Uma serra que lembra um castelo feudal, um pico de 2.039 metros com mata única no planeta e uma gruta que guarda vestígios humanos de 5 mil anos. Castelo, no sul do Espírito Santo, transformou geografia, pré-história e devoção italiana em uma das identidades mais peculiares do interior capixaba.
Como uma serra em forma de castelo batizou a cidade
A origem do nome tem raiz aventureira. Segundo a Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur-ES), o topônimo remonta aos primeiros aventureiros que chegaram à região em busca de ouro no período colonial. Segundo relatos históricos, um desses exploradores avistou uma formação montanhosa que lembrava um castelo medieval de estilo feudal, e o nome passou a acompanhar o povoado que crescia aos pés da serra.
A geografia acompanhou a alcunha. A cidade é cercada por montanhas, vales e cachoeiras, com clima ameno que varia entre 23°C nos dias mais quentes e cerca de 5°C nas madrugadas de inverno. A população se formou majoritariamente por descendentes de imigrantes italianos, cuja influência permanece viva na cultura, na gastronomia e nas tradições religiosas do interior.
Emancipada oficialmente em 25 de dezembro de 1928, Castelo tem cerca de 37 mil habitantes distribuídos em 664 km² a 145 km da capital Vitória. A economia gira em torno da cafeicultura serrana, do turismo rural e do agroturismo, com dois parques estaduais, dezenas de cachoeiras e um dos principais berços de esportes de aventura do Espírito Santo.

A maior floresta de altitude do mundo fica no Forno Grande
O principal cartão-postal natural tem endereço marcado. Segundo o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), o Pico do Forno Grande tem 2.039 metros de altitude e é o segundo ponto mais alto do Espírito Santo, atrás apenas do Pico da Bandeira, na divisa com Minas Gerais. Do topo é possível avistar de um lado a serra do Caparaó e do outro o mar e as cidades litorâneas capixabas.
A área de proteção tem trajetória antiga. Segundo a Prefeitura, o local foi criado em 31 de outubro de 1960 como Reserva Florestal e transformado em Parque Estadual do Forno Grande em 1998, pela Lei nº 7.528. O parque tem 730 hectares e está sob administração do IEMA desde setembro de 2007, com trilhas gratuitas mediante agendamento prévio e horário controlado de saída.
O topo guarda um recorde reconhecido. Segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, no cume do Pico do Forno Grande está uma mata com cerca de 300 metros que, segundo o pesquisador Augusto Ruschi, trata-se da maior floresta de altitude do mundo. O local abriga espécies ameaçadas de extinção como a onça-parda, a jaguatirica e o macaco mono-carvoeiro, além de orquídeas e bromélias raras que se desenvolvem sobre o musgo das pedras.
Uma gruta com 5 mil anos de história humana
A pré-história do estado começa aqui. Segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, a Gruta do Limoeiro é patrimônio histórico estadual e a mais importante área de estudos sobre a pré-história do Espírito Santo. Pesquisas comprovam vestígios da presença humana no local desde 5.000 anos atrás.
A geologia da caverna também é rara. A cavidade apresenta características diferentes das demais grutas do estado, com formação particular de espeleotemas surgidos pela solidificação da água ao longo de milhares de anos. No interior é possível observar cortinas, estalactites, estalagmites e travertinos, esculpidos gota a gota em silêncio absoluto.
A entrada é imponente. A gruta fica a 15 km do centro urbano e tem um paredão superior com 30 metros de altura, formando um pórtico natural que antecede os salões internos. É uma das poucas cavernas do Sudeste com relevância arqueológica reconhecida e sítio de referência para estudos sobre povoamento humano no litoral brasileiro.
