Esqueça a imagem do fisiculturista inchado na academia; a creatina é, na verdade, o suplemento mais estudado e seguro para a longevidade humana. Longe de ser uma “bomba” (esteroide), ela é um composto natural que recarrega a bateria das suas células, sendo essencial tanto para evitar a fragilidade física em idosos quanto para turbinar a memória e o raciocínio em qualquer idade.
Como a Creatina funciona como uma “bateria extra”?
Todas as suas células, sejam musculares ou cerebrais, funcionam à base de uma molécula de energia chamada ATP (Adenosina Trifosfato). Quando você pensa ou se move, o ATP perde uma parte e vira ADP (sem energia).
A creatina armazenada no corpo doa rapidamente um fosfato para recarregar esse ADP, transformando-o de volta em ATP utilizável em segundos. A International Society of Sports Nutrition (ISSN) confirma que ter estoques cheios de creatina permite que seu corpo e mente mantenham o desempenho máximo por mais tempo antes de atingir a exaustão.
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Por que ela é considerada um “Nootrópico” (Suplemento Cerebral)?
O cérebro consome cerca de 20% de toda a energia do corpo. Em momentos de alta demanda cognitiva (estudo intenso, noites mal dormidas ou estresse), os níveis de energia cerebral caem, causando fadiga mental.
Um estudo de revisão publicado pela Royal Society Open Science demonstrou que a suplementação de creatina melhora significativamente a memória de curto prazo e a inteligência fluida (raciocínio rápido), especialmente em vegetarianos e idosos, que naturalmente possuem estoques menores desse nutriente. É como fazer um upgrade na memória RAM do seu cérebro.

Como ela previne a “Sarcopenia” (perda muscular) em idosos?
A sarcopenia é a perda involuntária de massa muscular que ocorre com o envelhecimento, levando a quedas e perda de independência. A creatina age retendo água dentro da célula muscular (hidratação intracelular), o que sinaliza para o corpo sintetizar mais proteínas.
Pesquisas na Medicine & Science in Sports & Exercise mostram que idosos que suplementam creatina, mesmo com exercícios leves, mantêm mais massa magra e força óssea do que aqueles que tomam placebo. É uma ferramenta de sobrevivência para garantir autonomia na terceira idade.
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A Creatina destrói os rins?
Este é o maior mito da nutrição esportiva, nascido de uma confusão na leitura de exames. O subproduto da creatina é a creatinina, que é eliminada pelos rins. Quando você toma o suplemento, seus níveis de creatinina no sangue sobem naturalmente, mas isso não significa dano renal, apenas que seu corpo está processando mais do composto.
A Mayo Clinic e a National Kidney Foundation afirmam que a creatina é segura para pessoas com rins saudáveis. Apenas indivíduos com doença renal crônica pré-existente devem ter cautela e acompanhamento médico.
No vídeo a seguir, o Dr. José Bento, com 1 milhão de seguidores, fala um pouco sobre a creatina:
Qual é o protocolo correto de uso (Cronograma)?
Não é necessário fazer “ciclos” ou a famosa fase de “saturação” (tomar doses altas na primeira semana) se você não tiver pressa.
Siga este guia simples e eficaz:
- Dose Diária: 3g a 5g por dia (uma colher de chá cheia).
- Consistência: Tome todos os dias, inclusive nos dias em que não treinar. O efeito é crônico (acumulativo), não agudo.
- Horário: Indiferente, mas tomar junto com uma fonte de carboidrato (almoço ou pós-treino) ajuda na absorção.
- Hidratação: Beba um pouco mais de água, pois a creatina puxa líquidos para dentro do músculo.










