A relação entre alimentação e sonhos sempre despertou curiosidade e, nos últimos anos, começou a entrar no radar da ciência do sono. Em vez de tratar os pesadelos apenas como fenômenos psicológicos, pesquisadores têm observado como o que é consumido ao longo do dia – e principalmente à noite – pode influenciar tanto a qualidade do sono quanto o conteúdo dos sonhos, como trouxe a pesquisa “More dreams of the rarebit fiend: food sensitivity and dietary correlates of sleep and dreaming”.
O que os estudos mostram sobre alimentos que causam pesadelos
Ao analisar grupos grandes de estudantes e adultos jovens, pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa das pessoas associa refeições específicas a noites com sono agitado. Esses dados não indicam um culpado único, mas sugerem que a combinação entre sensibilidade alimentar, desconforto físico e horário da última refeição pode favorecer sonhos mais vívidos, estranhos ou negativos.
Os levantamentos em universidades e clínicas do sono indicam que muitas pessoas percebem essa interferência de forma prática no dia a dia. Abaixo estão alguns achados recorrentes relatados pelos participantes, que ajudam a entender melhor essa relação entre dieta e sonhos:
- uma parte dos participantes acredita que a alimentação interfere diretamente no sono;
- uma parcela menor relaciona comidas específicas ao conteúdo dos sonhos;
- doces, laticínios e pratos apimentados são os mais apontados em relatos de sonhos perturbadores.
Quais são os principais tipos de alimentos associados a pesadelos
Quando se fala em alimentos que causam pesadelos, a maior parte das pesquisas destaca três grupos com maior frequência nos relatos: laticínios, sobremesas açucaradas e pratos apimentados. Entre os laticínios, o queijo costuma ser citado com destaque, principalmente por pessoas com algum grau de intolerância à lactose ou sensibilidade a derivados do leite.
Já os doces aparecem associados a sonhos confusos ou fragmentados, enquanto alimentos muito picantes costumam ser relacionados a noites de sono mais interrompidas. Esses números não provam causalidade, mas revelam um padrão de percepção coletiva que passa a ser investigado com rigor, incluindo o possível papel de cafeína, energéticos e de refeições noturnas muito calóricas.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Daniel Tales, em que ele explica os alimentos que você deveria evitar a noite:
@drdanieltales 🚫 Os 3 PIORES Alimentos para Comer à Noite! 🚫 Descubra os alimentos que você deve evitar a todo custo antes de dormir para garantir uma noite de sono tranquila e proteger sua saúde! 1️⃣ Leite Industrializado: O leite, especialmente o industrializado, é de difícil digestão para humanos. Consumir leite à noite pode causar gases e inflamar seu intestino, resultando em uma noite de sono agitada. Além disso, pode levar a problemas como diabetes, pressão alta, infarto e até Alzheimer. 🥛 2️⃣ Pão: Todos os tipos de pão, inclusive os integrais, podem ser prejudiciais. Eles aumentam os níveis de açúcar no sangue, causando picos de insulina, glicose e cortisol. Esses picos hormonais mantêm seu corpo em estado de estresse, dificultando o emagrecimento, aumentando a gordura abdominal e deixando você irritado no dia seguinte. 🍞 3️⃣ Carne Vermelha: A carne vermelha é de difícil digestão, fazendo com que você acorde fatigado e cansado. Isso drena sua energia e impede que você tenha uma noite de sono reparadora. 🥩 Consumir esses alimentos à noite não apenas prejudica o seu sono, mas também aumenta as chances de desenvolver doenças crônicas. A má digestão e a inflamação são inimigas do sono de qualidade e da saúde em geral. 💥DICA: Para uma noite de sono tranquila e um corpo saudável, escolha alimentos leves e de fácil digestão no jantar. 🌿🍎 🔔 Quer saber mais sobre como melhorar sua saúde e ter uma vida mais equilibrada? Siga @drdanieltales e transforme seus hábitos alimentares! 💪🌿 #DicasDeSaúde #AlimentaçãoSaudável #SonoDeQualidade #SaúdeIntegral #DrDanielTales #VidaSaudável #Nutrição #BemEstar #QualidadeDeVida #Medicina #Saude ♬ som original – DR DANIEL TALES
Por que certos alimentos podem piorar os pesadelos
O principal mecanismo discutido pela literatura científica é o impacto de alguns alimentos sobre o sistema gastrointestinal e, consequentemente, sobre o sono. Em pessoas com intolerância à lactose ou outras sensibilidades alimentares, laticínios e determinados ingredientes podem provocar gases, cólicas, azia ou sensação de estufamento, o que tende a fragmentar o sono REM, fase em que os sonhos são mais intensos.
Pesquisadores observaram que a relação entre intolerância alimentar e pesadelos se torna menos evidente quando o desconforto digestivo é controlado nas análises. Isso sugere que o problema não é o alimento isoladamente, mas a resposta do organismo, envolvendo sensibilidade individual, intensidade dos sintomas gastrointestinais e grau de interrupção do sono gerado por esse desconforto.
Quais fatores aumentam a chance de pesadelos ao comer tarde
Um ponto recorrente nas pesquisas é o horário da última refeição, pois lanches volumosos ou jantares pesados tarde da noite se associam a sono agitado e sonhos com carga emocional negativa. Não é raro que o hábito de beliscar alimentos ricos em açúcar ou gordura pouco antes de deitar esteja ligado a relatos de pesadelos, sensação de sufocamento nos sonhos ou perseguições e cenários ameaçadores.
De modo geral, os estudos apontam alguns comportamentos vinculados a maior probabilidade de sonhos ruins, especialmente em pessoas com rotina irregular de sono e alimentação:
- comer por impulso ou por emoção, e não por fome real;
- realizar a maior refeição do dia no fim da noite;
- ingerir grandes quantidades de doces, frituras ou fast food antes de dormir;
- ignorar sinais de saciedade e ir para a cama ainda em processo intenso de digestão.

Como a alimentação influencia o cérebro e os sonhos
O debate sobre alimentos que causam pesadelos se conecta ao conceito de eixo intestino-cérebro, que descreve a comunicação constante entre sistema digestivo e sistema nervoso central. Alterações na flora intestinal, inflamações de baixo grau e mudanças em neurotransmissores como a serotonina podem afetar tanto o humor quanto a arquitetura do sono, influenciando a frequência e a intensidade dos sonhos desagradáveis.
Diversos trabalhos associam dietas ricas em ultraprocessados, gorduras de baixa qualidade e excesso de açúcar à piora do sono e a mais sonhos negativos. Por outro lado, padrões alimentares anti-inflamatórios, como a dieta mediterrânea, e ajustes simples – espaçar a última refeição, reduzir alimentos que causam desconforto digestivo e priorizar opções leves à noite – podem favorecer noites mais tranquilas e sonhos menos perturbadores, complementando intervenções médicas e psicológicas quando necessário.