O Havaí do Parapente e as rampas premiadas do interior
A geografia acidentada também virou vitrine para esportes aéreos. Segundo a Prefeitura, a Rampa de Ubá, situada a 28 km da sede do município na comunidade de Córrego de Ubá, foi palco das maiores competições de voo livre realizadas no céu do Espírito Santo, incluindo etapas nacionais e internacionais. As condições de voo, a natureza no entorno e a paisagem montanhosa levaram os pilotos a batizar o local como o Havaí do Parapente.
A localidade não é a única. A cerca de 12 km da sede, na zona rural, fica a Rampa de Apeninos, próxima à Pedra do Dedo e ao Morro da Joeba, com 512 metros de altitude. A região reúne condições ideais para asa-delta e parapente, com correntes térmicas constantes e mata atlântica preservada em pleno vale do Prata.
O calendário esportivo se mistura ao religioso. A cidade também é reconhecida pela Festa de Corpus Christi, com tapetes coloridos desenhados com pedras, palhas e materiais reciclados no centro histórico. A celebração faz parte das Sete Maravilhas do Município, ao lado da Cachoeira do Pedregulho, do Casarão da Fazenda do Centro, da Gruta do Limoeiro, do Parque Estadual do Forno Grande, da Igreja Matriz e do Santuário de Aracuí.
O que fazer entre picos, grutas e rampas de voo livre
O roteiro combina natureza preservada, pré-história e esportes de aventura em raio curto. A maioria das atrações fica em áreas rurais do município.
- Parque Estadual do Forno Grande: 730 hectares com o segundo ponto mais alto do estado, trilhas gratuitas e a maior floresta de altitude do mundo segundo Augusto Ruschi.
- Gruta do Limoeiro: patrimônio estadual com vestígios humanos de 5 mil anos, salões internos e paredão de 30 metros na entrada.
- Cachoeira do Forno Grande: queda de cerca de 30 metros dentro do parque estadual, mais intensa nos meses de verão.
- Poços Amarelos: piscinas naturais de coloração dourada em pleno parque estadual, com trilha guiada pelo IEMA.
- Rampa de Ubá: base histórica de competições nacionais e internacionais de voo livre, apelidada de Havaí do Parapente.
- Parque Estadual Mata das Flores: unidade de conservação de 800 hectares cercada por cafezais, criada em 1992.
- Santuário de Aracuí: um dos principais destinos religiosos do sul capixaba, integra as Sete Maravilhas do município.
A mesa italiana da serra capixaba
A gastronomia acompanha a herança dos imigrantes italianos que colonizaram a região no fim do século XIX. Cantinas rurais e restaurantes de fazenda dominam o interior.
- Massas caseiras: raviólis, capeletes e nhoques feitos em cantinas familiares com receitas passadas por gerações.
- Frango caipira: prato de fogão a lenha servido com polenta e temperos italianos.
- Cafés especiais: produção regional de altitude reconhecida em concursos, servida em cafeterias rurais e feiras locais.
- Socol: embutido de origem italiana produzido no interior capixaba, curado com temperos e maturação lenta.

Como é o clima de Castelo durante o ano?
A cidade tem clima ameno de montanha, com verões chuvosos e invernos secos e frios. A altitude entre a sede e os picos garante variações grandes de temperatura ao longo do dia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do castelo capixaba
Castelo fica a cerca de 145 km de Vitória, com acesso pela BR-262 até Venda Nova do Imigrante e depois pela Rodovia Pedro Cola por mais 36 km. De Cachoeiro de Itapemirim, o acesso principal é pela Rodovia ES-482. O Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória, é a principal porta aérea, com linhas de ônibus diárias saindo da capital para o interior serrano.
O castelo que a montanha construiu
Poucos destinos brasileiros combinam a maior floresta de altitude do mundo, uma gruta com vestígios humanos de 5 mil anos e rampas de voo livre premiadas em raio tão curto. Castelo transformou geografia, pré-história e devoção em identidade cultural única no sul capixaba.
Você precisa conhecer Castelo e subir ao Pico do Forno Grande para entender por que a montanha em forma de castelo deu nome a uma cidade inteira.




