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Início Cidades

O 6º museu mais visitado do país, 500 mil pessoas numa festa alemã e o maior hotel-cassino já erguido no Brasil

Por Maura Pereira
02/09/2026
Em Cidades, Turismo
Uma "Cidade Imperial" a 68 km do Rio chama atenção com charme herdado da Europa e paisagens que tiram o fôlego

Suba a serra e permita-se viver dias de realeza neste cenário que conquistou imperadores e continua encantando viajantes de todo o mundo. / Imagem Ilustrativa

A pouco mais de uma hora do Rio de Janeiro, aos pés da Serra dos Órgãos, Petrópolis não é apenas a cidade que abrigou a corte brasileira. É onde nasceu a primeira cervejaria do Brasil em 1853, onde Joaquim Rolla construiu o maior hotel-cassino já erguido nas Américas, e onde meio milhão de pessoas se reúnem todos os anos numa festa alemã de 17 dias. Uma cidade fundada por decreto imperial em 1843 que preserva o ar de corte europeia e ainda coleciona recordes turísticos.

A Fazenda do Córrego Seco e o traçado alemão de 1843

A história começa antes da fundação oficial. Em 1830, ainda no trono, Dom Pedro I comprou a Fazenda do Córrego Seco na serra fluminense, com a ideia de construir um refúgio de altitude para escapar do calor da capital. O projeto não saiu do papel. Seu filho, Dom Pedro II, herdou as terras e, em 16 de março de 1843, assinou o Decreto Imperial nº 155 criando oficialmente a povoação de Petrópolis.

O traçado urbano foi encomendado ao engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler, que desenhou a cidade com ruas arborizadas, canais a céu aberto e lotes destinados a colonos germânicos. Esse projeto explica por que o centro histórico ainda parece uma vila europeia: casarões simétricos, canais visíveis nas principais avenidas e um urbanismo pensado décadas antes do que se via em outras cidades brasileiras. A colonização alemã moldaria, séculos depois, a agenda cultural e cervejeira de Petrópolis.

A cidade que Dom Pedro II construiu para fugir do calor abriga a coroa imperial com 639 diamantes a 68 km do Rio
Petrópolis, RJ, é conhecida pela arquitetura histórica, clima ameno e natureza exuberante. // Créditos: depositphotos.com / diegograndi

Museu Imperial: 300 mil peças e pantufas obrigatórias

O Museu Imperial é o principal endereço turístico da cidade e o sexto museu mais visitado do Brasil. Instalado no antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, guarda o principal acervo do país sobre o Segundo Reinado: cerca de 300 mil itens museológicos, arquivísticos e bibliográficos, entre eles a coroa de Dom Pedro I, a coroa de Dom Pedro II, o quadro Fala do Trono e a caneta usada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea em 1888.

A visita segue um roteiro sequencial pelos salões decorados com móveis, quadros e objetos da era imperial. Para preservar o piso original de madeira, todos os visitantes calçam pantufas de feltro na entrada, ritual que virou marca registrada do museu. Fotografias são proibidas dentro do palácio. A cerimônia do Som e Luz, apresentada nos fins de semana, reconta a chegada da família real ao Brasil e a vida em Petrópolis. Segundo o portal Curta RJ, o museu recebe pesquisadores do país inteiro para consulta ao acervo documental.

Palácio Quitandinha: o maior hotel-cassino já erguido nas Américas

Entrando na cidade, antes mesmo do centro histórico, o gigante Palácio Quitandinha impressiona pela dimensão. Foi construído entre 1939 e 1944 pelo empresário mineiro Joaquim Rolla para ser o maior hotel-cassino da América Latina, com 440 quartos, cinco andares, salão de jantar para 1.200 pessoas e uma agenda que reunia estrelas de Hollywood, ministros e diplomatas. Bing Crosby, Orson Welles, Carmen Miranda e a nobreza europeia passaram por seus salões.

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A curiosidade está do lado de fora. O lago em frente ao palácio foi construído no formato do mapa do Brasil, e a areia usada para o preenchimento veio direto da praia de Copacabana. Com a proibição do jogo em 1946, o Quitandinha perdeu a função original e passou por diferentes usos. Hoje funciona como espaço cultural administrado pelo Serviço Social do Comércio (SESC), com visitas guiadas, programação artística e passeios de pedalinho no lago. É o segundo endereço obrigatório de qualquer visitante.

A cidade brasileira excelente para viver que lembra a Europa e guarda um legado da família real
Um refúgio imperial com palácios, jardins e clima perfeito para relaxar. // Créditos: depositphotos.com / diegograndi

Onde nasceu a cerveja industrial no Brasil

Foi em Petrópolis que a cerveja industrial brasileira começou. A Cervejaria Bohemia, fundada em 1853 pelo alemão Henrique Kremer, é a mais antiga do Brasil em atividade. A fábrica original, no centro histórico, foi transformada em um centro de experiência cervejeira com mais de 20 ambientes que contam a história da bebida desde os sumérios até os dias atuais. Segundo a Prefeitura, o tour interativo tem preço acessível e inclui degustação ao final.

A herança germânica se expandiu. Petrópolis se firmou como um dos principais destinos cervejeiros do país, com marcas como Odin, Duas Torres e Bohemia compondo a chamada Vila Cervejeira, projeto que reúne produção artesanal, lúpulo cultivado na região e experiências para turistas. É um circuito completo, com brewpubs, festivais temáticos e visitas técnicas que aproximam o visitante do processo de fabricação.

