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Início Curiosidades

Mercúrio pode ter muito menos dióxido de silício do que os cientistas imaginavam, e isso revela um passado mais quente

Por Maria Beatriz Silva
01/11/2026
Em Curiosidades
Mercúrio pode ter muito menos dióxido de silício do que os cientistas imaginavam, e isso revela um passado mais quente

Mercúrio pode ter muito menos dióxido de silício do que os cientistas imaginavam, e isso revela um passado mais quente

O planeta Mercúrio pode ter uma composição superficial bastante diferente daquela estimada anteriormente. Uma nova análise indica que o dióxido de silício representa cerca de 37% da massa de seus materiais superficiais, proporção até 25% menor que os cálculos anteriores. O resultado oferece pistas sobre a intensa atividade vulcânica que marcou os primeiros capítulos da história do planeta rochoso.

Por que a composição da superfície de Mercúrio chama a atenção dos pesquisadores?

Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar e também o mais próximo do Sol. Sua superfície preserva marcas de antigos episódios vulcânicos, ocorridos quando o interior ainda apresentava temperaturas elevadas. Como não existem amostras coletadas diretamente no planeta, os cientistas precisam recorrer a observações feitas por telescópios e sondas espaciais.

O dióxido de silício, conhecido pela fórmula SiO₂, é um composto formado por silício e oxigênio e aparece em minerais presentes nas rochas. Sua proporção ajuda a caracterizar materiais vulcânicos e a reconstruir processos ocorridos no interior de planetas rochosos. Em Mercúrio, uma quantidade menor desse composto pode indicar condições de formação diferentes das inicialmente propostas.

composição de Mercúrio
Planeta Mercúrio visto do espaço, com superfície rochosa marcada por antigas planícies vulcânicas e grandes áreas de lava solidificada

O que a nova análise científica revelou sobre a quantidade de sílica no planeta?

A composição química da superfície funciona como um registro indireto da atividade geológica antiga. Elementos e compostos presentes nas rochas ajudam a indicar a origem dos magmas e as condições em que eles se formaram. No caso de Mercúrio, a concentração relativamente baixa de sílica oferece uma pista sobre a temperatura e a extensão do derretimento no interior.

Pesquisas do Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar e de universidades alemãs, publicadas na revista científica Planetary Research, estimaram que o SiO₂ corresponde a aproximadamente 37% da massa da superfície mercuriana. O valor é até 25% inferior às estimativas anteriores e aponta para lavas originadas de material do manto submetido a derretimento mais intenso.

Quais elementos ajudam a explicar a formação das antigas lavas de Mercúrio?

Para interpretar o resultado, é importante considerar alguns conceitos ligados à formação das rochas:

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5 conceitos que ajudam a compreender a atividade vulcânica de Mercúrio

A história vulcânica de Mercúrio envolve a composição química das rochas e os processos que ocorrem no interior do planeta. Alguns conceitos ajudam a compreender a formação do magma, o derretimento das rochas e as características de sua superfície.

01

Dióxido de silício

É um composto químico formado por um átomo de silício e dois de oxigênio. Sua composição está relacionada à mineralogia e às características químicas das rochas.

02

Manto

É a camada interna localizada abaixo da crosta sólida do planeta. Sua composição e suas condições físicas são importantes para compreender os processos geológicos que ocorrem no interior de Mercúrio.

03

Magma

É o material rochoso fundido que se forma no interior do planeta. Quando alcança a superfície, pode extravasar e originar lava, participando da formação de estruturas vulcânicas.

04

Derretimento parcial

É o processo em que apenas uma parte das rochas do manto se transforma em material líquido. Esse fenômeno pode gerar magma sem que todo o material rochoso seja derretido.

05

Crosta

É a camada externa sólida de Mercúrio. Sua superfície preserva registros de processos geológicos antigos, incluindo marcas de episódios de atividade vulcânica que ajudam os cientistas a investigar a evolução do planeta.

Por que um manto mais quente pode produzir lavas com menos dióxido de silício?

Uma das explicações propostas envolve a evolução térmica do manto. Em um planeta jovem e muito quente, grandes porções de rocha podem derreter e gerar magmas com composição diferente daquela produzida em condições mais frias. A menor quantidade de sílica observada em Mercúrio é compatível com lavas formadas a partir de material mais profundamente e extensivamente derretido.

Isso não significa, porém, que a composição medida determine sozinha a temperatura exata do interior. A interpretação depende de outros fatores, como a composição original das rochas, a presença de oxigênio e a evolução química do planeta. Os pesquisadores também consideram a possibilidade de que Mercúrio tenha perdido parte do oxigênio de sua crosta ao longo do tempo.

composição de Mercúrio
uma seção em corte do interior de Mercúrio, revelando o manto rochoso extremamente quente parcialmente derretido

O que a missão BepiColombo poderá revelar sobre o passado vulcânico de Mercúrio?

A análise da superfície mercuriana é especialmente desafiadora porque nenhuma missão pousou no planeta para recolher rochas. Os dados disponíveis vêm de observações remotas, que precisam ser interpretadas com métodos de calibração. Para aprimorar essa leitura, a equipe produziu pequenas esferas de vidro em laboratório com quantidades conhecidas de sílica e mediu sua resposta à radiação infravermelha.

Antes de aplicar o método a Mercúrio, os cientistas o testaram usando dados da Lua e compararam os resultados com amostras lunares trazidas à Terra. Essa etapa ajudou a verificar a confiabilidade da técnica. A missão BepiColombo, desenvolvida pela Agência Espacial Europeia e pela agência japonesa JAXA, deverá fornecer medições infravermelhas mais detalhadas para testar a estimativa.

Tags: atividade vulcânicadióxido de silício em Mercúriosílica
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