A saúde digestiva dos lactentes é frequentemente uma fonte de apreensão para pais e cuidadores, especialmente em relação à cor das fezes. Um fenômeno comum, que pode gerar preocupações injustificadas, é o Cocô Verde do Bebê. Embora possa causar estranheza à primeira vista, na maioria das vezes está relacionado a fatores fisiológicos benignos, como a velocidade do trânsito intestinal ou alterações na dieta do bebê, e tende a se resolver espontaneamente com o tempo.
Nos primeiros dias de vida, o bebê expele mecônio, uma substância espessa e esverdeada composta de resíduos amnióticos e bile acumulada. Esse processo é natural e indica funcionalidade intestinal, ocorrendo normalmente antes da introdução do leite materno ou da fórmula. Com a chegada do leite, uma adaptação enzimática começa, e a cor das fezes reflete essas mudanças transitórias.
Qual é a influência da amamentação na coloração das fezes?
A técnica de amamentação desempenha um papel significativo na coloração das fezes. Eventuais fezes esverdeadas podem ocorrer se houver um desequilíbrio entre o leite anterior, mais rico em lactose, e o leite posterior, rico em gordura, o que acelera o trânsito intestinal e dificulta uma digestão mais completa.
Por isso, recomenda-se que o bebê esvazie completamente um peito antes de mudar para o outro, garantindo o acesso ao leite mais gorduroso. Também é importante observar a pega correta e a duração das mamadas, pois ajustes simples na rotina de amamentação costumam normalizar a cor e a consistência das fezes.
Para compreender melhor os tipos e cores das fezes do bebê, assista ao vídeo a seguir, no qual a Dra. Ingrid Serafim explica o assunto de forma clara e didática no canal Dra. Ingrid Serafim.
Quais são as possíveis causas patológicas para o surgimento de cocô verde?
Embora, na maioria dos casos, fezes esverdeadas sejam normais, certas características adicionais podem sinalizar problemas de saúde subjacentes. A presença de muco, por exemplo, pode indicar uma resposta inflamatória, como na Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), associada a fezes mucosas e até sanguinolentas.
Além disso, a frequência e outras características das evacuações, tais como odor fétido e ácido, podem ser indicativos de má absorção intestinal. Nesses cenários, uma avaliação médica é fundamental para investigar causas como alergias, infecções ou intolerâncias e orientar o tratamento adequado.

Como os medicamentos influenciam a coloração fecal?
O uso de certos medicamentos ou suplementos também pode modificar a cor das fezes. O ferro não absorvido pode se oxidar no intestino, conferindo às fezes um tom verde-musgo ou até mesmo preto, enquanto antibióticos alteram profundamente a microbiota intestinal, interferindo na degradação normal dos pigmentos biliares.
Algumas dessas substâncias costumam ser prescritas na infância e, por isso, é importante que pais e cuidadores reconheçam os efeitos esperados. Entre os medicamentos e suplementos que podem influenciar a coloração das fezes, destacam-se:
💊 Medicamentos e Suplementos que Podem Alterar as Fezes
Substâncias que podem modificar a cor, consistência ou aparência das evacuações.
| Substância | Efeito Observado |
|---|---|
| Sais de ferro (gotas ou xarope) | Podem escurecer ou deixar as fezes com tonalidade esverdeada devido à oxidação do ferro no trato intestinal. |
| Antibióticos | Modificam a flora intestinal, podendo alterar a aparência, cor e consistência das evacuações. |
| Suplementos multivitamínicos (com ferro ou cobre) | Podem alterar o tom fecal conforme a composição mineral presente na fórmula. |
| Probióticos | Podem mudar gradualmente a consistência e a coloração das fezes à medida que equilibram a microbiota intestinal. |
Quando é necessário procurar uma avaliação médica?
Na maioria das vezes, se a mudança na cor das fezes for isolada e o ganho de peso estiver dentro do esperado, a vigilância contínua será suficiente. Porém, se as alterações persistirem e vierem acompanhadas de baixo ganho ponderal, dor, irritabilidade intensa ou sangue nas fezes, é recomendado buscar atendimento médico.
Testes como a análise do pH das fezes, pesquisa de sangue oculto e avaliação de restos de gordura podem ser úteis para investigar a condição digestiva do bebê. Manter um diálogo aberto com profissionais de saúde e observar o comportamento geral da criança são medidas essenciais para garantir seu bem-estar contínuo.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










