A técnica de assentar piso sobre piso tornou-se a queridinha das reformas rápidas por eliminar a etapa mais barulhenta, cara e suja da obra: a demolição do revestimento antigo. No entanto, embora economize tempo e caçambas de entulho, essa sobreposição cria uma nova camada de espessura no chão que afeta diretamente a marcenaria da casa, exigindo ajustes obrigatórios em portas e rodapés para evitar que o ambiente fique funcionalmente travado.
O problema inevitável da altura
Ao colar um novo revestimento sobre o existente, você não está adicionando apenas a espessura da nova cerâmica ou porcelanato. É preciso somar a camada de argamassa especial (que costuma ser mais robusta para garantir a aderência) e o próprio piso. Isso resulta em uma elevação do nível do chão que varia, em média, de 1,5 a 2,5 centímetros.
Pode parecer pouco, mas essa diferença é suficiente para eliminar a folga padrão que existe entre a folha da porta e o chão. Se esse detalhe for ignorado no planejamento, as portas simplesmente não abrirão após a secagem da argamassa, ou arrastarão no chão, riscando o material novo imediatamente.

A solução para as portas: o refile
A instalação de piso sobre piso exige quase sempre a contratação de um marceneiro ou carpinteiro. Todas as portas do ambiente renovado precisarão ser retiradas das dobradiças e cortadas na base (refiladas) para compensar a nova altura do chão.
Esse ajuste deve ser preciso. Se cortar de menos, a porta trava; se cortar demais, cria-se uma fresta grande que permite a passagem de correntes de ar, poeira e insetos. Em portas de madeira maciça, o processo é simples, mas em portas ocas ou de materiais sintéticos, o corte pode expor a estrutura interna, exigindo acabamento extra. Além disso, portas de vidro temperado não podem ser cortadas, o que inviabiliza o piso sobre piso nesses casos, a menos que se altere o pivô ou os trilhos superiores.
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O que fazer com os rodapés antigos?
Um erro estético gravíssimo na sobreposição é manter o rodapé antigo e tentar colar o novo piso encostado nele. Isso cria um visual de “piso afundado”, onde o rodapé parece estar enterrado, além de gerar uma junta difícil de limpar e propensa a infiltrações.
Para um acabamento profissional, existem duas saídas:
- Remoção: Arrancar os rodapés antigos antes de assentar o piso novo e instalar rodapés novos sobre o nível atualizado.
- Sobreposição: Utilizar rodapés de poliestireno específicos para reforma, que são desenhados com um vão na parte traseira para “encapar” o rodapé antigo de cerâmica ou madeira sem precisar quebrá-lo.

Atenção aos desníveis e soleiras
Outro ponto de atenção é a transição entre cômodos. Se você aplicar piso sobre piso apenas na sala e deixar os quartos com o piso original, criará um “degrau” (ressalto) na entrada de cada quarto. Isso não é apenas antiestético, mas um risco real de tropeços para idosos e crianças.
Nesses casos, é necessário instalar soleiras em rampa ou perfis de transição metálicos que suavizem o desnível, garantindo a acessibilidade e a segurança da circulação entre os ambientes reformados e os originais.
Quando a técnica não é recomendada?
Apesar da praticidade, o piso sobre piso não serve para qualquer situação. Antes de aplicar, é vital percutir (bater) no piso antigo. Se o revestimento original estiver oco, solto ou estufado, ele não suportará o peso da nova camada e tudo se soltará em pouco tempo. Nesses casos, a remoção do piso antigo não é opcional, é obrigatória para a integridade da obra.










