Vistos do alto, os Lençóis Maranhenses parecem um deserto: dunas brancas que se estendem até onde a vista alcança. Mas, depois das chuvas, a paisagem muda. Entre as dunas surgem lagoas de água doce, azuis e verdes, que podem ficar cheias por meses e depois sumir. Esse fenômeno raro, no litoral do Maranhão, levou o parque nacional a ser reconhecido como patrimônio natural de toda a humanidade, um título que o Brasil não recebia havia mais de duas décadas.
Por que os Lençóis Maranhenses viraram patrimônio mundial?
Pela beleza e pela geologia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi incluído na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 26 de julho de 2024, durante reunião em Nova Délhi, na Índia, com base em critérios ligados à beleza natural e às características geomórficas, ou seja, às formas do relevo.
Foi um marco para o país. O ministério registra que foi a primeira vez em 23 anos que o Brasil teve um patrimônio natural reconhecido, e que, com os Lençóis, o país passou a somar 24 títulos de Patrimônio Mundial, entre culturais, naturais e misto. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão, a documentação da candidatura havia sido concluída em 2018.

Como se formam as lagoas entre as dunas?
Com a chuva e a água do subsolo. O Ministério do Meio Ambiente informa que cerca de 57% da área do parque é formada por dunas, com lagoas de água doce permanentes e temporárias, abastecidas pela chuva e pela variação do lençol freático, a água acumulada no subsolo. Quando chove muito, essa água aflora nos vales entre as dunas.
O ciclo se repete todos os anos. Segundo o Instituto Semeia, as lagoas não são sempre iguais, porque sua formação está totalmente ligada à quantidade de chuva. Em anos mais chuvosos, elas ficam maiores e mais numerosas; em anos secos, diminuem. Essa variação faz com que o visitante encontre uma paisagem diferente a cada temporada.
Como as lagoas aparecem e desaparecem?
O processo acompanha as estações do ano. Estes são os principais passos.
Qual é o tamanho do parque?
Enorme. Segundo o Instituto Semeia, o parque foi criado em 2 de junho de 1981 e tem cerca de 156 mil hectares, com formações de dunas que guardam uma história de mais de 10 mil anos. O ministério lembra que ele fica em uma zona de transição entre o Cerrado, a Caatinga e a Amazônia, e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O parque também tem moradores. O Instituto Semeia destaca que as pessoas que vivem no território têm relação histórica com o lugar, e que a convivência entre conservação e comunidades tradicionais faz parte da gestão da área. Para o visitante, isso significa encontrar, entre as dunas, pequenos povoados de moradores tradicionais.

Como é o clima nos Lençóis Maranhenses ao longo do ano?
O calor é constante, e a chuva se concentra no primeiro semestre. Em Barreirinhas, principal porta de entrada do parque, abril registra 306 mm em média, enquanto setembro tem apenas 6 mm, e as temperaturas ficam entre 24°C e 32°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, com dados de Barreirinhas. Condições podem variar.
Um deserto que se enche de água
Os Lençóis Maranhenses mostram que a natureza pode criar paisagens que desafiam a lógica. Dunas que lembram um deserto recebem chuva suficiente para formar lagoas de água doce, alimentadas também pelo lençol freático, e o cenário muda a cada estação. Reconhecido pela UNESCO em 2024, o parque é hoje um dos símbolos naturais do Brasil para o mundo.
Você precisa caminhar pelas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses, mergulhar em uma lagoa de água doce no meio da areia e ver o sol se pôr sobre o horizonte de dunas para entender por que esse lugar é patrimônio de toda a humanidade.
