece que o locatário deve devolver o imóvel nas condições em que o recebeu, descontadas as deteriorações resultantes do uso normal. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Leia também: Empresa de eventos cobra taxa de 20% em ingressos sem oferecer venda física e tribunal obriga devolução por considerar prática abusiva no país

O que a Lei do Inquilinato determina sobre danos no imóvel?

A Lei do Inquilinato estabelece que o locatário deve devolver o imóvel nas condições em que o recebeu, descontadas as deteriorações resultantes do uso normal. Essa obrigação está prevista no artigo 23, inciso III, da Lei nº 8.245/1991. Portanto, o envelhecimento natural de instalações não pode ser automaticamente tratado como dano provocado pelo morador.

Por outro lado, o artigo 23, inciso V determina que o inquilino deve reparar danos causados por ele, seus familiares, dependentes, visitantes ou empregados. Se o vidro quebrou por um impacto provocado pelo morador, pode existir obrigação de reparação. Mas, se a quebra decorreu de um defeito preexistente ou deterioração natural, a responsabilidade precisa ser analisada de outra maneira.

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O proprietário pode exigir um box mais caro e moderno?

Não existe uma regra que autorize o proprietário a exigir automaticamente um equipamento de padrão superior apenas porque o anterior foi danificado. O artigo 944 do Código Civil estabelece que a indenização deve ser medida pela extensão do dano. Assim, a cobrança precisa guardar relação com o prejuízo efetivamente sofrido.

Se um box equivalente ao antigo estiver disponível, seu custo pode servir como referência para a reparação. Caso o modelo tenha saído de fabricação ou não exista alternativa tecnicamente adequada, a substituição integral pode ser necessária. Entretanto, instalar um equipamento mais luxuoso por preferência do proprietário não significa que todo o custo adicional deva ser transferido ao inquilino.

O desgaste natural do box também precisa ser considerado

Um box utilizado durante muitos anos pode apresentar ferragens desgastadas, roldanas comprometidas e outras alterações decorrentes do tempo. Essas condições precisam ser diferenciadas de danos provocados por mau uso. O artigo 22, inciso IV, da Lei do Inquilinato atribui ao proprietário a responsabilidade pelos vícios ou defeitos anteriores à locação.

No caso de Ricardo, seria necessário verificar se o box já apresentava problemas quando o contrato começou e como ocorreu a quebra. Fotografias antigas, registros de manutenção e avaliações técnicas poderiam esclarecer a situação. A idade do equipamento não elimina automaticamente a responsabilidade do morador, mas também não justifica, por si só, uma cobrança equivalente ao valor de um produto superior.

Um box utilizado durante muitos anos pode apresentar ferragens desgastadas, roldanas comprometidas e outras alterações decorrentes do tempo. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Quais documentos podem ajudar a contestar a cobrança?

A vistoria inicial é uma das principais referências para comparar as condições do imóvel na entrada e na saída. Quando acompanhada de fotografias e descrições detalhadas, ela ajuda a identificar defeitos anteriores e alterações ocorridas durante a locação. O contrato de aluguel também precisa ser consultado para verificar as obrigações assumidas pelas partes.

Antes de aceitar uma cobrança pela substituição do box, o inquilino pode reunir os seguintes documentos:

  • Vistoria inicial: mostra as condições do banheiro na entrega do imóvel.
  • Vistoria final: identifica o dano apontado pelo proprietário.
  • Fotografias: ajudam a demonstrar o estado anterior do equipamento.
  • Orçamentos: permitem comparar o custo de reparação ou substituição por modelo equivalente.
  • Mensagens: comprovam quando a quebra foi comunicada e quais soluções foram discutidas.

Como contestar a cobrança e o que acontece se não houver acordo?

Se Ricardo considerasse a cobrança excessiva, poderia solicitar à imobiliária a justificativa do valor e apresentar orçamentos de modelos equivalentes. Também seria possível pedir uma avaliação técnica sobre a possibilidade de reparo e sobre as condições anteriores do box. Caso não houvesse acordo, a controvérsia poderia ser levada ao Juizado Especial Cível, conforme o valor e as características da demanda.

Atenção: esta é uma história fictícia. Ricardo Almeida, o apartamento e a cobrança descrita foram criados exclusivamente para ilustrar uma situação envolvendo locação residencial. O contexto serve apenas como exemplo educativo e não representa uma denúncia real contra proprietário ou imobiliária. Em casos concretos, a responsabilidade e o valor devido dependem das provas, das condições do equipamento, do contrato e da legislação aplicável.

Tags: casaconsumodireitoimobiliário
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