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Início Cidades

O prato que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico

Por Maura Pereira
14/05/2026
Em Cidades, Turismo
O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico

As ruas largas e arborizadas dão um ar de interior tranquilo, mesmo com quase 900 mil habitantes. / Imagem ilustrativa

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O sobá, prato trazido por imigrantes da ilha de Okinawa, se tornou um dos maiores símbolos culturais de Campo Grande e recebeu reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN. Preparada de forma única na capital sul-mato-grossense, a receita ajudou a consolidar a identidade gastronômica da chamada Cidade Morena, principal porta de entrada para o Pantanal.

Como surgiu o apelido de Cidade Morena?

O nome “Cidade Morena” nasceu por causa da terra avermelhada característica da região e da forte luz do entardecer. O apelido foi popularizado pelo arcebispo Dom Aquino Corrêa, que dizia que as construções da cidade adquiriam um tom moreno refletido pelo solo quente e avermelhado.

Com o tempo, a expressão passou a representar oficialmente a identidade de Campo Grande. Fundada em 26 de agosto de 1899, a cidade cresceu na região dos córregos Prosa e Segredo, área onde atualmente fica o Horto Florestal. Desde o início do século XX, diferentes povos participaram da formação cultural local, entre eles mineiros, indígenas, paraguaios, libaneses e japoneses.

O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Destaca-se pelo patrimônio histórico, diversidade cultural e eventos como Festival América do Sul e Festival de Inverno. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Como funciona a rotina de quem vive na Cidade Morena?

Para muitos moradores, viver em Campo Grande significa ter a estrutura de uma capital sem enfrentar o ritmo acelerado típico das maiores metrópoles brasileiras. Mesmo com quase 900 mil habitantes, a cidade mantém ruas amplas, arborização intensa e um clima mais tranquilo no cotidiano. O tereré gelado, tradição herdada da cultura guarani, faz parte da rotina local e costuma reunir amigos e famílias no fim da tarde. Já a Avenida Afonso Pena, com quase 8 km de extensão, funciona como um dos principais eixos urbanos, concentrando áreas comerciais, parques e serviços públicos.

A diversidade cultural também marca fortemente o dia a dia da capital sul-mato-grossense. Em um único fim de semana, é comum encontrar eventos ligados à cultura japonesa, apresentações de polca paraguaia e festas sertanejas acontecendo simultaneamente. Essa mistura de influências ajudou a construir a identidade singular de Campo Grande, onde diferentes tradições convivem naturalmente na vida cotidiana.

Este vídeo do canal Melhores Cidades para Morar destaca Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, como um centro que une modernidade, tradição e uma forte conexão com a natureza.

O que comer na capital onde o macarrão japonês virou alma da cidade?

O sobá é parada obrigatória. A versão campo-grandense, criada por imigrantes okinawanos no início do século XX, foi adaptada ao paladar brasileiro e tombada como bem cultural pelo IPHAN. Hoje a cidade tem dezenas de restaurantes especializados, além de barracas tradicionais na feira.

  • Sobá: macarrão em caldo com carne, ovo e cebolinha. O endereço clássico é a Feira Central, no centro.
  • Espetinho de carne: servido nas barracas da Feira, virou companhia obrigatória do tereré gelado.
  • Chipa: pão de queijo paraguaio em formato de ferradura, vendido por chipeiros nas ruas.
  • Caldo de piranha: prato pantaneiro de origem ribeirinha, servido em restaurantes regionais.
  • Filé de pintado com urucum: peixe nobre dos rios do Pantanal, com tempero típico.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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O que faz o Bioparque Pantanal ser parada obrigatória?

O Bioparque Pantanal é o maior aquário de água doce do mundo. Foram inaugurados em 2022, no Parque das Nações Indígenas, com 5 milhões de litros de água, 19 mil m² de área e mais de 31 tanques que reproduzem ambientes do Pantanal.

O projeto é assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake e a entrada é gratuita, mediante agendamento prévio. A visita reúne educação ambiental, ciência e turismo num roteiro que pode levar até três horas.

A capital também tem outros endereços que valem a parada. O Memorial da Cultura Indígena, construído em bambu e palha de bacuri, fica dentro da Aldeia Marçal de Souza. O Parque das Nações Indígenas é uma das maiores áreas verdes urbanas do país e abriga o Museu das Culturas Dom Bosco, com acervo arqueológico e indígena.

Leia também: O que os cruzeiros marítimos fazem no risco de infecções e surtos.

Quando viajar para curtir o melhor do Centro-Oeste?

O clima tropical tem duas estações bem marcadas: chuvosa de outubro a março, seca de abril a setembro. O inverno é a melhor época para conhecer o Pantanal a partir da capital.

☀️ Verão
Dez – Fev
22-33°C
Média
Sob calor intenso e chuvas altas, aproveite o Bioparque e a diversidade cultural da tradicional Feira Central à noite.
🦓 Fauna
🍂 Outono
Mar – Mai
19-30°C
Média
Clima de transição agradável; prepare-se para as festividades que culminam no famoso Festival do Sobá em agosto.
🍜 Cultura
🧣 Inverno
Jun – Ago
14-28°C
Média
A estação seca é o momento ideal para um bate-volta para o Pantanal, com maior facilidade para avistar a vida selvagem.
🐆 Pantanal
🌸 Primavera
Set – Nov
20-33°C
Média
Com as chuvas retornando, a cidade floresce; aproveite os parques e mergulhe na rica gastronomia sul-mato-grossense.
🌳 Parques
O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Campo Grande preserva tradições como rodas de tereré, festas regionais e gastronomia típica do Pantanal e Paraguai. // Reprodução: Wikipédia

A capital onde culturas se encontram no mesmo prato

Campo Grande mistura terra vermelha, sotaque guarani, sopa de macarrão japonês e o pulso do Pantanal num único endereço. É a capital onde imigrantes viraram identidade e o cotidiano segue o ritmo do tereré gelado.

Você precisa conhecer Campo Grande e provar o sobá no balcão da Feira Central, a mesma esquina onde o Brasil aprendeu a comer japonês com sotaque pantaneiro.

Tags: BrasilCampo Grandegastronomiajapão
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