Bauernfest: 500 mil pessoas numa festa alemã de 17 dias

Em homenagem aos colonos germânicos que fundaram a cidade em 1845, Petrópolis realiza anualmente a Bauernfest, a Festa do Colono Alemão. Segundo a Secretaria de Turismo de Petrópolis, o evento reúne cerca de 500 mil visitantes ao longo de 17 dias, com apresentações folclóricas, danças típicas, competições esportivas alemãs e gastronomia germânica. A programação acontece no Palácio de Cristal e em outros pontos da cidade.

O Palácio de Cristal, por sinal, tem uma história em si mesmo. Foi um presente francês para a Princesa Isabel, construído em ferro fundido e vidro, inspirado no famoso Palácio de Cristal de Londres. Serviu como pavilhão de exposições da era imperial e hoje é palco de feiras, casamentos e eventos culturais. Fica no centro histórico, cercado por jardins bem cuidados.

O que fazer além dos palácios?

O roteiro imperial cabe em dois dias, mas Petrópolis oferece muito mais que museus. Do orquidário mais antigo do Brasil às trilhas na serra, o entorno reúne atrações para diferentes perfis.

  • Casa de Santos Dumont (A Encantada): residência de verão do Pai da Aviação, transformada em museu que preserva as manias do inventor, como as escadas que só podem ser subidas com o pé direito.
  • Catedral de São Pedro de Alcântara: templo neogótico onde repousam os restos mortais de Dom Pedro II, da Imperatriz Teresa Cristina, da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, numa capela imperial preservada.
  • Orquidário Binot: fundado em 1845, é o mais antigo do Brasil. O fundador cuidava dos jardins do antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, na fazenda que hoje abriga o Museu Imperial.
  • Casa da Ipiranga (Museu Casa da Princesa Isabel): residência oficial da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, onde Dom Pedro II soube da Proclamação da República em 1889.
  • Parque Nacional da Serra dos Órgãos: trilhas na Mata Atlântica, formações rochosas espetaculares e o famoso Dedo de Deus como cartão-postal.
  • Museu de Cera: exposição com figuras em tamanho real de personagens brasileiros e internacionais, com foco na história imperial.
Petrópolis // Créditos: depositphotos.com / Klodien

Onde comer bem na cidade imperial?

A cena gastronômica combina heranças alemãs, italianas e da cozinha de altitude. Restaurantes históricos convivem com endereços contemporâneos no centro e em bairros como Itaipava.

  • Truta na brasa: prato típico das cidades serranas fluminenses, servido em restaurantes rústicos ao longo da estrada para Itaipava.
  • Eisbein e salsichas alemãs: herança germânica com joelho de porco, chucrute, purê de maçã e uma variedade de embutidos tradicionais.
  • Fondue no inverno: tradição das serras cariocas, com queijo, carne e chocolate, disponível de maio a setembro em restaurantes especializados.
  • Doces e cervejas artesanais: cafés coloniais e brewpubs completam o mapa de sabores, com destaque para o circuito cervejeiro da Vila Cervejeira.

Como é o clima ao longo do ano

Petrópolis fica a 800 metros de altitude, com clima subtropical de altitude. Verões amenos e chuvosos convivem com invernos secos e frios, com noites próximas de zero em julho.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 18-28°C
Chuva: Alta
Museus e Palácio Quitandinha pela manhã.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 14-25°C
Chuva: Média
Cervejaria Bohemia e circuito cervejeiro.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 10-22°C
Chuva: Baixa
Bauernfest e restaurantes de fondue.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 13-24°C
Chuva: Média
Serra dos Órgãos e Orquidário Binot.
💡 Dica do especialista: O inverno (10°C a 22°C) apresenta baixa incidência de chuvas, sendo ideal para curtir a tradicional Bauernfest e os aconchegantes restaurantes de fondue. No verão, aproveite os museus pela manhã; o outono é perfeito para o circuito cervejeiro; e a primavera convida a explorar a Serra dos Órgãos!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Petrópolis

A cidade fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, cerca de uma hora e meia de carro. Ônibus regulares partem da Rodoviária Novo Rio e da Rodoviária de Niterói várias vezes ao dia. O Aeroporto Internacional Tom Jobim, na capital fluminense, é a porta de entrada para quem chega de outros estados. Petrópolis integra a Rota Imperial, roteiro turístico que passa por outras cidades históricas da região serrana como Teresópolis e Nova Friburgo.

Leia também: Com 64% de área rural, Reserva da Biosfera da UNESCO e 2ª melhor qualidade de vida do Brasil: a cidade a 50 km de São Paulo que virou o refúgio da capital.

Suba a serra e deixe-se surpreender pela corte no meio da mata

Petrópolis é uma dessas cidades que resistem ao tempo sem esforço. A memória imperial se soma a uma cena cervejeira em plena expansão, a uma festa alemã com meio milhão de visitantes e ao mais antigo orquidário do país, tudo num raio de menos de dez quilômetros. Nenhuma outra cidade brasileira reúne esse conjunto de heranças em tão pouco espaço.

Você precisa conhecer Petrópolis num fim de tarde de outono, atravessar os canais da Rua da Imperatriz e sentar num brewpub para provar a cerveja que virou tradição desde 1853.

Tags: PetrópolisRio de Janeiro
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