O ponto mais ao norte do Brasil não fica no Oiapoque, no Amapá. Segundo o IBGE, o extremo setentrional do território brasileiro está na nascente do rio Ailã, no Monte Caburaí, em Uiramutã, Roraima, junto à fronteira com a Guiana. A diferença entre o mapa oficial e a famosa expressão “do Oiapoque ao Chuí” ajuda a contar como uma referência geográfica antiga virou parte da cultura brasileira.
Onde fica o Monte Caburaí
O Monte Caburaí fica no município de Uiramutã, no nordeste de Roraima, em uma região de fronteira marcada por serras, rios e acesso difícil. É ali que nasce o rio Ailã, no ponto que o IBGE considera o extremo norte do Brasil, nas coordenadas 5°16’19” de latitude norte e 60°12’45” de longitude oeste.
Uiramutã tinha 13.751 habitantes no Censo de 2022 e área territorial de 8.102,219 km² em 2025, de acordo com os dados oficiais do município publicados pelo IBGE. A baixa densidade populacional e as dificuldades de deslocamento ajudam a explicar por que o verdadeiro extremo norte permaneceu muito menos conhecido que Oiapoque, cidade associada ao limite brasileiro no imaginário popular.
O que torna esse ponto diferente
O detalhe mais importante é que o ponto extremo não corresponde simplesmente ao topo do Monte Caburaí. A referência adotada pelo IBGE é a nascente do rio Ailã, localizada na área do monte. A página do IBGE sobre os pontos extremos brasileiros identifica diretamente essa nascente, em Uiramutã, como o ponto mais setentrional do país.
Na publicação Brasil em Números 2024, com dados territoriais de 2022, o IBGE informa uma distância de 4.378,349 quilômetros entre a nascente do Ailã e o Arroio Chuí, no extremo sul. O mesmo levantamento indica 4.326,607 quilômetros entre a nascente do rio Moa, no Acre, e a Ponta do Seixas, na Paraíba, os extremos oeste e leste.

Por que o Oiapoque ficou tão famoso
A expressão “do Oiapoque ao Chuí” ficou conhecida como sinônimo de “de norte a sul do Brasil”, embora não descreva os extremos territoriais oficiais. Oiapoque está no Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, e durante muito tempo funcionou como uma referência prática e facilmente reconhecível da ponta norte do país.
Uma reportagem da Agência de Notícias do IBGE sobre os extremos brasileiros explica que essa tradição está ligada também às antigas expedições e à dificuldade de alcançar o Caburaí. Missões conseguiam chegar ao Oiapoque, enquanto o interior de Roraima apresentava obstáculos maiores, e a dupla Oiapoque-Chuí acabou consolidada como uma convenção relacionada aos extremos da faixa litorânea.
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Como o Caburaí foi confirmado
A localização do Caburaí não surgiu de uma descoberta recente. Segundo o relato histórico do IBGE, o Brasil já possuía desde pelo menos 1933 a informação de que o ponto extremo norte estava naquela região, embora o local permanecesse distante das rotas comuns e pouco presente no cotidiano da população.
Em 1998, uma missão oficial reuniu integrantes da Comissão Brasileira Demarcadora de Limites, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, do Exército, do IBGE e representantes do governo da Guiana. A equipe foi ao Monte Caburaí para confirmar a posição com levantamentos geodésicos, reforçando oficialmente uma informação que já constava de registros anteriores.

O Brasil em seus pontos extremos
A confusão persiste também porque o nome Oiapoque é muito mais familiar que nascente do Ailã. Nos mapas oficiais atuais, porém, a posição é inequívoca: ao norte aparece a nascente do rio Ailã, em Roraima; ao sul, o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul; a leste, a Ponta do Seixas, na Paraíba; e a oeste, a nascente do rio Moa, no Acre.
O mapa de pontos extremos do Atlas Geográfico Escolar do IBGE permite visualizar essa diferença. O território de Roraima avança ao norte da Linha do Equador nessa região, mostrando que a correção não é apenas uma troca de nomes: ela muda a imagem mental de um país cuja extremidade superior costuma ser associada ao Amapá.
O que a frase popular deixa de fora
A história do Caburaí mostra como uma expressão pode sobreviver mesmo quando a cartografia oficial aponta outra referência. “Do Oiapoque ao Chuí” continua fazendo sentido como frase cultural para representar a extensão do país, mas não como descrição rigorosa dos extremos norte e sul. Nesse caso, a formulação geograficamente correta seria “do Caburaí ao Chuí”.
Há ainda uma peculiaridade que torna o extremo brasileiro menos intuitivo: o ponto mais ao norte do país não é uma cidade, uma praia ou um posto de fronteira conhecido. É a nascente de um rio em uma área remota de Uiramutã, em Roraima, e justamente esse isolamento ajuda a explicar por que uma informação básica do mapa brasileiro ainda consegue surpreender.




