Começar o ano tentando acordar mais cedo é uma prática comum, especialmente entre quem deseja ser mais produtivo, mas especialistas em sono alertam que um despertador fixo às 6h da manhã pode não ser adequado para todas as pessoas, pois há diferenças biológicas importantes entre quem tem mais disposição nas primeiras horas do dia e quem rende melhor à noite, e forçar um padrão único pode trazer custos para a saúde física e mental. A pesquisa foi abordada pela Fox News.
O que é cronotipo e como ele influencia o horário ideal de acordar
A palavra-chave central nesse tema é o cronotipo, que descreve a tendência natural de cada indivíduo de ser mais ativo pela manhã ou à noite. Pessoas conhecidas como matutinas tendem a pegar no sono mais cedo, entrar em sono profundo rapidamente e despertar com facilidade nas primeiras horas do dia.
Já as chamadas noturnas adormecem mais tarde e alcançam os estágios mais reparadores em horários avançados da madrugada, o que impacta diretamente o melhor horário para acordar. Pesquisas indicam que essa preferência é em parte herdada geneticamente, tornando o cronotipo algo mais biológico do que simples falta de disciplina.
Forçar um horário para acordar cedo faz mal à saúde
Quando a pessoa passa a acordar de forma sistemática antes do momento indicado pelo próprio organismo, instala-se uma espécie de “jet lag social”. Nesse cenário, o corpo opera como se estivesse em um fuso horário diferente do ambiente, gerando sonolência diurna, irritabilidade e piora da atenção e da memória.
Estudos em medicina do sono associam esse descompasso crônico a riscos de longo prazo, como alterações metabólicas, maior probabilidade de ganho de peso e incidência de transtornos de humor. Entre pessoas com cronotipo noturno, rotinas muito antecipadas se relacionam ainda com maior frequência de apneia obstrutiva do sono e resistência à insulina.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do neurocientista Gabriel (@gabifeltzz):
@gabifeltzz Você não precisa acordar cedo para ter sucesso. Desrespeitar seu horário biológico, traz uma série de problemas,. Por isso, vespertinos apresentam mais problemas de ansiedade e depressão por acordar mais cedo do que deveriam. #sono #clubedas5 #clubedas5am #dormirbem #motivacaododia ♬ som original – Gabi | NEUROCIÊNCIA
Como ajustar o relógio biológico sem prejudicar o sono
Em muitos casos, a realidade profissional, familiar ou acadêmica exige acordar em horários que não coincidem com o relógio interno. Nesses contextos, especialistas sugerem uma adaptação gradual, adiantando o despertador em pequenos intervalos para reduzir o impacto sobre as fases mais profundas e o sono REM.
Algumas medidas costumam ser indicadas para quem busca modificar o horário em que desperta, ajudando a alinhar o relógio biológico às demandas do dia a dia de forma mais saudável:
- Rotina regular de sono: manter horários semelhantes para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
- Higiene do sono: reduzir o uso de telas antes de deitar, criar um ambiente escuro e silencioso e evitar refeições pesadas à noite.
- Luz pela manhã: exposição à luz natural ou artificial intensa nas primeiras horas do dia ajuda a adiantar o relógio interno.
- Estímulos moderados: acompanhar o consumo de cafeína e observar se exercícios muito tarde prejudicam o início do sono.
Quais hábitos noturnos ajudam a dormir melhor
Ao mesmo tempo, um ritual noturno estruturado pode facilitar o processo de adormecer e reduzir o tempo na cama sem dormir. Muitas pessoas relatam benefício ao incluir práticas relaxantes, que funcionam como um sinal claro para o cérebro de que o dia está terminando.
Entre essas práticas, destacam-se banho morno, leitura leve, meditação guiada, respiração profunda, uso moderado de chás sem cafeína e técnicas de relaxamento muscular. A chave é repetir esse ritual de forma consistente, transformando-o em um marcador previsível para o organismo.

Como encontrar o melhor horário para acordar sem perder qualidade de vida
Ao falar em horário ideal para acordar, especialistas ressaltam a importância de equilibrar demandas sociais com as necessidades do corpo. Quem tem facilidade natural para as primeiras horas da manhã pode aproveitar esse período para tarefas que exigem maior foco, enquanto perfis mais noturnos rendem melhor em horários avançados.
Alguns passos simples ajudam a identificar o próprio ritmo e aproximar o despertador do funcionamento real do organismo, respeitando o tempo médio de sono de sete a nove horas para adultos:
- Observar, por alguns dias, em que horário o sono surge espontaneamente quando não há compromissos muito cedo.
- Registrar em que parte do dia aparecem maior disposição, concentração e clareza mental.
- Ajustar o despertador para se aproximar dessa janela, avançando ou atrasando em blocos de 15 minutos por semana.
- Reavaliar regularmente se o tempo de sono é suficiente e, se persistirem sintomas intensos, buscar avaliação em medicina do sono ou psiquiatria.








