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Proprietário aluga apartamento mobiliado por três anos e, ao receber as chaves de volta, descobre que inquilino retirou uma parede para integrar dois cômodos sem pedir autorização

Por Patrick Silva
23/09/2026
Em Notícias
Proprietário aluga apartamento mobiliado por três anos e, ao receber as chaves de volta, descobre que inquilino retirou uma parede para integrar dois cômodos sem pedir autorização

Proprietário recebe imóvel e descobre parede removida sem autorização ao fim de três anos de locação - imagem ilustrativa

Fernando alugou um apartamento mobiliado por três anos e acreditava que receberia o imóvel de volta com apenas os desgastes naturais do período. Durante a vistoria final, porém, encontrou uma surpresa: uma parede havia sido retirada para integrar dois cômodos. Ele nunca havia autorizado a obra. O cenário é fictício, mas mostra como uma mudança feita durante a locação pode aparecer somente depois da devolução das chaves.

Como Fernando descobriu uma alteração tão grande apenas no fim da locação?

Quando entregou o apartamento, Fernando possuía fotografias e uma vistoria indicando a disposição dos ambientes, móveis e acabamentos. Durante os três anos seguintes, o inquilino utilizou normalmente o imóvel e não comunicou intenção de modificar a planta. Para o proprietário, a configuração interna continuava sendo a mesma.

A diferença ficou evidente na vistoria de saída. Dois ambientes antes separados estavam integrados e havia sinais de acabamento onde a parede havia sido removida. Nesse momento, a discussão deixou de envolver apenas pintura ou pequenos reparos e passou a tratar de uma alteração física permanente no apartamento.

Proprietário aluga apartamento mobiliado por três anos e, ao receber as chaves de volta, descobre que inquilino retirou uma parede para integrar dois cômodos sem pedir autorização
Proprietário recebe imóvel e descobre parede removida sem autorização ao fim de três anos de locação – imagem ilustrativa

O que muda quando a obra não é simples desgaste causado pelo uso?

Marcas na pintura, pequenos riscos e outros efeitos compatíveis com anos de utilização podem ser avaliados como desgaste normal. Retirar uma parede é uma situação diferente, porque modifica a configuração recebida pelo locatário e pode exigir projeto, reconstrução e novos acabamentos para retornar ao estado anterior.

Também é necessário descobrir qual parede foi removida. Se era apenas uma divisória interna, a discussão técnica pode ser mais simples. Se havia função estrutural, passagem de instalações ou alguma interferência relevante para o edifício, a análise precisa ser feita por profissional habilitado antes de qualquer reconstrução.

Proprietário aluga apartamento mobiliado por três anos e, ao receber as chaves de volta, descobre que inquilino retirou uma parede para integrar dois cômodos sem pedir autorização
Proprietário recebe imóvel e descobre parede removida sem autorização ao fim de três anos de locação – imagem ilustrativa

O proprietário pode exigir que o apartamento volte à configuração original?

O artigo 23, inciso III, da Lei 8.245/1991 obriga o locatário a restituir o imóvel no estado em que o recebeu, ressalvadas as deteriorações decorrentes do uso normal. O artigo 23, inciso VI, da Lei 8.245/1991 determina ainda que o inquilino não modifique a forma interna ou externa do imóvel sem consentimento prévio e escrito do locador.

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O artigo 23, inciso V, da Lei 8.245/1991 também atribui ao locatário a reparação de danos provocados por ele, seus dependentes, familiares, visitantes ou prepostos. Se a retirada contrariou a contratação e gerou despesas para recompor o apartamento, os custos efetivamente necessários podem entrar na discussão.

Quais provas ajudam Fernando a mostrar que nunca autorizou a retirada da parede?

O artigo 35 da Lei 8.245/1991 distingue benfeitorias necessárias e úteis e prevê regras próprias para indenização, inclusive exigindo autorização para determinadas melhorias úteis. Se o apartamento estiver em condomínio, o artigo 1.336, inciso II, do Código Civil também proíbe obras que comprometam a segurança da edificação.

Para Fernando, o mais importante é comparar o estado inicial com o imóvel devolvido e registrar tecnicamente o que será necessário para restaurar a configuração anterior:

CB Radar • análise

O que pode ajudar a reconstruir a alteração feita no imóvel

Vistorias, contrato e registros da reforma podem ajudar a comparar o estado original do apartamento com as mudanças realizadas e dimensionar o que seria necessário para eventual recomposição.

01
Estado original

Vistoria inicial

Relatório e fotografias mostrando a parede existente quando o apartamento foi entregue.

02
Regras da locação

Contrato

Cláusulas sobre reformas, alterações internas e necessidade de autorização do proprietário.

03
Autorização

Mensagens

Conversas capazes de mostrar se alguma obra foi solicitada, comunicada ou autorizada.

04
Estado atual

Vistoria final

Imagens detalhadas dos ambientes integrados e dos acabamentos realizados.

05
Avaliação estrutural

Laudo técnico

Avaliação indicando o tipo de parede retirada e a forma segura de eventual reconstrução.

06
Custo de recomposição

Orçamentos

Propostas para recompor parede, pintura, instalações e outros elementos diretamente afetados.

O que muda quando comparamos a devolução recebida por Fernando com uma locação encerrada corretamente?

A diferença entre o problema enfrentado por Fernando e uma devolução regular está em separar desgaste natural de alteração deliberada da configuração do imóvel. O uso durante três anos pode deixar marcas, mas não significa autorização automática para modificar paredes e ambientes.

A comparação entre o ocorrido e o caminho esperado fica clara na tabela:

EtapaO que Fernando encontrouO que a lei exige
Entrada ImóvelEntregou apartamento com cômodos separadosEstado inicial deve servir de referência para a devolução
Obra ParedeNão recebeu pedido para alterar os ambientesMudança interna exige consentimento prévio e escrito
Devolução ChavesEncontrou dois cômodos integradosImóvel deve ser restituído respeitando as condições legais
Segurança EstruturaNão sabia qual função a parede exerciaImpacto da intervenção precisa ser tecnicamente verificado
Reparo CustosPassou a avaliar reconstrução e acabamentosDanos atribuídos à alteração devem ser comprovados

O que se aprende com a história de Fernando?

A história de Fernando é fictícia, mas mostra que morar durante anos em um imóvel alugado não transforma automaticamente o locatário em alguém livre para alterar sua configuração. Integrar dois ambientes poderia até ser funcional para quem morava ali. O conflito surgiu porque uma mudança permanente foi realizada sem autorização e só apareceu claramente na devolução do apartamento.

Quem realmente quer resolver uma situação desse tipo precisa seguir este roteiro: preservar as vistorias de entrada e saída, conferir contrato e mensagens, impedir novas intervenções até uma avaliação técnica, obter orçamento para recomposição e documentar cada custo relacionado à alteração. Antes de simplesmente reconstruir a parede, identificar sua função e registrar o estado atual ajuda a definir com mais segurança quais reparos são necessários e quais despesas podem ser cobradas.

Tags: Aluguelapartamentoinquilinoreforma
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