O Nokia 1100, lançado em 2003, voltou aos holofotes em 2026 como item de coleção e símbolo da procura por celulares simples. Enquanto o antigo aparelho ganha uma segunda vida no mercado de usados, a BlackBerry seguiu na direção oposta e deixou os smartphones para concentrar seus negócios em software automotivo e comunicações seguras.
Nokia 1100 virou peça de coleção mais de 20 anos depois
O interesse atual pelo Nokia 1100 mistura nostalgia tecnológica, colecionismo e a busca por aparelhos com poucas distrações. Unidades usadas ou recondicionadas aparecem em plataformas como eBay, Mercado Livre e Facebook Marketplace, com preços que variam bastante conforme conservação, funcionamento, cor e presença de acessórios originais.
Levantamentos publicados em setembro de 2026 encontraram aparelhos anunciados no eBay por valores a partir de aproximadamente US$ 27,49, enquanto exemplares mais preservados chegavam à faixa de US$ 93. Como são ofertas de terceiros e de produtos antigos, esses valores não representam um preço oficial e podem mudar rapidamente.
O recorde de vendas ajuda a explicar a nostalgia
O Nokia 1100 não é apenas mais um telefone antigo. O Guinness World Records registra que o modelo ultrapassou 250 milhões de unidades vendidas, resultado que o colocou entre os maiores fenômenos comerciais da história da telefonia móvel. O aparelho conquistou espaço principalmente por combinar preço relativamente acessível, resistência e recursos simples em uma época de rápida expansão das redes celulares.

Por que um celular tão básico voltou a chamar atenção
O retorno do Nokia 1100 às conversas também acompanha o interesse pelos chamados dumb phones, celulares que priorizam chamadas e mensagens e deixam de lado grande parte dos aplicativos presentes nos smartphones atuais. Para alguns consumidores, aparelhos desse tipo representam uma maneira de reduzir notificações e o tempo conectado às redes sociais.
Mas comprar um Nokia 1100 original hoje não significa necessariamente poder utilizá-lo como telefone principal. O modelo foi desenvolvido para redes móveis antigas, e sua compatibilidade depende da infraestrutura ainda disponível em cada país e operadora. Para colecionadores, portanto, características como estado da carcaça, bateria, teclado, caixa e acessórios podem ser mais relevantes do que sua utilização cotidiana.
Essa diferença é importante porque a nova procura não representa uma retomada da fabricação do Nokia 1100. O aparelho original continua sendo um produto fora de produção negociado principalmente no mercado secundário, onde raridade e conservação ajudam a determinar o valor.
BlackBerry escolheu abandonar a disputa por smartphones
Enquanto aparelhos antigos da Nokia encontram espaço entre colecionadores, a BlackBerry transformou profundamente seu próprio negócio. A companhia informa que concluiu em 2016 sua transição para uma empresa voltada a software, deixando de depender do mercado de smartphones que havia ajudado a popularizar.
Outro marco ocorreu em 4 de janeiro de 2022. Segundo a própria BlackBerry, serviços legados relacionados ao BlackBerry 7.1 OS, BlackBerry 10 e versões antigas do PlayBook OS foram encerrados. A empresa alertou que dispositivos dependentes dessa infraestrutura deixariam de funcionar de forma confiável para recursos como dados, chamadas e SMS.

QNX colocou a antiga fabricante de celulares dentro dos carros
Em 2026, a operação da BlackBerry está concentrada principalmente em QNX e Secure Communications. O QNX fornece sistemas embarcados usados por fabricantes de automóveis e empresas que desenvolvem equipamentos nos quais estabilidade, segurança e resposta em tempo real têm papel crítico.
De acordo com a página institucional da BlackBerry, tecnologias QNX estão presentes em mais de 275 milhões de veículos em circulação. Isso coloca a marca em um mercado pouco visível para o consumidor, mas diretamente ligado ao avanço dos carros definidos por software.
A mudança também amplia o alcance além do setor automotivo. A tecnologia QNX pode ser aplicada em áreas como sistemas industriais, equipamentos médicos, robótica e outros ambientes que exigem software embarcado confiável, mostrando como a empresa substituiu o telefone físico por uma posição dentro da infraestrutura tecnológica.
Segurança virou o outro pilar da nova BlackBerry
A segunda frente está nas comunicações seguras para governos, empresas e organizações que operam infraestrutura crítica. O portfólio inclui recursos de comunicação criptografada, gerenciamento de dispositivos e coordenação durante situações de crise, mantendo uma característica historicamente associada à marca: a preocupação com segurança.
Na prática, Nokia 1100 e BlackBerry representam dois destinos diferentes para ícones da telefonia dos anos 2000. Um reaparece como objeto nostálgico nas mãos de colecionadores, enquanto a outra aproveitou sua experiência em segurança e sistemas móveis para construir negócios que já não dependem da venda de celulares.
Quem pretende comprar um Nokia 1100 precisa observar mais que o preço
Antes de adquirir um aparelho antigo, o comprador deve verificar estado da bateria, funcionamento do teclado e da tela, presença do carregador correto e compatibilidade com as redes disponíveis em sua região. Também é prudente conferir a reputação do vendedor e lembrar que anúncios de unidades raras ou aparentemente novas não significam que exista garantia oficial do fabricante.
Para a BlackBerry, o movimento é outro: acompanhar a marca hoje significa olhar menos para novos telefones e mais para software automotivo e comunicações críticas. A área de relações com investidores da companhia mantém resultados e documentos atualizados em seu site oficial, permitindo acompanhar como essa transformação continua afetando o negócio.




