A superfície lunar esconde estruturas que podem mudar os planos de futuras missões tripuladas. Entre elas estão os tubos de lava, cavidades subterrâneas que podem oferecer abrigo contra radiação, micrometeoroides e temperaturas extremas. Para investigar essa possibilidade, a NASA selecionou um equipamento chamado GIMLI, projetado para examinar o subsolo da região de Marius Hills e verificar se uma abertura lunar conduz a um desses túneis.
Por que os tubos de lava da Lua podem se tornar abrigos naturais para astronautas?
Os tubos de lava se formam quando a parte externa de um fluxo vulcânico esfria e endurece, enquanto a lava continua correndo por dentro. Quando o material derretido escoa completamente, pode restar um túnel vazio sob a superfície. Na Lua, essas estruturas despertam interesse porque podem oferecer espaços protegidos das condições severas encontradas no ambiente externo.
A principal vantagem seria reduzir a exposição a perigos que dificultam a permanência humana no satélite. A rocha ao redor de uma cavidade pode funcionar como barreira contra parte da radiação espacial e contra pequenos fragmentos que atingem o solo. O abrigo subterrâneo também pode apresentar condições térmicas mais estáveis do que a superfície lunar, sujeita a grandes variações de temperatura.

O que a NASA pretende investigar na cratera Marius Hills com o equipamento GIMLI?
A região de Marius Hills fica em uma antiga área de atividade vulcânica lunar. Nela existe uma abertura conhecida como Marius Hills Pit, que pode representar o ponto em que o teto de um túnel subterrâneo desabou. A existência dessa entrada torna o local especialmente interessante para investigar cavidades que não podem ser observadas integralmente por imagens feitas da órbita.
Pesquisas publicadas pela NASA sobre a abertura de Marius Hills mostram que o local já é estudado como uma possível entrada para um tubo de lava. Selecionado em setembro de 2026, o GIMLI, sigla de Geophysical Instruments for Marius Lunar pit Investigation, pretende analisar o subsolo para verificar se existe uma cavidade extensa conectada à abertura e ampliar o conhecimento sobre o vulcanismo lunar.
Quais informações os instrumentos do GIMLI podem revelar sobre o interior lunar?
A investigação pretende reunir diferentes tipos de medição para identificar sinais de uma cavidade subterrânea. Em vez de depender apenas de fotografias, os pesquisadores poderão comparar dados físicos que indiquem a presença de um espaço vazio sob a superfície. Essa combinação pode ajudar a determinar a extensão da estrutura e a compreender melhor sua formação geológica.
5 objetivos científicos para investigar possíveis tubos de lava na Lua
A abertura de Marius Hills desperta o interesse de pesquisadores que buscam compreender o que existe abaixo da superfície lunar. A investigação pode revelar pistas sobre cavidades subterrâneas, a atividade vulcânica antiga e estruturas que ajudem a orientar futuras missões de exploração.
Detectar cavidades abaixo da abertura de Marius Hills
Um dos objetivos é identificar sinais de espaços vazios sob o poço lunar. As observações podem ajudar a determinar se a abertura se conecta a uma cavidade subterrânea e quais são as características dessa estrutura.
Investigar a estrutura geológica do poço lunar
O estudo das paredes, da abertura e das formações ao redor pode fornecer informações sobre a origem do poço. Esses dados ajudam os cientistas a reconstruir os processos geológicos que moldaram essa região da Lua.
Buscar sinais de túneis formados por antigos fluxos vulcânicos
Na Lua, antigos fluxos de lava podem ter formado canais subterrâneos quando a parte externa do material vulcânico esfriou e o interior continuou escoando. Os pesquisadores procuram evidências de que estruturas desse tipo possam existir abaixo da abertura.
Avaliar se existe um tubo de lava extenso
As medições podem ajudar a estimar a extensão e a geometria de uma possível cavidade. A presença de sinais compatíveis com um tubo de lava precisa ser analisada em conjunto com outras evidências geológicas para caracterizar a estrutura subterrânea.
Preparar futuras missões robóticas e humanas
Conhecer o terreno e as possíveis cavidades ajuda a avaliar oportunidades e riscos para futuras explorações. Essas informações podem orientar o planejamento de sondas, robôs e missões tripuladas, além de contribuir para investigar se estruturas subterrâneas poderiam oferecer proteção contra parte da radiação e das variações extremas de temperatura na superfície lunar.
Que perigos da superfície lunar poderiam ser reduzidos por um abrigo subterrâneo?
A Lua não possui uma atmosfera densa nem um campo magnético global comparável ao da Terra. Por isso, os astronautas precisam de sistemas específicos para enfrentar a radiação, os impactos de partículas e as variações térmicas. Uma cavidade coberta por rocha poderia diminuir parte desses riscos e oferecer condições mais favoráveis para instalar equipamentos científicos e estruturas habitáveis.
A diferença de temperatura é outro fator importante. Segundo a NASA, áreas expostas podem atingir aproximadamente 127 °C durante o dia lunar e cair para cerca de −173 °C durante a noite. Em cavidades sombreadas, as condições podem ser muito mais estáveis. Isso poderia reduzir a necessidade de controlar artificialmente a temperatura o tempo inteiro, embora qualquer abrigo ainda exigisse engenharia e sistemas de suporte à vida.

De que maneira a confirmação de um tubo de lava poderia mudar as futuras missões à Lua?
Se o GIMLI encontrar evidências consistentes de um túnel extenso, os resultados poderão orientar a escolha de locais para futuras bases lunares. Antes de considerar uma cavidade como habitat, porém, será necessário avaliar sua estabilidade, suas dimensões, os acessos disponíveis e os riscos de desabamento. A existência de um espaço subterrâneo, por si só, não garante condições seguras para ocupação humana.
Os dados também podem ajudar a planejar missões robóticas capazes de explorar regiões que permanecem ocultas aos instrumentos orbitais. Essas investigações contribuiriam para compreender a história vulcânica da Lua e identificar recursos científicos relevantes. O benefício prático está em transformar uma possibilidade geológica em informações que ajudem a tomar decisões concretas sobre a exploração lunar, com mais segurança e melhor planejamento das futuras instalações.




