Um avião cai no meio da selva amazônica. Uma enchente ilha famílias em cima dos telhados. Um montanhista some numa serra sem estrada por perto. Quando o resgate exige chegar onde quase ninguém consegue, a Força Aérea Brasileira aciona uma tropa específica, treinada para saltar, mergulhar, escalar e sobreviver dias em ambiente hostil só para trazer alguém de volta com vida. É o PARA-SAR, e entrar nele é uma das provas mais duras do país. Veja abaixo o que essa unidade faz, como ela alcança qualquer canto do território, por que a seleção reprova quase todo mundo e um detalhe surpreendente sobre como ela realmente chega ao local do resgate.
O que é o PARA-SAR?
É o esquadrão de elite da FAB feito para salvar vidas em situações extremas.
O nome oficial é Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, e a sigla une “PARA”, de paraquedistas, com “SAR”, do inglês Search and Rescue, ou busca e salvamento. Sediado na Base Aérea de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o esquadrão foi criado em 1963 e reúne operadores especializados em paraquedismo militar, mergulho, montanhismo, sobrevivência e resgate de alto risco. Sua missão principal é socorrer sobreviventes de acidentes aéreos, mas vai muito além disso, passando por apoio a desastres naturais, ações humanitárias, operações especiais e até contraterrorismo. Diferente da tropa de elite mais famosa do cinema brasileiro, essa aqui não persegue criminosos, ela existe para uma frase que virou lema: “Para que outros possam viver”.

Como ele chega a qualquer ponto do Brasil?
A resposta não está em um único quartel, mas em uma rede espalhada pelo país.
O PARA-SAR é o núcleo que forma e padroniza os resgatistas de toda a Força Aérea. A partir dele, o Brasil mantém sete equipes de busca e salvamento distribuídas em bases estratégicas, integradas aos esquadrões de helicópteros: Manaus, Recife, Pirassununga, Rio de Janeiro, Santa Maria, Natal e Belém, todas doutrinadas pelo próprio esquadrão. Essa capilaridade é o que permite responder rápido em regiões distantes de um país de dimensões continentais. Ainda assim, o tempo de chegada depende da distância e das aeronaves disponíveis, então “em horas” é o objetivo perseguido, sustentado por essa estrutura espalhada de norte a sul.
O detalhe surpreendente: a tropa que resgata não tem aviões
Este é o ponto que contraria a imagem que a maioria tem da unidade.
Ao imaginar uma tropa aérea de elite, é natural pensar em esquadrões com seus próprios caças ou helicópteros de resgate. No caso do PARA-SAR, não é assim. O esquadrão não possui aeronaves próprias, e seus operadores são transportados por outros esquadrões da FAB até o local onde precisam agir, atuando em conjunto com unidades de aviação. Em outras palavras, o poder do PARA-SAR não está na máquina, e sim no fator humano: são as pessoas, o treinamento e as técnicas que fazem a diferença quando saltam de uma aeronave emprestada em direção a um cenário de catástrofe. É essa engrenagem, gente altamente preparada mais o transporte de esquadrões parceiros, que coloca o resgatista no ponto exato da emergência.
Por que a seleção é uma das mais duras do país?
Porque ela foi desenhada para reprovar quase todos os candidatos.
A porta de entrada é o Curso de Comandos de Força Aérea, realizado desde 1994, no qual militares de outras unidades da FAB são testados até o limite físico e psicológico. Quem conclui recebe o título de “Pastor”, acompanhado de um número que reflete quão poucos chegam ao fim: um dos comandantes recentes do esquadrão, por exemplo, carregava o número 178, resultado de mais de três décadas de cursos. O treinamento dura cerca de três meses e costuma formar apenas um punhado de concludentes por turma. E ele é só o começo, porque depois vêm as especializações que transformam o militar em resgatista completo:
- Busca e salvamento: técnicas de localização, primeiros socorros e evacuação de vítimas em cursos oficiais da própria FAB.
- Selva: sobrevivência na Amazônia, aprendendo a extrair água e alimento da mata para durar dias isolado.
- Montanha: escalada e resgate em terrenos de difícil acesso e grande altitude.
- Mergulho e salto livre: resgate em água e domínio do paraquedismo de precisão.
O ideal que resume tudo isso, repetido dentro da tropa, é “viver como poucos e ir além dos demais”, uma lógica que lembra o velho provérbio de que a força de uma tropa depende do preparo de quem a compõe.
Que tipo de resgate o PARA-SAR já fez?
A folha de serviços da unidade mistura tragédias aéreas e desastres naturais.
Ainda nos primeiros anos, em 1967, operadores resgataram sobreviventes de uma tragédia aérea na Amazônia, um feito que virou símbolo da unidade. Décadas depois, o esquadrão atuou na busca do voo Gol 1907, que caiu em 2006, e em grandes emergências humanitárias, como as enchentes de Pernambuco em 2010, quando resgatistas retiraram pessoas de cima dos telhados com guincho e levaram comida e remédios a moradores ilhados. São operações que mostram por que o preparo extremo faz sentido: quando a natureza ou um acidente empurram alguém para o limite, é essa tropa que assume o risco de ir buscar quem ninguém mais consegue alcançar.

O que convém lembrar sobre o PARA-SAR
O PARA-SAR, nome popular do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, é a principal tropa de elite da Força Aérea Brasileira voltada a busca e salvamento, criada em 1963 e hoje sediada em Campo Grande, com a missão de resgatar sobreviventes de acidentes aéreos, apoiar desastres naturais e cumprir operações especiais sob o lema “Para que outros possam viver”. Sua capacidade de alcançar qualquer região do país não vem de um único quartel, mas de uma rede de sete equipes de resgate distribuídas em bases de norte a sul, todas treinadas pelo esquadrão. O detalhe curioso é que a unidade não tem aeronaves próprias e depende de outros esquadrões para chegar ao local, o que reforça que seu maior ativo é o preparo humano. Formado por uma seleção que reprova quase todos os candidatos e exige domínio de selva, montanha, mergulho e paraquedismo, o operador do PARA-SAR encarna a ideia de colocar a própria vida em risco para salvar a de um desconhecido, como já fez em tragédias aéreas e enchentes ao longo de mais de seis décadas.
Este conteúdo tem caráter informativo e histórico, com base em fontes oficiais da Força Aérea Brasileira. Detalhes de estrutura, efetivo e operações podem mudar conforme a doutrina militar vigente. Para informações atualizadas sobre a unidade e seus cursos, consulte os canais oficiais da FAB.


