O uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs), como Omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, amplamente utilizados no tratamento de distúrbios gástricos, tem gerado preocupações devido aos seus possíveis efeitos adversos na absorção de nutrientes. Pesquisas conduzidas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) investigaram as consequências do uso contínuo desses medicamentos, destacando o impacto na saúde nutricional e óssea.
Os IBPs funcionam ao inibir a enzima H, K, ATPase, conhecida como bomba de prótons, que é crucial na produção de ácido clorídrico no estômago. Ao diminuir a acidez gástrica, esses medicamentos aliviam sintomas de úlceras e refluxo, mas podem comprometer a absorção de nutrientes dependentes de um ambiente ácido. Com mais de 30 anos de uso, o omeprazol, por exemplo, é frequentemente consumido por períodos prolongados sem supervisão médica, levando a potenciais riscos à saúde.
Quais são os riscos associados ao uso prolongado de IBPs?
Estudos apontam que o uso prolongado de IBPs pode resultar em deficiências nutricionais, como anemia e osteoporose. Isso ocorre devido à absorção prejudicada de minerais essenciais como ferro, cálcio, zinco e magnésio. Na pesquisa com animais, verificou-se alterações significativas na distribuição desses nutrientes, com acúmulo no estômago e desequilíbrios no baço e fígado.

Em humanos, similares consequências são esperadas. Um acúmulo de cálcio no sangue, observado nos estudos, pode indicar uma potencial perda óssea, sugerindo risco de osteoporose. Já a queda nos níveis de ferro pode resultar em anemia, destacando a necessidade de se avaliar o uso desses medicamentos com cautela.
Qual a posição dos órgãos reguladores sobre o uso de IBPs?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente classificou o omeprazol 20 mg como medicamento isento de prescrição, condicionando seu uso a um período máximo de 14 dias. Esse movimento visa racionalizar o uso do medicamento, promovendo seu uso responsável e seguro. A decisão, no entanto, levanta preocupações sobre a automedicação e o uso contínuo sem supervisão adequada, já que muitos consumidores podem ignorar tais diretrizes, aumentando os riscos associados ao uso prolongado.
Quais são as implicações para a saúde a longo prazo?
Embora o papel dos IBPs no alívio de problemas gastrointestinais seja inegável, é crucial ponderar os riscos potenciais de seu uso prolongado. Pesquisadores ressaltam que, além dos minerais mais comumente analisados como cálcio e ferro, suplementos de magnésio e zinco também podem ser necessários em usuários de longo prazo. No entanto, qualquer estratégia de suplementação deve ser realizada com orientação médica, considerando as necessidades individuais.
Em resumo, enquanto os IBPs continuam a ser uma ferramenta vital no tratamento de condições gástricas, seu uso deve ser criterioso, seguindo sempre orientações médicas. A avaliação cuidadosa e o monitoramento da saúde nutricional são essenciais para garantir que os benefícios do tratamento não sejam ofuscados por complicações a longo prazo.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










