O som dos metais desce pelas janelas coloniais e ecoa na rua de pedra enquanto o maestro rege a orquestra de baixo, cercado pelo público. Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, é a cidade mineira apelidada de “Diamante do Sertão” que transformou sacadas do século XVIII em palco e fez da música ao ar livre um patrimônio cultural do estado.
O ciclo dos diamantes que moldou a serra
A história de Diamantina começou com o ouro, em 1713, no vale do córrego do Tijuco. Quando os diamantes surgiram nas bateias, a Coroa Portuguesa impôs um dos controles mais rígidos do Brasil colonial: a Demarcação Diamantina, território cercado e vigiado onde só entrava quem tinha autorização real. Essa vigilância moldou o traçado urbano estreito e a arquitetura homogênea que sobrevive até hoje.
O IPHAN tombou o centro histórico em 1938. Seis décadas depois, em 1999, a UNESCO reconheceu o conjunto como Patrimônio Cultural da Humanidade, destacando a integração entre as construções coloniais e a paisagem rochosa da Serra do Espinhaço. Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII, e a cidade preserva mais de 90% de suas edificações originais.

O que visitar no Diamante do Sertão?
Entre igrejas barrocas e cachoeiras de água gelada, a cidade atende quem busca cultura e quem prefere trilha. Alguns dos pontos mais marcantes ficam a poucos passos uns dos outros no centro histórico.
Explore a história e o charme de Diamantina, no coração de Minas Gerais. O vídeo é do canal Esse Mundo É Nosso, com mais de 340 mil inscritos, e detalha roteiros pelo centro histórico, a Casa de Chica da Silva e o Parque Estadual do Biribiri.
A Vesperata e a tradição musical da cidade serrana
A Vesperata é um concerto noturno a céu aberto que acontece de abril a outubro na Rua da Quitanda. Músicos da Banda do 3° Batalhão da Polícia Militar e da Banda Mirim se posicionam nas sacadas dos casarões, enquanto dois maestros regem do centro da rua, cercados pela plateia. A tradição nasceu no século XVIII, quando instrumentistas tocavam das janelas durante as vésperas da liturgia católica.
Em 2016, a Vesperata recebeu o título de Patrimônio Cultural de Minas Gerais. O espetáculo gratuito dura cerca de duas horas e meia, com repertório que vai do erudito ao popular. As serestas pelas ruas de pedra completam a cena musical da cidade, mantendo viva uma tradição que remonta ao período colonial.

Quais pratos provar na terra de JK?
A cozinha de Diamantina carrega a herança do norte mineiro, com ingredientes do cerrado e receitas que os tropeiros levavam pela Estrada Real. Restaurantes funcionam dentro de casarões históricos, o que transforma o jantar em parte do passeio.
- Frango com ora-pro-nóbis: a planta trepadeira que cresce nos muros das casas coloniais virou marca da culinária local.
- Feijão tropeiro: feijão com farinha de mandioca, couve, linguiça e ovos, herança dos tropeiros que abasteciam o distrito.
- Doces de compota: goiabada, doce de leite e compotas de frutas do cerrado, vendidos no Mercado Velho e nas feiras de rua.

Quando visitar a cidade patrimônio da humanidade?
Diamantina fica a cerca de 1.200 m de altitude, o que garante temperaturas mais amenas que as cidades vizinhas do vale. O período seco coincide com a temporada da Vesperata, tornando os meses de abril a outubro a melhor janela para visitar.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à joia da Serra do Espinhaço?
Diamantina fica a 290 km de Belo Horizonte pelas rodovias BR-040 e BR-367, cerca de 4h30 de carro. Ônibus partem diariamente do terminal rodoviário da capital mineira. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Confins, em BH. Dentro da cidade, o centro histórico é compacto e percorrido a pé.
Ouça Diamantina das sacadas
Poucas cidades no Brasil conseguem reunir patrimônio colonial preservado, natureza de serra e uma tradição musical que transforma a rua em sala de concerto. Diamantina entrega tudo isso em um centro histórico compacto, a uma altitude que refresca as noites e convida a caminhar sem pressa.
Você precisa sentar na Rua da Quitanda em uma noite de Vesperata, ouvir o som descer das sacadas e entender por que a UNESCO chamou essa cidade de joia incrustada nas montanhas.










