Muitos acreditam que suplementos precisam de “ciclos” ou pausas para não perderem o efeito ou para “limpar” o organismo, mas a ciência moderna aponta para uma direção oposta quando o assunto é creatina. Tomar creatina por 1 ano ininterrupto não apenas é seguro para indivíduos saudáveis, como é a estratégia ideal para manter a saturação muscular máxima.
Os rins ficam sobrecarregados com o uso crônico?
Este é o mito mais persistente e o que mais assusta iniciantes. A confusão ocorre porque a creatina se decompõe em creatinina, um marcador que médicos usam para avaliar a função renal. Ao suplementar, seus níveis de creatinina no sangue podem subir levemente, mas isso é um sinal de metabolismo muscular, não de falência renal.
Uma revisão extensa da literatura publicada na National Library of Medicine (NIH) acompanhou atletas consumindo creatina por até 21 meses e não encontrou nenhum efeito adverso na função renal ou hepática em indivíduos saudáveis. A menos que você já tenha uma doença renal pré-existente, o uso contínuo de 3g a 5g por dia não “filtra” ou danifica seus órgãos; o excesso é simplesmente excretado na urina.

Leia também: A compressa de Óleo de Rícino no fígado para desinflamar e melhorar o sono
O corpo “acostuma” e o efeito para?
Não, a creatina não é um estimulante e seu corpo não cria resistência a ela. O objetivo da suplementação crônica é manter os estoques de fosfocreatina intramuscular sempre no topo (100% saturados).
Segundo a International Society of Sports Nutrition, não há necessidade fisiológica de “ciclar” (fazer pausas). Se você parar de tomar após um ano, não haverá um efeito rebote negativo, mas seus níveis de força e energia retornarão gradualmente aos níveis basais em cerca de 4 a 6 semanas, perdendo a vantagem competitiva que a saturação oferecia.
Além dos músculos, o cérebro muda em 1 ano?
Um dos efeitos mais fascinantes do uso prolongado é a proteção cognitiva. Assim como os músculos, o cérebro utiliza fosfocreatina para processos que exigem energia rápida.
Estudos recentes compilados pela Mayo Clinic sugerem que a suplementação constante pode auxiliar na memória de curto prazo e na redução da fadiga mental, especialmente em situações de estresse ou privação de sono. Após um ano de uso, vegetarianos e idosos, que naturalmente possuem estoques menores, tendem a notar as melhorias cognitivas mais significativas.
No vídeo a seguir, o Dr. Júlio Luchmann, com mais de 1 milhão de seguidores, fala um pouco dos benefícios da creatina:
@julioluchmann #julioluchmanm ♬ som original – Júlio luchmann
Leia também: O truque de pressionar a língua no céu da boca para parar o “congelamento cerebral” (Brain Freeze)
O inchaço é inevitável a longo prazo?
É comum ouvir que a creatina deixa a pessoa “inchada” ou retida. A verdade fisiológica é que a creatina puxa água para dentro da célula muscular (intracelular), e não para debaixo da pele (subcutânea).
Isso cria um ambiente anabólico favorável e uma aparência muscular mais densa e hidratada, não gorda. Após um ano, esse aumento de água intracelular é estável; você não continua inchando indefinidamente. Qualquer ganho de peso na balança geralmente reflete ganho de massa magra real, não apenas fluido.
Dicas para quem vai manter o uso contínuo
Se você decidiu incorporar a creatina como um hábito vitalício (“apenas mais um ingrediente da dieta”), siga estas diretrizes para maximizar a segurança e eficácia:
- Hidratação: Beba pelo menos 35ml de água por kg de peso corporal. A creatina usa a água do seu corpo; se você não repuser, pode ter cãibras.
- Consistência: Tome todos os dias, inclusive nos dias sem treino. O segredo é a manutenção dos níveis sanguíneos.
- Qualidade: Procure sempre pelo selo Creapure ou marcas com laudos de pureza testados.
- Tipo: A Creatina Monohidratada é a forma mais estudada, segura e barata. Não gaste extra com versões “HCL” ou “éter”.









