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Início Notícias

O “novo Vine” quer vídeos de seis segundos, e pretende proibir conteúdo gerado por IA

Por Bruno Vaz
23/08/2026
Em Notícias
Divine app

Impedir isso na prática, porém, é mais difícil do que escrever uma regra.

Rolou o feed e parece que metade dos vídeos poderia ter sido feita por uma máquina? O Divine app aposta no caminho contrário, com loops de seis segundos, criadores humanos e menos interferência algorítmica. A ideia é recuperar uma internet mais espontânea sem simplesmente ressuscitar o Vine.

Seis segundos voltaram a ser uma regra

O Divine recupera a limitação que transformou o Vine em fenômeno na década passada: cada vídeo novo dura apenas seis segundos e roda em loop. Em vez de enxergar o limite como problema, a plataforma trata o formato como uma pressão criativa que obriga piadas, cortes e ideias a chegarem ao ponto rapidamente.

O projeto é independente e não pertence ao antigo Vine, ao Twitter ou ao X. Ele foi criado por Rabble, nome usado por Evan Henshaw-Plath, integrante da equipe inicial do Twitter, e recebeu financiamento de uma organização apoiada por Jack Dorsey. Só que a nostalgia não para no formato.

Divine app
A ideia é recuperar uma internet mais espontânea sem simplesmente ressuscitar o Vine.

Milhões de Vines antigos estão voltando ao feed

Antes do encerramento do Vine em 2017, voluntários do ArchiveTeam e do Internet Archive preservaram uma enorme quantidade de vídeos públicos. O Divine começou a restaurar esse material e, em agosto de 2026, já reunia mais de 2 milhões de Vines arquivados, além de novas publicações.

Esse acervo funciona como algo que uma rede nova normalmente não possui: memória cultural pronta para explorar. Criadores conhecidos da época também começaram a reaparecer na plataforma. Mas o ponto que diferencia o Divine de uma simples homenagem está no tipo de vídeo que ele promete deixar do lado de fora.

Redes Sociais • Vídeos Curtos O Legado dos Vídeos Curtos A proposta e o acervo histórico da plataforma Divine
⏱️
Limite de 6 Segundos As novas publicações continuam rigorosamente restritas à duração clássica de seis segundos.
📦
Acervo por Voluntários Os clipes históricos foram resgatados diretamente de arquivos preservados por voluntários.
👤
Recuperação de Contas Perfis pertencentes aos antigos criadores estão sendo restaurados progressivamente quando viável.
⚠️
Sem Ligação Oficial A plataforma Divine opera de forma independente e não possui vínculo oficial com o Vine original.
🎬 Cultura Digital • Preservação da Web

Conteúdo gerado por IA entra na lista de proibidos

O Divine diz querer uma rede formada por criatividade humana e proíbe conteúdo gerado por inteligência artificial. A proposta responde diretamente à enxurrada de imagens e vídeos sintéticos que passou a ocupar feeds, muitas vezes produzidos em grande escala apenas para capturar visualizações.

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Impedir isso na prática, porém, é mais difícil do que escrever uma regra. O projeto trabalha com ferramentas de verificação de autenticidade e identificação de conteúdo, mas nenhum sistema consegue garantir detecção perfeita de toda mídia criada ou alterada por IA. Esse será um teste importante conforme a quantidade de usuários crescer.

Leia também: Mozilla encerra aplicativo e surpreende usuários

O feed também tenta fugir do algoritmo que prende sua atenção

Outra promessa é reduzir a lógica em que um algoritmo invisível decide o que será mostrado porque aquilo aumenta engajamento ou receita publicitária. O Divine foi construído sobre o protocolo aberto Nostr e permite que o usuário tenha mais controle sobre qual feed e algoritmo deseja usar, em vez de depender de uma única seleção definida pela plataforma.

Isso não significa uma rede completamente sem algoritmos ou sem dinheiro de marcas. A diferença proposta é evitar o modelo tradicional em que publicidade e recomendação ficam misturadas dentro de uma grande máquina de otimização de atenção. E o primeiro teste comercial já mostra como o Divine pretende ganhar dinheiro sem abandonar esse discurso.

Divine app
Isso não significa uma rede completamente sem algoritmos ou sem dinheiro de marcas.

A Taco Bell virou a primeira marca parceira

A Taco Bell foi anunciada como primeira colaboração comercial do Divine antes da abertura pública da plataforma, ocorrida em 20 de agosto. A parceria deu acesso antecipado ligado à campanha Decades #TBTB e presença destacada dentro do aplicativo, aproximando a marca justamente do público atraído pela nostalgia dos anos do Vine.

A proposta inicial inclui formatos como listas patrocinadas e identificações de marca, em vez de simplesmente transformar cada espaço disponível do feed em anúncio direcionado. Isso cria uma contradição interessante para acompanhar: uma rede que quer escapar da publicidade algorítmica ainda precisa encontrar um modelo capaz de pagar suas contas.

Como testar o Divine e ver se a proposta funciona

O aplicativo já está disponível para web, iOS e Android e abriu o acesso ao público em agosto. Quem quiser conferir a proposta pode entrar no site oficial do Divine e observar principalmente como o feed, os vídeos de seis segundos e o material restaurado do Vine funcionam na prática.

Vale prestar atenção também em como a plataforma vai aplicar a proibição de IA quando o volume de publicações aumentar. O retorno dos seis segundos chama pela nostalgia, mas será a promessa de um feed mais humano que decidirá se o Divine vira uma rede de verdade ou apenas uma lembrança muito bem embalada.

Tags: internetredesTecnologiavídeos
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