Você está planejando uma viagem para a Europa nos próximos meses? Saiba que uma crise de abastecimento de querosene de aviação está acontecendo agora, não é uma ameaça distante. Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do consumo global de petróleo, foi quase completamente bloqueado. E o turismo europeu está sentindo os efeitos em tempo real.
De rota estratégica a zona de guerra: o que aconteceu no Estreito de Ormuz
Em 28 de fevereiro de 2026, os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã com o objetivo de neutralizar seu programa nuclear. O líder supremo iraniano Ali Khamenei foi morto nos ataques. Em retaliação, o Irã fechou o Estreito de Ormuz ao tráfego de navios ligados aos EUA, Israel e países aliados, lançou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas na região e instalou minas marítimas na passagem. Segundo a Wikipedia, o tráfego de navios-tanque caiu cerca de 70% no início do conflito e logo chegou a praticamente zero.
Desde 13 de abril, os EUA estabeleceram ainda um bloqueio naval dos portos iranianos, criando o que analistas chamaram de “duplo bloqueio” do estreito. A Comissão Europeia publicou orientações em maio de 2026 reconhecendo que a crise afeta diretamente o setor de transporte e turismo da União Europeia.

Voos cancelados, aeroportos em alerta: onde a crise já chegou
Isso não é cenário hipotético. A escassez de combustível de aviação já está produzindo consequências concretas. O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a Europa poderia enfrentar cancelamentos de voos em breve caso o fornecimento permaneça bloqueado. Veja o que já está acontecendo em alguns países:
- Itália — Primeiro país com restrições reais em vigor: vários aeroportos italianos emitiram avisos de abastecimento limitado de combustível, pressionados pela alta demanda sazonal e pela dependência de fontes externas de querosene.
- Holanda — Como hub central da aviação europeia, enfrenta pressão nas refinarias e instalações de armazenamento, com risco de impacto direto nos slots e nas rotas de voos.
- França — Os principais aeroportos franceses são sensíveis às flutuações de preço e restrições de estoque, com risco de impacto nos roteiros de verão já vendidos.
- Espanha e Portugal — Dois dos favoritos dos brasileiros na Europa, podem ter rotas de longa distância e voos intraeuropeus ajustados pelo aumento dos custos logísticos.
- Grécia — Destinos insulares e rotas de verão dependem fortemente de voos frequentes; qualquer instabilidade no abastecimento afeta diretamente a temporada.
- Alemanha e Irlanda — Pontos-chave na conectividade transatlântica, ambas integram os planos de contingência do setor aéreo europeu.
O fechamento do Estreito de Ormuz é considerado a maior disrupção no fornecimento mundial de energia desde a crise do petróleo da década de 1970. O barril de petróleo Brent chegou a US$ 126 em seu pico.
A Comissão Europeia avalia importar querosene dos EUA e criar cotas mínimas de reserva. A Europa importa entre 30% e 40% do seu querosene de aviação, com metade vindo do Oriente Médio.
O comissário europeu de Transportes confirmou que cancelamentos já ocorrem pelo aumento dos custos de combustível, não por ausência física de querosene, mas alertou que os estoques estão “sob pressão” em partes da Europa.
O que isso significa para quem tem viagem marcada para a Europa
O comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, confirmou que, embora não haja escassez física generalizada de querosene de aviação no momento, os estoques estão “sob pressão” em partes da Europa. Ele admitiu que algumas companhias aéreas já cancelaram voos por causa do alto custo do combustível, e não por falta de estoque. A distinção é importante: hoje é uma crise de custo, amanhã pode ser de abastecimento. A Al Jazeera relata que a UE prepara orientações específicas sobre direitos de passageiros em caso de cancelamentos por escassez de combustível.
Para quem planeja viajar, especialistas em turismo recomendam optar por tarifas reembolsáveis, contratar um seguro de viagem completo que cubra cancelamentos de itinerário e manter contato ativo com companhias aéreas para atualizações. Reservas antecipadas em rotas europeias já mostram sinais de cautela maiores do que em anos anteriores, com viajantes demonstrando mais hesitação.
A Europa busca saídas, mas a conta ainda vai chegar
Nigéria, Índia e Estados Unidos já são apontados como fontes alternativas de querosene de aviação para compensar a escassez do Golfo. A reestruturação funcionou para evitar uma crise imediata, mas traz custos logísticos muito maiores: rotas de abastecimento mais longas, fretes mais caros e complexidade operacional crescente. Esses custos têm potencial direto de se traduzir em passagens mais salgadas e em ajustes nas grades de horários das companhias aéreas ao longo do ano.
O setor de turismo europeu nunca dependeu tanto de variáveis geopolíticas tão distantes quanto hoje. O que acontece no Estreito de Ormuz ressoa diretamente nos aeroportos de Lisboa, Roma, Barcelona e Amsterdam, lembrando que cadeias globais de abastecimento conectam conflitos distantes ao cotidiano de quem apenas queria aproveitar as férias.
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