No subsolo de Araxá, a 360 km de Belo Horizonte, descansa a maior reserva de nióbio em operação do mundo: 527 milhões de toneladas de minério, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Na superfície, a mesma terra que alimenta turbinas de avião e baterias de carros elétricos oferece banhos de lama, queijo artesanal premiado e um hotel-castelo inaugurado em 1944.
O metal que saiu do Cerrado para os foguetes
Em março de 1953, o geocientista Djalma Guimarães identificou nióbio no distrito do Barreiro, ao sul do centro urbano. Dois anos depois, nascia a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que hoje opera a mina e responde por cerca de 80% das exportações brasileiras do metal. O Brasil detém aproximadamente 95% das reservas conhecidas no planeta, e Minas Gerais concentra 75% delas.
Em 2024, a CBMM inaugurou em Araxá a maior planta de produção de ânodo de nióbio do mundo. No mesmo ano, a cidade viu rodar o primeiro ônibus elétrico movido a bateria de íons de lítio com nióbio, resultado de parceria entre Toshiba e Volkswagen. As exportações mineiras do metal somaram US$ 2,1 bilhões no ano, segundo a Agência Minas.

O que visitar na terra das águas termais?
A mesma geologia que gerou o nióbio produziu águas sulfurosas e radioativas que brotam no Complexo do Barreiro. O turismo termal sustenta Araxá desde o século XIX, quando os banhos ganharam fama por suas propriedades terapêuticas.
- Grande Hotel Termas de Araxá: inaugurado em 1944, o hotel-castelo neoclássico ocupa 400 mil m² de área verde com jardins assinados por Roberto Burle Marx. Tombado como Patrimônio Histórico de Minas pelo IEPHA-MG desde 1989, oferece banhos de lama, piscina emanatória e tours guiados pelos salões originais dos anos 1940.
- Fonte Dona Beja: gruta artificial com água radioativa de origem vulcânica. Reza a lenda que a beleza de Anna Jacintha de São José, a Dona Beja, personagem histórica do Brasil Império, vinha dos banhos constantes nessas águas.
- Parque do Cristo: mirante a 360° no alto do bairro Santa Rita, com pista de cooper, academia ao ar livre e loja de artesanato. Aberto diariamente.
- Horizonte Perdido: no topo da Serra da Bocaina, a 1.350 m de altitude, uma das melhores rampas de voo livre do país. O pôr do sol ali justifica os 25 km de estrada desde o centro.
- Museu Histórico Dona Beja: acervo dedicado à trajetória da personagem mais famosa de Araxá e à história da cidade.
Esta importante cidade no Triângulo Mineiro é mundialmente reconhecida por suas águas medicinais e relevância na mineração. O vídeo é do canal Cidades & Cia, focado em panoramas urbanos, e apresenta detalhes sobre economia, infraestrutura e o complexo termal de Araxá: focado em panoramas urbanos.
Queijo premiado e comida de fogão mineiro
Araxá é um dos berços do queijo minas artesanal, produto com indicação geográfica reconhecida. O Sítio Real produz um dos queijos mais premiados do país e recebe visitantes para acompanhar o processo de fabricação. Na cidade, padarias e lanchonetes servem pão de queijo fresco, doce de leite em tacho de cobre e quitandas típicas.
No Grande Hotel, o restaurante Chez Beja serve pratos com ingredientes de produtores locais, harmonizados com vinhos da carta da casa. A Estância Barreiro aposta na culinária mineira com apresentação contemporânea: leitão à pururuca, tutu de feijão e doces de compota.
Leia também: Rochas de 1 bilhão de anos e mais de 300 cachoeiras, fazem parte da chapada que a UNESCO reconheceu no coração do Cerrado.

Quando o clima favorece cada passeio em Araxá?
O clima tropical de altitude divide o ano em duas estações claras. A seca vai de abril a setembro, com manhãs frias e tardes amenas. A chuvosa, de outubro a março, traz calor e pancadas rápidas à tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital do nióbio?
Araxá fica a 360 km de Belo Horizonte pela BR-262, cerca de 4h de carro. O Aeroporto de Araxá recebe voos diários de Belo Horizonte e dois voos semanais de São Paulo. Quem vem de Uberlândia percorre 190 km pela BR-146.
A cidade onde o subsolo vale bilhões e a superfície convida a ficar
Araxá é rara por reunir, no mesmo território, um mineral que move a indústria aeroespacial mundial e águas termais que atraem visitantes desde o Império. O nióbio financia ruas pavimentadas e saneamento acima da média; as termas garantem que o visitante saia mais leve do que chegou.
Você precisa ir a Araxá para mergulhar nas águas que Dona Beja tornou lenda e pisar na terra que abastece foguetes do outro lado do planeta.










