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Novo estudo astronômico aponta que explosão rara de raios X catalogada por pesquisadores pode ser causada pela destruição de uma anã branca

Por Maria Beatriz Silva
12/08/2026
Em Curiosidades
Novo estudo astronômico aponta que explosão rara de raios X catalogada por pesquisadores pode ser causada pela destruição de uma anã branca

Novo estudo astronômico aponta que explosão rara de raios X catalogada por pesquisadores pode ser causada pela destruição de uma anã branca

Uma explosão de raios X detectada pelo telescópio espacial Einstein Probe pode ter registrado um dos encontros mais extremos já observados no Universo. O evento, chamado EP250702a, apresentou brilho excepcional e mudanças muito rápidas, características que levaram pesquisadores a propor uma explicação incomum: um buraco negro de massa intermediária teria despedaçado uma anã branca durante uma interação gravitacional extrema.

Por que uma anã branca poderia ser despedaçada por um buraco negro?

Anãs brancas são remanescentes estelares extremamente compactos, muito mais densos que estrelas comuns. Essa característica torna sua destruição especialmente difícil. Para rompê-la pelas forças de maré, o objeto responsável precisa combinar grande massa com uma distância adequada, criando um cenário raro no qual a gravidade vence a resistência da estrela.

Nesse possível encontro, o buraco negro não precisaria engolir a anã branca de uma só vez. As forças de maré poderiam esticar e fragmentar o material, formando detritos que seriam atraídos para o objeto compacto. O material aquecido produziria intensa radiação, especialmente em raios X, permitindo que o acontecimento fosse identificado a enormes distâncias.

eventos cósmicos
A Sonda Einstein é uma entidade de autoridade diretamente ligada à detecção de manifestações

Que sinais levaram os cientistas a relacionar o evento a esse cenário?

O fenômeno EP250702a chamou atenção por apresentar uma evolução muito mais rápida que a observada em eventos tradicionais de destruição estelar. O brilho em raios X caiu drasticamente em poucos dias, enquanto a emissão mostrou características energéticas incomuns. Essa combinação tornou difícil encaixar o evento em categorias conhecidas de explosões cósmicas.

Estudos publicados no trabalho científico sobre EP250702a apontam que a emissão extremamente intensa, as variações rápidas e a presença de um componente mais suave posteriormente são compatíveis com a hipótese de uma anã branca sendo destruída por um buraco negro de massa intermediária. Os autores classificam a interpretação como provável, não definitiva.

Por que um buraco negro de massa intermediária seria tão importante nesse caso?

Buracos negros de massa intermediária ocupam uma faixa especialmente interessante entre os buracos negros formados pelo colapso de estrelas e os gigantes supermassivos encontrados nos centros galácticos. Eles são previstos pelos modelos de evolução cósmica, mas permanecem difíceis de identificar. Um evento desse tipo poderia oferecer uma maneira indireta de localizar um desses objetos.

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A hipótese ganha força porque uma anã branca é extremamente compacta. Um buraco negro pequeno demais não conseguiria produzir o cenário observado da mesma maneira, enquanto um buraco negro muito massivo poderia engolir a estrela antes que sua destruição fosse observada externamente. A faixa intermediária oferece condições particularmente adequadas para produzir uma ruptura detectável.

Veja a seguir um vídeo do YouTube de Em Poucas Palavras – Kurzgesagt sobre a comparação de tamanhos dos buracos negros no universo:

Quais pistas tornam esse possível encontro tão diferente de outros eventos cósmicos?

A observação chamou atenção principalmente pela velocidade com que a fonte mudou de aparência e intensidade. O telescópio Einstein Probe detectou o fenômeno em 2 de julho de 2025, durante uma varredura do céu. Observações posteriores em diferentes comprimentos de onda ajudaram a revelar uma sequência de emissões que não corresponde facilmente aos eventos transitórios mais conhecidos.

Entre as características que sustentam essa interpretação estão:

01
Emissão extremamente intensa em raios X.
02
Variações rápidas na luminosidade.
03
Flares recorrentes em altas energias.
04
Emissão que alcançou a faixa de raios gama.
05
Queda de brilho superior a cinco ordens de grandeza em cerca de 20 dias.
06
Surgimento posterior de uma componente térmica compatível com um disco de acreção.

O que essa possível descoberta pode mudar na busca por buracos negros escondidos?

Se a interpretação for confirmada, o evento poderá abrir uma nova estratégia para encontrar buracos negros de massa intermediária. Em vez de procurar diretamente um objeto que praticamente não emite luz, astrônomos poderiam procurar os clarões produzidos quando uma estrela compacta se aproxima demais. A destruição deixaria uma assinatura energética capaz de denunciar a presença do buraco negro.

Esse método também teria valor para estudar a própria anã branca e os processos físicos próximos ao buraco negro. A radiação liberada pelos detritos pode revelar informações sobre a matéria sob gravidade extrema. Na prática, observar eventos como EP250702a ajuda a transformar fenômenos raríssimos em ferramentas para investigar objetos que permanecem entre os grandes mistérios da astronomia.

Tags: destruição estelarDisco de acreçãoexplosão de raios X.forças de maréraios gama
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