Toda bebida famosa tem um lugar de origem que vira sinônimo dela, como Champagne na França. No Brasil, esse papel cabe a Garibaldi, na Serra Gaúcha, onde uma família de imigrantes italianos elaborou o primeiro espumante do país em 1913. A cidade transformou o pioneirismo em identidade: tem lei que torna o espumante e o sabre símbolos oficiais, uma taça gigante de mais de 2 metros e um centro histórico que preserva os casarões erguidos por quem chegou ali no fim do século XIX.
Por que Garibaldi é chamada de capital do espumante?
Pelo pioneirismo na bebida. Segundo a Secretaria de Turismo de Garibaldi, o primeiro espumante brasileiro foi elaborado em solo garibaldense em 1913, e desde então a cidade vem construindo parte importante da história dos vinhos e espumantes nacionais. De acordo com o Consórcio Intermunicipal Serra Gaúcha (Cisga), a produção pioneira foi da família Peterlongo, o que rendeu ao município o apelido de Terra do Champanha.
O nome da cidade também carrega história. O Cisga lembra que Garibaldi homenageia o italiano Giuseppe Garibaldi, que participou da Revolução Farroupilha e ficou conhecido como “herói dos dois mundos”. A mistura entre memória italiana e identidade gaúcha aparece em quase tudo na cidade, das fachadas ao calendário de festas.

Por que o espumante e o sabre viraram símbolos oficiais?
Por decisão da própria cidade, registrada em lei. A Lei Municipal nº 5.559, de 16 de agosto de 2022, instituiu o espumante e o sabre como objetos-símbolos de Garibaldi, segundo a Secretaria de Turismo. O sabre entra na história por causa da sabragem, técnica de abrir a garrafa de espumante com um golpe preciso de lâmina no gargalo, que virou atração em festas da bebida.
A cidade guarda outro objeto curioso: a chamada supertaça, com 2,19 metros de altura, 33 quilos e capacidade para cerca de 140 litros de espumante, de acordo com a mesma fonte. Na prática, ela comportaria o conteúdo de quase 190 garrafas comuns de 750 ml, um tamanho que só faz sentido em uma cidade que decidiu transformar a bebida em marca registrada.
O que fazer em Garibaldi?
A cidade organiza boa parte do turismo em rotas temáticas, que combinam bebida, arquitetura e vida no campo. O Cisga e a Secretaria de Turismo destacam as principais.
Que história guarda o Museu Municipal de Garibaldi?
Uma história que passou pelas mãos do governo italiano. Segundo a Secretaria de Turismo, o prédio do Museu e Arquivo Histórico é de 1878, foi construído inicialmente em madeira e abrigou a Società Italiana di Mutuo Soccorso Conde D’Eu, associação de ajuda mútua dos imigrantes que depois passou a se chamar Stella D’Itália. Em 10 de agosto de 1963, o governo italiano devolveu o edifício à comunidade para que se tornasse um centro cultural.
O acervo histórico do município foi inaugurado ali em 31 de outubro de 1985, e o tombamento do prédio foi homologado em 2007. O museu fica no coração do centro histórico, perto da Rua Buarque de Macedo, caminho que levava as levas de imigrantes às suas terras e que por muito tempo ligou as colônias do oeste da serra à capital do estado.

Quando o centro histórico vira festa?
Em algumas datas do calendário, as ruas antigas ganham figurino de época. A Secretaria de Turismo destaca o Carnaval Retrô e o Garibaldi Vintage, eventos que transformam as ruas de paralelepípedo e os casarões do fim do século XIX e do início do século XX em cenário de celebração.
O principal evento da cidade é a Fenachamp, a Festa do Espumante Brasileiro, que celebra o produto-símbolo do município no parque que leva o nome da festa. A Prefeitura de Garibaldi apresentou recentemente as candidatas à corte da Fenachamp 2027, sinal de que os preparativos para a próxima edição estão em andamento.
Como é o clima de Garibaldi ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, e o inverno é frio para os padrões brasileiros. Julho tem mínima média de 8°C, enquanto outubro é o mês mais chuvoso, com 218 mm em média.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A cidade que brinda à própria história
Garibaldi fez de uma garrafa o seu retrato. O primeiro espumante do Brasil, elaborado em 1913 por uma família de imigrantes, virou identidade, lei municipal e motivo de festa, ao lado de um sabre e de uma taça gigante. Nas ruas do centro, os casarões e o antigo prédio devolvido pelo governo italiano mostram que a história da bebida é também a história de quem atravessou o oceano para recomeçar na serra.
Você precisa caminhar pela Rua Buarque de Macedo, visitar uma vinícola da Rota dos Espumantes e erguer uma taça no fim da tarde para entender por que Garibaldi se tornou a terra do espumante no Brasil.




