A sobremesa mais servida nas churrascarias do país não veio da Europa. A torta holandesa nasceu em 1990 num pequeno café do centro de Campinas, a mesma cidade que hoje concentra laboratórios de ponta, universidades de prestígio e um dos maiores PIBs do Brasil. Poucos lugares reúnem tanta invenção num raio de 100 km da capital paulista.
Como uma torta brasileira ganhou nome estrangeiro
A receita foi criada pela empresária Silvia Maria do Espírito Santo, dona do Café Bruges, na Rua Irmã Serafina, no centro. Ela adaptou a ideia de um pavê simples, montou duas camadas de bolacha com creme no meio e cobriu tudo com chocolate.
O nome veio de uma homenagem improvisada, sem qualquer relação com a Holanda. O sucesso foi imediato e, em poucos anos, a sobremesa se espalhou por restaurantes de todo o país. A cidade também é berço do sanduíche “boquinha de anjo”, reconhecido como símbolo gastronômico local.

Como é o cotidiano na Princesa d’Oeste
O apelido vem do século XIX, quando os barões do café fizeram de Campinas a cidade mais rica do interior paulista. A herança dos palacetes convive hoje com centros de pesquisa e um mercado de trabalho aquecido.
O município tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, na faixa “muito alto”, entre os melhores do país. Cerca de um quarto dos empregos formais é ocupado por profissionais com ensino superior. A contrapartida aparece no bolso: a cidade figura entre as mais caras do Brasil, com trânsito pesado nos horários de pico.
Acompanhe a evolução do Vale do Silício brasileiro. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que é referência em urbanismo, e detalha a potência econômica, histórica e tecnológica da metrópole de Campinas:
Onde os moradores escolhem morar
A rotina muda bastante conforme o bairro. Cada região tem um ritmo próprio, do requinte ao clima universitário.
- Cambuí: bairro sofisticado, com boutiques, restaurantes renomados e imóveis valorizados.
- Barão Geraldo: distrito universitário ao lado da Unicamp, de vida noturna agitada e público jovem.
- Taquaral: região arborizada e residencial, colada à lagoa mais frequentada da cidade.
O que fazer no tempo livre por aqui?
A cidade oferece parques centenários, museus e uma agenda cultural cheia. A maioria dos espaços fica a poucos minutos do centro.
- Bosque dos Jequitibás: reserva de mata nativa em pleno centro, com museu de história natural, aquário municipal e cerca de um milhão de visitantes por ano, segundo a Prefeitura de Campinas.
- Parque Portugal: conhecido como Lagoa do Taquaral, reúne pista de corrida, bondinhos e um percurso de 3 km de área verde.
- Concha Acústica: oficialmente Auditório Beethoven, inspirada na concha do Damrosch Park, em Nova York, com capacidade para 2 mil pessoas.
- Catedral Metropolitana: concluída em 1883, depois de 76 anos de obra, mistura fachada neoclássica e interior barroco.
- Teatro Municipal José de Castro Mendes: um dos maiores da América Latina, com programação nacional e internacional.
A capital paulista da pizza fora da capital
Campinas fabrica mais de 17 mil pizzas por dia, segundo levantamento da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). O número equivale a doze pizzas por minuto e coloca o município no terceiro lugar do estado, atrás apenas de São Paulo e Guarulhos.
A cena vai além do volume. A cidade abriga casas premiadas internacionalmente e pizzarias que trabalham com fermentação longa, farinha italiana e forno a lenha. Os endereços mais concorridos se concentram no Cambuí, onde a rotina do campineiro costuma incluir jantar tarde e conversa longa na calçada.

Como é o clima ao longo do ano?
A altitude média de 685 metros suaviza o calor e garante estações bem definidas. Os invernos são secos e as noites, frescas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do interior paulista?
Campinas fica a 96 km da capital paulista, cerca de uma hora e meia pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes. A cidade também abriga o Aeroporto Internacional de Viracopos, com voos nacionais e internacionais, e está a 172 km do Porto de Santos.
Vá provar a cidade que inventou uma sobremesa
Campinas equilibra a densidade de uma metrópole com a escala de uma cidade em que ainda se janta na calçada. A tecnologia de ponta divide espaço com bosques centenários e uma tradição de mesa que atravessou o país.
Você precisa conhecer a Princesa d’Oeste e pedir uma fatia de torta holandesa exatamente onde ela foi inventada.




