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Início Cidades

O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico

Por Maura Pereira
26/04/2026
Em Cidades, Turismo
O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico

As ruas largas e arborizadas dão um ar de interior tranquilo, mesmo com quase 900 mil habitantes. / Imagem ilustrativa

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O sobá, herança da ilha de Okinawa, virou patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A iguaria só existe assim em Campo Grande, a Cidade Morena, capital de Mato Grosso do Sul e portal de entrada do Pantanal.

Por que a capital sul-mato-grossense é chamada de Cidade Morena?

O apelido nasceu da terra avermelhada e do clima quente. Foi cunhado pelo arcebispo Dom Aquino Correia, que dizia que ao entardecer as casas pareciam morenas pelo reflexo do solo.

A definição pegou e hoje é parte da identidade local. Campo Grande foi fundada em 26 de agosto de 1899 e cresceu no encontro dos córregos Prosa e Segredo, hoje área do Horto Florestal. Mineiros, indígenas, paraguaios, libaneses e japoneses moldaram o jeito da cidade desde o início do século XX.

Essa mistura aparece em tudo: na arquitetura, no sotaque, na música regional e principalmente na mesa. A capital sul-mato-grossense é uma das poucas do país com aldeia indígena dentro do perímetro urbano, a Aldeia Marçal de Souza, da etnia Terena.

O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Destaca-se pelo patrimônio histórico, diversidade cultural e eventos como Festival América do Sul e Festival de Inverno. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Como é o cotidiano de quem vive na Cidade Morena?

Quem mora em Campo Grande costuma resumir a rotina assim: cidade grande sem o caos dos grandes centros. As ruas largas e arborizadas dão um ar de interior tranquilo, mesmo com quase 900 mil habitantes. O hábito de tomar tereré gelado ao fim do dia é parte da cultura local, herança guarani transformada em ritual diário. A Avenida Afonso Pena, de quase 8 km, corta a cidade e concentra parques, comércio e prédios públicos.

A vida cultural mistura referências. No mesmo fim de semana, o morador escolhe entre festival de taiko japonês, baile de polca paraguaia ou rodeio sertanejo. Essa pluralidade é o que define o ritmo da Cidade Morena.

Este vídeo do canal Melhores Cidades para Morar destaca Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, como um centro que une modernidade, tradição e uma forte conexão com a natureza.

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O que comer na capital onde o macarrão japonês virou alma da cidade?

O sobá é parada obrigatória. A versão campo-grandense, criada por imigrantes okinawanos no início do século XX, foi adaptada ao paladar brasileiro e tombada como bem cultural pelo IPHAN. Hoje a cidade tem dezenas de restaurantes especializados, além de barracas tradicionais na feira.

  • Sobá: macarrão em caldo com carne, ovo e cebolinha. O endereço clássico é a Feira Central, no centro.
  • Espetinho de carne: servido nas barracas da Feira, virou companhia obrigatória do tereré gelado.
  • Chipa: pão de queijo paraguaio em formato de ferradura, vendido por chipeiros nas ruas.
  • Caldo de piranha: prato pantaneiro de origem ribeirinha, servido em restaurantes regionais.
  • Filé de pintado com urucum: peixe nobre dos rios do Pantanal, com tempero típico.

O que faz o Bioparque Pantanal ser parada obrigatória?

O Bioparque Pantanal é o maior aquário de água doce do mundo. Foram inaugurados em 2022, no Parque das Nações Indígenas, com 5 milhões de litros de água, 19 mil m² de área e mais de 31 tanques que reproduzem ambientes do Pantanal.

O projeto é assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake e a entrada é gratuita, mediante agendamento prévio. A visita reúne educação ambiental, ciência e turismo num roteiro que pode levar até três horas.

A capital também tem outros endereços que valem a parada. O Memorial da Cultura Indígena, construído em bambu e palha de bacuri, fica dentro da Aldeia Marçal de Souza. O Parque das Nações Indígenas é uma das maiores áreas verdes urbanas do país e abriga o Museu das Culturas Dom Bosco, com acervo arqueológico e indígena.

Leia também: Como a primeira capital planejada do Brasil nasceu de um tabuleiro de xadrez e encantou com sua organização a 366 km do mar.

O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Campo Grande preserva tradições como rodas de tereré, festas regionais e gastronomia típica do Pantanal e Paraguai. // Reprodução: Wikipédia

Quando viajar para curtir o melhor do Centro-Oeste?

O clima tropical tem duas estações bem marcadas: chuvosa de outubro a março, seca de abril a setembro. O inverno é a melhor época para conhecer o Pantanal a partir da capital.

☀️ Verão
Dez – Fev
22-33°C
Média
Sob calor intenso e chuvas altas, aproveite o Bioparque e a diversidade cultural da tradicional Feira Central à noite.
🦓 Fauna
🍂 Outono
Mar – Mai
19-30°C
Média
Clima de transição agradável; prepare-se para as festividades que culminam no famoso Festival do Sobá em agosto.
🍜 Cultura
🧣 Inverno
Jun – Ago
14-28°C
Média
A estação seca é o momento ideal para um bate-volta para o Pantanal, com maior facilidade para avistar a vida selvagem.
🐆 Pantanal
🌸 Primavera
Set – Nov
20-33°C
Média
Com as chuvas retornando, a cidade floresce; aproveite os parques e mergulhe na rica gastronomia sul-mato-grossense.
🌳 Parques

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à porta de entrada do Pantanal?

Campo Grande tem o Aeroporto Internacional de Campo Grande, com voos diários para São Paulo, Brasília e capitais regionais. De carro, fica a cerca de 1.000 km da capital paulista pela BR-262 e BR-267. A cidade serve de base para o Pantanal e Bonito, com ônibus e voos diários para a região.

A capital onde culturas se encontram no mesmo prato

Campo Grande mistura terra vermelha, sotaque guarani, sopa de macarrão japonês e o pulso do Pantanal num único endereço. É a capital onde imigrantes viraram identidade e o cotidiano segue o ritmo do tereré gelado.

Você precisa conhecer Campo Grande e provar o sobá no balcão da Feira Central, a mesma esquina onde o Brasil aprendeu a comer japonês com sotaque pantaneiro.

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