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Início Curiosidades

Corredor de maratona flagrado usando receita médica falsa recebe banimento de seis anos

Por Bruno Vaz
25/10/2026
Em Curiosidades
Ruti Aga suspensa doping

De acordo com a Unidade de Integridade do Atletismo, os glicocorticoides integram a categoria S9 da lista de substâncias proibidas em competição

A maratonista etíope Ruti Aga, de 32 anos, foi suspensa por seis anos após um exame antidoping positivo e uma tentativa de enganar os investigadores com uma receita médica falsa. Campeã da Maratona de Tóquio de 2019, a atleta recebeu uma punição que pode afastá-la das competições até 2032.

Campeã de maratona recebe suspensão de seis anos por doping

A punição foi anunciada em 22 de outubro de 2026 pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU), responsável por investigar violações das regras da modalidade. Segundo o portal húngaro 24.hu, Ruti Aga tentou justificar um resultado positivo utilizando um documento médico que posteriormente foi identificado como falsificado.

O exame havia sido realizado depois da vitória da atleta na Meishan Renshou Half Marathon, disputada em 15 de março de 2026, na China. A análise identificou a presença de metilprednisolona, substância incluída na lista de medicamentos proibidos durante competições. A descoberta deu início a uma investigação que acabou revelando outra infração.

Qual substância foi encontrada no exame da atleta?

A metilprednisolona é um medicamento da classe dos glicocorticoides, utilizado para tratar diferentes processos inflamatórios. Entre suas aplicações médicas estão condições que exigem controle da inflamação e da resposta imunológica. No esporte, seu uso está sujeito a restrições específicas, principalmente pela possibilidade de interferir no desempenho e na recuperação física.

De acordo com a Unidade de Integridade do Atletismo, os glicocorticoides integram a categoria S9 da lista de substâncias proibidas em competição. A restrição depende, entre outros fatores, da via de administração. Medicamentos legítimos podem exigir uma autorização de uso terapêutico, mas sua necessidade médica não elimina automaticamente as regras antidoping.

Receita médica apresentada por Ruti Aga levantou suspeitas

Depois do resultado positivo, a corredora afirmou que havia recebido o medicamento de um médico na Etiópia para tratar uma lesão no joelho. Para sustentar sua explicação, apresentou uma receita que supostamente comprovava o atendimento. Os investigadores decidiram verificar a origem do documento e encontraram inconsistências que comprometeram a versão apresentada.

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A apuração revelou que a clínica mencionada na receita não existia e que o documento havia sido assinado por um familiar da atleta sem registro profissional como médico. O caso deixou de envolver apenas a presença de uma substância proibida e passou a incluir uma suspeita de manipulação do procedimento antidoping.

Ruti Aga suspensa doping
Campeã da Maratona de Tóquio de 2019, a atleta recebeu uma punição que pode afastá-la das competições até 2032.

Investigação descobriu detalhes da falsificação

As irregularidades foram identificadas com apoio da autoridade antidoping da Etiópia. Conforme o comunicado da AIU reproduzido pelo portal especializado Time-to-Run, a atleta prestou informações incorretas durante uma entrevista realizada em 21 de abril de 2026. Posteriormente, em 4 de maio, apresentou o documento que seria utilizado para justificar o tratamento.

Ao ser questionado, o familiar afirmou ter utilizado um antigo bloco de receitas de um estabelecimento onde supostamente havia trabalhado. Entretanto, a clínica citada negou que essa pessoa tivesse integrado seu quadro de funcionários e também não reconheceu a receita. Diante dessas descobertas, os investigadores concluíram que o documento havia sido falsificado.

Leia também: Andar com as mãos atrás das costas custa até doze por cento mais energia a cada metro caminhado, segundo um estudo de biomecânica publicado pela Royal Society, e o dado desmonta a leitura popular que atribui a postura a reflexão ou a personalidade, sem que exista um único trabalho testando isso

Por que a punição chegou a seis anos?

A suspensão não foi aplicada apenas pelo resultado do exame. A AIU estabeleceu dois anos de afastamento pela presença ou uso da metilprednisolona e acrescentou outros quatro anos pela tentativa de interferir na investigação. Dessa forma, o período total de inelegibilidade chegou a seis anos, uma consequência muito mais severa do que a infração inicial.

Segundo a agência Reuters, Aga estava suspensa provisoriamente desde 10 de setembro de 2026, data utilizada como início da punição. Mantidas as condições anunciadas, o afastamento alcança setembro de 2032. A atleta não respondeu às acusações dentro do procedimento, e a penalidade foi estabelecida sem a realização de uma audiência para contestação.

Ruti Aga tinha uma carreira de destaque nas maratonas

Antes da punição, Ruti Aga era reconhecida entre as principais corredoras de longa distância da Etiópia. Seu resultado mais conhecido foi a vitória na Maratona de Tóquio de 2019, uma das competições mais prestigiadas do calendário internacional. Na ocasião, completou os 42,195 quilômetros em 2 horas, 20 minutos e 40 segundos.

A atleta também conquistou posições importantes em outras provas de alto nível. Foi vice-campeã da Maratona de Berlim em 2017 e 2018, além de terminar em segundo lugar em Tóquio em 2018. Também alcançou o terceiro lugar em Berlim, em 2016, e em Nova York, em 2019. Esses resultados mostram o peso esportivo da suspensão para uma corredora com histórico de pódios internacionais.

O que acontece agora com a carreira da maratonista?

Durante a suspensão, Ruti Aga fica impedida de disputar competições abrangidas pelas regras de inelegibilidade do atletismo. O afastamento de seis anos representa uma interrupção significativa para uma atleta que já estava entre as principais maratonistas do circuito mundial. Eventuais consequências sobre resultados e premiações precisam seguir as decisões específicas das autoridades esportivas.

O caso também reforça que uma investigação antidoping não termina necessariamente com a identificação de um medicamento proibido. Documentos médicos, justificativas de tratamento e informações prestadas pelos atletas podem ser examinados. Para acompanhar eventuais atualizações, decisões ou mudanças na situação da corredora, a referência é o registro oficial de processos disciplinares da AIU, que reúne informações sobre sanções e recursos no atletismo internacional.

Tags: atletismoCorridadopingEsporte
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