A relação entre atividade física e capacidade de concentração tem recebido atenção crescente na comunidade científica. Em um cenário em que dificuldades de foco se tornam cada vez mais frequentes entre crianças, adolescentes e adultos, pesquisas recentes apontam o exercício como um fator central na melhoria da atenção e do desempenho cognitivo, tanto em pessoas com diagnóstico de transtornos de foco quanto na população em geral.
Como a atividade física se relaciona com a atenção
Entre pessoas com transtorno de déficit de atenção, a busca por alternativas complementares ao tratamento medicamentoso é constante. Estudos mais amplos indicam que incluir atividade física estruturada na rotina pode ajudar a sustentar a atenção ao longo do dia, facilitando o desempenho escolar, acadêmico e profissional, como trouxe a pesquisa “Be smart, exercise your heart: exercise effects on brain and cognition”.
Esse efeito não se restringe a quem tem diagnóstico formal: indivíduos sem transtornos específicos também parecem se beneficiar quando adotam um estilo de vida fisicamente mais ativo. A prática regular reduz níveis de estresse, melhora o sono e favorece o humor, fatores que, juntos, fortalecem a capacidade de foco e autorregulação.

Como a atividade física melhora a atenção no cérebro
A palavra-chave nesse tema é atividade física e atenção. Quando o corpo se movimenta, o fluxo sanguíneo cerebral aumenta, elevando o aporte de oxigênio e nutrientes às regiões envolvidas em foco, planejamento e controle de impulsos, como córtex pré-frontal e áreas ligadas às funções executivas.
Paralelamente, a prática regular de exercícios favorece a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, substâncias diretamente ligadas à motivação, vigilância e capacidade de manter uma tarefa por mais tempo. Esses efeitos acontecem tanto após sessões únicas quanto ao longo de semanas de treinamento consistente.
Qual é o papel do BDNF e das redes neurais da atenção
Outro elemento frequentemente mencionado é o BDNF, uma proteína associada à proteção e à adaptação dos neurônios. A elevação desse fator neurotrófico por meio do exercício auxilia na comunicação entre células nervosas e pode contribuir para um funcionamento mais eficiente das redes neurais relacionadas à atenção sustentada.
Assim, o treino físico passa a atuar como um tipo de “educação” para o cérebro, reforçando circuitos que ajudam a filtrar distrações. Com o tempo, esse fortalecimento neural favorece melhores respostas em situações de pressão, tomadas de decisão rápidas e tarefas que exigem atenção prolongada.
Quais exercícios favorecem mais a concentração
Nem todo tipo de treino produz o mesmo impacto sobre a atenção. Caminhadas, corridas leves e pedaladas são boas opções para a saúde geral, mas pesquisas recentes indicam que atividades que combinam esforço físico com desafio cognitivo tendem a gerar resultados mais robustos para a concentração.
Nessa perspectiva, esportes coletivos e modalidades que exigem tomada rápida de decisão ganham destaque. Abaixo estão alguns exemplos de exercícios que estimulam atenção e foco de forma mais intensa, mobilizando memória de trabalho, planejamento e controle de impulsos:
- Esportes com bola, como basquete, handebol e futebol, que pedem leitura constante do jogo, antecipação de movimentos e controle de impulsos.
- Artes marciais, que unem disciplina, coordenação motora e resposta imediata a estímulos diversos.
- Dança e atividades rítmicas, em que é necessário manter contagem, seguir sequências e ajustar o corpo a comandos musicais.
- Tênis e esportes de raquete, que exigem atenção ao adversário, ao espaço e ao tempo de reação.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do psicólogo Igor (@igorpsicologo):
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Como a atenção funciona como um “músculo” durante o exercício
Nessas situações, a atenção funciona como um “músculo” constantemente solicitado. O praticante precisa lembrar regras, adaptar estratégias e responder a imprevistos, o que fortalece mecanismos de concentração úteis também em contextos de estudo e trabalho.
Com a prática contínua, o cérebro se torna mais eficiente em selecionar estímulos relevantes e ignorar distrações. Esse treino mental embutido no movimento amplia recursos como flexibilidade cognitiva, velocidade de processamento e capacidade de alternar entre tarefas com menor perda de foco.
Quando se exercitar para melhorar o foco ao longo do dia
Além do tipo de atividade, o horário em que o exercício é realizado também influencia a relação entre atividade física e atenção. Evidências sugerem que uma sessão de 20 a 30 minutos de movimento moderado pode gerar um pico de benefícios cognitivos nas horas seguintes, melhorando clareza mental e tempo de reação.
Esse intervalo costuma ser aproveitado para tarefas que exigem maior concentração mental, como provas, reuniões decisivas ou redação de relatórios complexos. Em muitas pessoas, treinos matinais ou no início da tarde ajudam a combater sonolência e aumentam a vigilância para o restante do dia.
Quais orientações práticas ajudam a organizar o exercício
De forma geral, algumas orientações práticas aparecem com frequência em materiais científicos e educacionais. A ideia é usar o movimento de forma estratégica, conectando o momento do treino às atividades intelectuais mais exigentes e respeitando limites individuais de saúde e condicionamento.
- Atividade pré-tarefa: reservar um período curto de exercício antes de atividades intelectuais desafiadoras pode facilitar o início e a manutenção do foco.
- Regularidade: a repetição é mais importante do que a intensidade extrema. Sessões de intensidade moderada, realizadas algumas vezes por semana, tendem a gerar mudanças mais duradouras nas conexões cerebrais.
- Adequação à faixa etária: crianças e adolescentes costumam responder bem a atividades lúdicas e esportes coletivos, enquanto adultos podem preferir combinações entre treino aeróbico, musculação e práticas coordenativas.
Como incluir atividade física na rotina para favorecer a atenção
Para que os efeitos sobre a concentração se mantenham, a atividade física precisa caber no dia a dia. Em vez de planos muito complexos, a organização costuma envolver passos simples, adaptados às possibilidades de cada pessoa, faixa etária e condição de saúde, sempre que possível com orientação profissional.
Uma forma prática de pensar nessa integração é dividir o processo em pequenos ajustes. Ao reunir escolhas adequadas de modalidade, frequência e horários, o movimento passa a ser um componente estruturado de cuidado cognitivo, ajudando a apoiar tratamentos de dificuldades de foco e a promover um funcionamento mental mais estável.
- Escolha da modalidade: priorizar exercícios que gerem algum grau de desafio mental aumenta a chance de ganhos em atenção. Ainda assim, caminhadas e outras práticas mais simples continuam sendo válidas quando são a alternativa disponível.
- Definição de frequência: estabelecer entre três e quatro sessões semanais é uma meta frequentemente citada para efeitos consistentes sobre o cérebro.
- Planejamento de horários: encaixar o treino em momentos próximos a atividades intelectuais importantes pode potencializar os resultados em foco e produtividade.
- Adaptação contínua: observar respostas do corpo e da mente, ajustando duração, intensidade e tipo de exercício ao longo do tempo.








