Encontrar peixinhos de prata (ou seus parentes próximos, os “peixinhos de fogo”) correndo pelo chão da cozinha ou despensa é um sinal claro de que o ambiente está sofrendo com umidade excessiva e falta de ventilação. Esses pequenos insetos primitivos da ordem Zygentoma não surgem do nada; eles são bioindicadores de que sua casa está oferecendo o ecossistema perfeito — úmido, escuro e rico em amido — para a proliferação de pragas e fungos.
O que atrai essas pragas para dentro de casa?
Esses insetos são detritívoros noturnos que buscam incansavelmente fontes de polissacarídeos, o que inclui desde restos de farinha, açúcar e cereais derramados até a cola de embalagens, papéis de parede e encadernações de livros. A principal atração, no entanto, é a umidade relativa do ar acima de 75%, condição essencial para que eles sobrevivam e se reproduzam em frestas.
Eles possuem a capacidade de digerir celulose por conta própria, o que os torna uma ameaça silenciosa para documentos e estoques de alimentos secos. Se você avista um durante o dia, é provável que exista uma colônia muito maior escondida atrás dos armários, rodapés ou sob o piso flutuante.

Qual é a diferença entre peixinho de prata e de fogo?
Embora sejam visualmente semelhantes e causem os mesmos danos, eles preferem microclimas térmicos distintos dentro da residência. Enquanto o peixinho-de-prata (Lepisma saccharina) prospera em locais frescos e úmidos, o “peixinho de fogo” (Thermobia domestica) busca ativamente o calor intenso.
Por essa razão, o peixinho de fogo é frequentemente encontrado em cozinhas industriais ou residenciais próximo a fornos, aquecedores de água e tubulações quentes. Identificar qual espécie está presente ajuda a localizar o foco da infestação, seja ele um vazamento frio na pia ou uma área de condensação quente atrás do fogão.
A presença deles indica riscos para a saúde?
Diferente de baratas e moscas, esses insetos não são vetores diretos de doenças para os humanos, mas sua presença serve como um alerta vermelho para a salubridade do imóvel. Os níveis de umidade necessários para sustentar essas pragas são os mesmos que favorecem o crescimento agressivo de mofo e ácaros.
Portanto, ignorar o aparecimento desses “peixinhos” pode expor a família a alérgenos potentes que desencadeiam asma, rinite e outras complicações respiratórias. Eles são o sintoma visível de um problema estrutural invisível que compromete a qualidade do ar interior.
No vídeo a seguir, o canal do Paulo Jubilut, com mais de 3,7 milhões de inscritos, fala um pouco sobre o assunto:
Como eliminar a infestação de forma segura e definitiva?
O combate efetivo exige uma abordagem integrada que corte as fontes de sobrevivência do inseto: água e abrigo. A aplicação isolada de inseticidas resolve apenas o problema imediato, mas a cura definitiva depende de alterações ambientais na estrutura da cozinha e da despensa.
As principais medidas de controle incluem:
- Reduza a umidade: Utilize desumidificadores, conserte vazamentos imediatamente e melhore a ventilação cruzada para baixar a umidade relativa do ar.
- Armazenamento hermético: Transfira alimentos secos (macarrão, farinha, grãos) de caixas de papelão para potes de vidro ou plástico com vedação hermética.
- Vede as frestas: Aplique silicone ou massa de calafetar em rachaduras nos rodapés, azulejos e em volta de canos, eliminando os esconderijos e locais de postura de ovos.
- Limpeza rigorosa: Aspire regularmente frestas e o fundo de armários para remover migalhas alimentares e ovos microscópicos.
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Por que a higiene não é o único fator?
Muitas pessoas com casas limpas se surpreendem com a presença desses insetos, pois a questão central é estrutural e climática, não apenas higiênica. Casas novas podem sofrer infestações devido à umidade retida na construção (madeira e gesso recém-instalados), enquanto casas antigas sofrem com infiltrações crônicas.
Monitorar o aparecimento desses insetos permite agir preventivamente antes que danos materiais severos ocorram. Manter a casa seca é a estratégia de “imunidade” mais eficaz contra uma série de invasores indesejados que dependem da água para viver.










