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Microgravidade ameaça os ossos dos astronautas e desperta interesse pela melatonina, aponta pesquisas

Por Maria Beatriz Silva
10/10/2026
Em Curiosidades
Microgravidade ameaça os ossos dos astronautas e desperta interesse pela melatonina, aponta pesquisas

Microgravidade ameaça os ossos dos astronautas e desperta interesse pela melatonina, aponta pesquisas

A permanência no espaço impõe desafios importantes ao corpo humano, e um deles é a perda de massa óssea durante missões prolongadas. Nesse cenário, a melatonina, hormônios associados ao ciclo do sono, passou a despertar interesse científico por seus possíveis efeitos sobre o tecido ósseo. A hipótese é um caminho aberto para investigar estratégias que protejam a saúde dos astronautas durante viagens espaciais.

Por que os ossos dos astronautas ficam mais vulneráveis durante missões espaciais?

Na Terra, os ossos recebem estímulos mecânicos constantes durante atividades como caminhar, ficar em pé e levantar objetos. Em ambientes de microgravidade, essa carga diminui, alterando o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do tecido ósseo. Com o tempo, essa mudança pode reduzir a densidade mineral e comprometer a resistência dos ossos.

A perda óssea preocupante especialmente em missões longas, porque a recuperação após o retorno à Terra pode ser lenta e incompleta. Além disso, alterações na estrutura óssea podem aumentar o risco de fraturas. Proteger o esqueleto é, portanto, uma questão importante para a segurança dos astronautas , especialmente quando as viagens duram meses e desativam o planejamento cuidadoso da saúde.

melatonina e perda óssea.
Melatonina pode ajudar a proteger os ossos dos astronautas durante missões espaciais – Imagem Ilustrativa

De que maneira a melatonina pode interferir no processo de perda óssea?

A melatonina é produzida principalmente pela glândula pineal e participa da regulação do ciclo entre sono e vigília. Além dessa função, ela apresenta efeitos biológicos que despertam interesse em pesquisas sobre o metabolismo ósseo. Entre as possibilidades investigadas está sua atuação sobre células responsáveis pela reabsorção e pela manutenção do tecido que sustenta o esqueleto.

Pesquisas publicadas no Journal of Pineal Research , disponíveis nesteestudo sobre melatonina e perda óssea durante voosespacial, analisaram escamas de peixes dourados como modelo de tecido mineralizado. Os resultados indicaram que o tratamento com melatonina impediu sinais de ativação de osteoclastos, células que reabsorvem osso, e favorecendo mecanismos associados à proteção do tecido ósseo durante a microgravidade.

Quais mecanismos biológicos podem explicar esse possível efeito protetor?

O tecido ósseo passa por um processo contínuo de renovação. Os osteoblastos participam da formação do osso, enquanto os osteoclastos atuam na reabsorção. Quando a atividade dessas células perde o equilíbrio, a estrutura óssea pode ser prejudicada. A melatonina despertou interesse por sua possível capacidade de influência nessa dinâmica celular em condições de microgravidade.

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Os pesquisadores observaram alterações na expressão de genes relacionados à atividade dos osteoclastos e à calcitonina, hormônios que ajudam a inibir a reabsorção óssea. A administração de melatonina atenuou algumas dessas mudanças nas amostras testadas. Essas descobertas ajudaram a explicar o potencial mecanismo de ação, mas ainda não comprovaram que os hormônios previnem a perda óssea em astronautas.

ciência espacial

5 aspectos investigados sobre a saúde dos ossos no espaço

A permanência em microgravidade pode alterar o metabolismo ósseo. Pesquisas investigam os mecanismos celulares, hormonais e genéticos envolvidos nessa resposta e o possível papel da melatonina na proteção do tecido ósseo.

01

Microgravidade

A redução da carga mecânica sobre o esqueleto durante missões espaciais pode favorecer a reabsorção óssea e contribuir para a perda de massa mineral dos ossos.

02

Osteoclastos

Essas células especializadas degradam o tecido ósseo antigo, participando de sua renovação. A pesquisa investiga como a microgravidade pode modificar sua atividade e o equilíbrio da remodelação óssea.

03

Calcitonina

Esse hormônio participa da regulação do metabolismo do cálcio e pode inibir a atividade dos osteoclastos. Sua atuação ajuda a investigar os mecanismos hormonais relacionados à reabsorção óssea.

04

Expressão genética

A análise da atividade de genes associados às células ósseas permite investigar mudanças nos processos de formação, manutenção e reabsorção do tecido durante a exposição à microgravidade.

05

Melatonina

Conhecida por sua participação na regulação do ciclo sono-vigília, essa substância também é investigada por possíveis efeitos sobre as células ósseas e o estresse oxidativo. O objetivo é avaliar se a melatonina pode atenuar alterações associadas à microgravidade, sem presumir que esse efeito já esteja comprovado em seres humanos no espaço.

Quais limitações impedem que a melatonina seja considerada uma solução comprovada?

Embora os resultados sejam promissores, o estudo utilizou escamas de peixes como modelo experimental, e não envolveu humanos em uma missão espacial. Existem diferenças importantes entre esse tecido e o esqueleto humano, tanto na estrutura quanto nos processos de formação óssea. Por isso, os resultados precisam ser interpretados com cautela antes de qualquer aplicação clínica.

Outro ponto é que a proteção observada em células e tecidos não garante o mesmo efeito em todo o organismo. Ainda são estudos clínicos necessários que avaliem a eficácia, a dose completa e a segurança dessa estratégia para astronautas. A melatonina não deve ser considerada um tratamento comprovado para prevenir a perda óssea associada às viagens espaciais.

melatonina e perda óssea.
Melatonina pode ajudar a proteger os ossos dos astronautas no espaço – Imagem Ilustrativa

Que aplicações futuras essa descoberta pode oferecer à exploração espacial?

Se pesquisas posteriores confirmarem o efeito em seres humanos, a melatonina poderá contribuir para estratégias de proteção óssea durante missões prolongadas. Sua possível atuação sobre mecanismos celulares oferece uma linha de investigação adicional às medidas já utilizadas, como exercícios físicos e monitoramento da saúde dos astronautas.

O desenvolvimento de uma estratégia eficaz também exigirá avaliar possíveis efeitos adversos, interações com outros medicamentos e diferenças individuais de resposta. Além disso, será necessário determinar se a melatonina oferece benefícios adicionais aos métodos de prevenção existentes. A combinação de evidências experimentais e clínicas será fundamental para avaliar sua utilidade real em voos espaciais.

Por enquanto, o estudo representa um avanço na investigação dos efeitos da microgravidade sobre o tecido ósseo, sem estabelecer um tratamento definitivo. O valor prático dessa pesquisa está em apontar um caminho para futuras medidas de proteção , que poderão ajudar a preservar a saúde dos astronautas em viagens por mais tempo, desde que sua eficácia e segurança sejam confirmadas.

Tags: melatonina e microgravidademelatonina e perda ósseaperda óssea em astronautas
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