Roger Federer entrou na On em 2019 como investidor e parceiro de desenvolvimento, numa relação que foi além de um contrato tradicional de publicidade. Dois anos depois, a fabricante suíça de tênis chegou à Bolsa de Nova York e alcançou uma avaliação próxima de US$ 11,35 bilhões em sua estreia.
Quanto Roger Federer realmente investiu na On
Reportagens recentes atribuem a Federer um investimento de cerca de US$ 50 milhões na companhia suíça. O valor, porém, deve ser tratado como uma estimativa: a própria On não divulgou oficialmente quanto o ex-tenista investiu nem qual participação recebeu no negócio.
Na cobertura da abertura de capital em 2021, a Reuters também descreveu o aporte de Federer como uma soma não revelada. A informação confirmada é que ele entrou na empresa em 2019 e passou a atuar como investidor e parceiro próximo dos fundadores, e não apenas como garoto-propaganda.
A parceria começou antes dos tênis de Federer chegarem às lojas
Fundada em 2010 por Olivier Bernhard, David Allemann e Caspar Coppetti, a On ganhou espaço inicialmente no mercado de corrida. Federer já utilizava produtos da marca quando a aproximação entre as duas partes começou e, em novembro de 2019, sua entrada na empresa foi anunciada.
A própria On explica que Federer se juntou ao negócio como empreendedor, participando de áreas como desenvolvimento de produtos, marketing e experiência dos consumidores. A página oficial da empresa sobre a parceria pode ser consultada no site da On.
O envolvimento logo apareceu nos produtos. Em julho de 2020, a marca apresentou o THE ROGER Centre Court, modelo inspirado no tênis para uso casual. Em março de 2021, Federer estreou o THE ROGER Pro no torneio de Doha, levando a On para as quadras profissionais.

IPO levou a On a uma avaliação superior a US$ 11 bilhões
A grande mudança financeira aconteceu em setembro de 2021. A On realizou sua oferta pública inicial nos Estados Unidos e passou a negociar suas ações na New York Stock Exchange com o código ONON.
- A oferta foi precificada em US$ 24 por ação.
- Foram oferecidas inicialmente 31,1 milhões de ações.
- As ações abriram a US$ 35,40 no primeiro dia, segundo a Reuters.
- A valorização na estreia passou de 47%.
- O valor de mercado chegou a aproximadamente US$ 11,35 bilhões.
A On confirmou oficialmente o preço de US$ 24 e a quantidade de ações em seu comunicado sobre o IPO. A estreia ocorreu em 15 de setembro de 2021, menos de dois anos depois da entrada de Federer na companhia.
Há um problema na cronologia dos “quatro anos”
O intervalo entre o investimento de Federer e a abertura de capital merece atenção. Se ele entrou na On em 2019 e as ações começaram a ser negociadas em setembro de 2021, o IPO aconteceu aproximadamente dois anos depois, e não quatro anos depois.
Também não é possível calcular com precisão quanto Federer ganhou apenas aplicando a avaliação de US$ 11,35 bilhões a uma participação estimada. Como a porcentagem detida pelo suíço e as condições originais do investimento não foram divulgadas oficialmente, números sobre o valor exato de sua participação dependem de estimativas publicadas por terceiros.
On continuou crescendo depois da estreia em Wall Street
A empresa não ficou restrita à associação com Federer. No segundo trimestre de 2026, a On registrou vendas líquidas de 850,3 milhões de francos suíços, avanço de 13,5% sobre o mesmo período do ano anterior e de 21,6% considerando moedas constantes.
O canal direto ao consumidor também ganhou peso e respondeu por 45,7% das vendas no trimestre. Para todo o ano de 2026, a companhia projetou vendas líquidas entre 3,47 bilhões e 3,56 bilhões de francos suíços, conforme o resultado oficial divulgado pela On.
Em setembro de 2026, a empresa também apresentou novos objetivos para os próximos anos, incluindo expansão das vendas e avanço em categorias além da corrida. O movimento mostra como a marca que Federer encontrou ainda em uma etapa anterior de sua expansão tornou-se uma companhia global de artigos esportivos.
O que a história do investimento de Federer mostra na prática
O ponto central não é apenas a possível multiplicação do patrimônio do ex-tenista. Federer entrou como sócio e colaborador, ajudou a desenvolver produtos e emprestou sua imagem a uma marca que ainda buscava ampliar sua presença fora do universo da corrida.
Para quem acompanha o caso como investimento, porém, é preciso separar fatos confirmados de estimativas. O aporte de aproximadamente US$ 50 milhões e o tamanho da participação de Federer não foram divulgados oficialmente; já sua entrada em 2019, o IPO em 2021 e a avaliação de cerca de US$ 11,35 bilhões na estreia são marcos documentados.




