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Início Curiosidades

Pesquisadores analisaram 2.783 alimentos para crianças pequenas e 81% eram ultraprocessados

Por Bruno Vaz
23/08/2026
Em Curiosidades
alimentos ultraprocessados

Fórmulas infantis, bebidas e purês normalmente usados como primeiros alimentos ficaram fora da análise.

A embalagem diz que é para crianças pequenas, mas o corredor infantil pode esconder bem mais produtos industriais do que os pais imaginam. Uma análise de 2.783 itens mostrou como os alimentos ultraprocessados dominam essas prateleiras nos EUA e onde o rótulo entrega os principais sinais. Há, porém, uma ressalva importante sobre esses resultados.

O número de 81% veio de 21 supermercados

Pesquisadores fotografaram as seções de alimentos para bebês e crianças pequenas em 21 supermercados de Austin, no Texas. Depois, reuniram informações nutricionais e listas de ingredientes de 2.783 produtos vendidos para crianças entre 6 e 36 meses, distribuídos em 11 categorias.

Fórmulas infantis, bebidas e purês normalmente usados como primeiros alimentos ficaram fora da análise. Aplicando o sistema Nova, que classifica alimentos pelo grau e pelo tipo de processamento, a equipe identificou 81% dos produtos como ultraprocessados. Mas processamento não foi o único critério colocado à prova.

alimentos ultraprocessados
A embalagem diz que é para crianças pequenas, mas o corredor infantil pode esconder bem mais produtos industriais do que os pais imaginam.

Quase metade ultrapassou algum limite nutricional

Os pesquisadores também compararam os rótulos com o modelo nutricional da Organização Mundial da Saúde para alimentos comerciais destinados a crianças pequenas. No total, 49% ultrapassaram pelo menos um limite relacionado a açúcar, sódio, gordura ou densidade energética.

É importante não tratar esses números como reprovação segundo uma regra obrigatória dos Estados Unidos. A equipe usou como referência o modelo criado pela OMS para orientar alimentos comerciais destinados a crianças de 6 a 36 meses. E um dos resultados mais curiosos apareceu justamente quando os pesquisadores separaram processamento de nutrientes.

Nutrição • Saúde Pública Limites Nutricionais Excedidos Percentual de produtos que violaram os parâmetros de saúde
🧂
25% Acima em Sódio Ultrapassaram o parâmetro de referência estipulado para teor de sódio.
🍬
17% Excesso de Açúcar Ficaram acima do limite recomendado para a quantidade de açúcar.
⚡
12% Densidade Energética Excederam o padrão estabelecido para a concentração calórica.
🧈
11% Excesso de Gordura Ultrapassaram a marca limite estipulada para a taxa de gorduras.
🥗 Perfil Nutricional • Análise de Alimentos

O sódio apareceu mais vezes que o açúcar

O sódio foi o problema mais frequente, aparecendo acima do parâmetro em um de cada quatro produtos. Entre os exemplos citados estavam macarrão com queijo e snacks de peru, enquanto alguns salgadinhos à base de queijo ou amendoim também ultrapassaram limites de calorias ou gordura.

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Mas há uma diferença importante. Os ultraprocessados não apresentaram maior chance de ultrapassar o limite de sódio do que os produtos menos processados, enquanto a relação com açúcar foi muito mais clara. Itens acima do parâmetro de açúcar tiveram aproximadamente quatro vezes mais chance de serem ultraprocessados.

Leia também: O que é percarbonato de sódio, para que serve em casa, e qual a diferença entre ele e o bicarbonato de sódio?

Ultraprocessado não significa pior em todos os nutrientes

A própria análise mostrou por que olhar apenas uma palavra no rótulo pode simplificar demais a escolha. Alguns produtos menos processados ultrapassaram parâmetros de gordura ou calorias porque continham ingredientes como nozes ou carne, alimentos naturalmente mais densos em energia e que também fornecem outros nutrientes.

Já em parte dos ultraprocessados, molhos, queijos processados e outras formulações aumentavam gordura ou densidade energética sem a mesma explicação. Na prática, grau de processamento e perfil nutricional são informações diferentes e precisam ser lidas juntas. Isso também evita transformar um levantamento americano em uma regra automática para qualquer supermercado.

alimentos ultraprocessados
É importante não tratar esses números como reprovação segundo uma regra obrigatória dos Estados Unidos

Os dados ainda são preliminares

O trabalho foi apresentado na NUTRITION 2026, encontro anual da American Society for Nutrition. Até agora, os resultados foram divulgados como pesquisa apresentada em congresso, e não como um artigo completo publicado após revisão por pares; a própria pesquisadora Erin Hudson informou que o manuscrito estava sendo preparado.

Isso não torna os números irrelevantes, mas muda o peso que deve ser dado a eles. Além disso, os produtos foram encontrados em lojas de Austin, nos Estados Unidos, então não é correto concluir que 81% dos alimentos infantis vendidos no Brasil também sejam ultraprocessados. O dado vale para a amostra estudada.

O que os pais podem observar no rótulo

Em vez de assumir que um produto é adequado só porque está na seção infantil, vale conferir ingredientes e tabela nutricional. A divulgação da Universidade do Texas sobre a pesquisa reforça justamente essa necessidade de olhar além das promessas da embalagem.

  1. Compare o sódio entre produtos parecidos.
  2. Procure açúcar adicionado e ingredientes adoçantes.
  3. Observe listas muito longas com aditivos e ingredientes industriais.
  4. Compare o produto com opções simples que a criança já consome em casa.

Para entender os parâmetros usados pelos pesquisadores, também é possível consultar o modelo nutricional da OMS para alimentos de crianças pequenas. O ponto prático é simples: o desenho infantil da embalagem não substitui a leitura do rótulo.

Tags: AlimentoscriançasnutriçãoSaúde
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