A Desnutrição Infantil representa um desafio crítico em todo o mundo, impactando negativamente o desenvolvimento cognitivo e físico das crianças. Esse problema de saúde pública ocorre quando há ingestão insuficiente de nutrientes essenciais ou dificuldade na assimilação, prejudicando o crescimento, a imunidade e a saúde geral, podendo deixar sequelas ao longo de toda a vida.
Quais são os sinais e sintomas da desnutrição em crianças?
Para identificar a desnutrição, devem-se observar sinais como a perda de peso contínua e o crescimento desacelerado em comparação com os padrões normais para a idade. A criança pode apresentar ainda perda de massa muscular, menor resistência a doenças e atraso no desenvolvimento motor e escolar.
Em estágios mais severos, surgem apatia, irritabilidade e fadiga extrema, além de maior propensão a infecções recorrentes. Pele seca, cabelos quebradiços, inchaço em partes do corpo e feridas que demoram a cicatrizar indicam deficiência de proteínas e outros nutrientes vitais.
Para compreender melhor os efeitos da desnutrição no corpo, assista ao vídeo a seguir, no qual o Domingo Espetacular aborda o tema de forma clara e didática.
Quais são as principais causas da desnutrição infantil?
Diversos fatores podem levar à desnutrição infantil, como falta de alimentos ricos em nutrientes, dificuldades econômicas e más condições de saneamento que favorecem doenças e infecções. Em muitos países em desenvolvimento, recursos limitados, insegurança alimentar e alta carga de doenças infecciosas agravam o problema.
Além das causas socioeconômicas, há condições médicas que comprometem a absorção de nutrientes, mesmo com ingestão adequada de calorias. Entre elas, destacam-se Doença Celíaca, fibrose cística, alergias alimentares graves e doenças intestinais crônicas, que exigem acompanhamento especializado.

Como é feita a classificação da desnutrição infantil?
A desnutrição infantil é classificada de acordo com a severidade e o tipo de deficiência nutricional. O marasmo é caracterizado por uma deficiência calórica global, enquanto o kwashiorkor resulta de ingestão inadequada de proteínas com calorias parcialmente adequadas, causando sintomas como edema e problemas hepáticos.
Outras classificações incluem o estado kwashiorkor marasmático, em que há emaciação e retenção de líquidos, agravando o quadro clínico. Já a desnutrição por micronutrientes envolve deficiência de vitaminas e minerais essenciais, podendo ocorrer sem perda significativa de peso, mas com grande impacto na imunidade e no desenvolvimento.
Como funciona o tratamento e a recuperação da desnutrição infantil?
A recuperação de uma criança desnutrida requer manejo cuidadoso, frequentemente seguindo protocolos de organizações internacionais de saúde. A fase inicial foca em estabilizar o metabolismo, corrigir desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e hipoglicemia, além de tratar possíveis complicações agudas.
Após a estabilização, introduzem-se alimentos terapêuticos e fórmulas específicas para promover ganho de peso e recuperação da função intestinal. Em casos graves, podem ser necessários antibióticos para infecções subclínicas, suplementação de vitaminas e minerais e acompanhamento multiprofissional com pediatra, nutricionista e assistente social.
Quais são as principais estratégias de prevenção e proteção contra a desnutrição?
Prevenir a desnutrição infantil requer ações conjuntas que envolvem família, serviços de saúde e políticas públicas. Além de garantir alimentação diversificada e balanceada, é essencial promover o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado com alimentação complementar adequada.
Algumas práticas e estratégias são fundamentais para reduzir o risco de desnutrição e detectar precocemente alterações no estado nutricional das crianças:
- Monitorar peso e altura regularmente, seguindo curvas de crescimento recomendadas.
- Garantir vacinação em dia e acesso à água potável e saneamento básico.
- Oferecer alimentação variada, com frutas, legumes, proteínas, grãos e fontes de ferro.
- Investir em educação nutricional para pais e cuidadores, orientando escolhas saudáveis.
- Fortalecer programas sociais e de segurança alimentar em populações vulneráveis.
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








