A hora da bruxaria é o terror dos pais recém-nascidos: aquele choro inconsolável que começa pontualmente no fim da tarde e parece não ter fim. Embora muitos confundam com dor física, a ciência explica que esse fenômeno é, na maioria das vezes, um colapso do sistema nervoso imaturo, que “enche o balde” de estímulos e precisa transbordar para aliviar a pressão.
Por que o choro descontrolado só acontece no fim do dia?
Imagine que o cérebro do seu bebê é um copo pequeno. Durante o dia, cada luz, som, cheiro, toque e interação vai enchendo esse copo. Como o bebê não possui filtros mentais para ignorar o ambiente (como nós fazemos com o barulho da rua), ele absorve tudo com intensidade máxima.
Quando chega entre 17h e 19h, o “copo” transborda. O choro da hora da bruxaria é a única válvula de escape que a criança possui para processar e descarregar a adrenalina acumulada. É uma fadiga biológica, não comportamental; o bebê não está sendo “difícil”, ele está saturado.
No vídeo a seguir, o canal Manual do Recém-Nascido, com mais de 790 mil inscritos, fala um pouco sobre o assunto:
Como diferenciar essa crise de uma cólica real?
A confusão é comum porque o bebê estressado também enrijece o corpo. A diferença principal está na causa raiz: a cólica é gastrointestinal e vem em ondas de dor aguda, enquanto a hiperestimulação é um estado de irritabilidade constante que cessa quase instantaneamente se o ambiente for “desligado”.
Dados sobre o comportamento infantil publicados na National Library of Medicine mostram que o pico desse choro ocorre por volta das 6 semanas de vida e tende a desaparecer aos 3 meses, coincidindo exatamente com o amadurecimento das sinapses inibitórias do cérebro.

Quais os sinais de que o balde sensorial encheu?
Antes da explosão do choro, o bebê dá sinais sutis de que está chegando ao limite. Identificar esses avisos permite que você inicie o ritual de calma antes que o cortisol tome conta do organismo dele.
Use a tabela abaixo para diagnosticar o estado do seu filho:
O que a ciência diz sobre essa imaturidade nervosa?
O recém-nascido nasce com o sistema nervoso parassimpático (que acalma) subdesenvolvido. Ele depende inteiramente da corregulação de um adulto para voltar ao estado de equilíbrio. Sozinho, ele não consegue “baixar a guarda”.
Esse choro é fisiológico. Estudos antropológicos mostram que bebês de diversas culturas apresentam esse pico de irritabilidade no fim do dia, sugerindo que é uma etapa evolutiva de organização mental, e não um problema médico que precisa de remédio.
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Como ajudar o bebê a esvaziar a mente antes de explodir?

A prevenção é o melhor remédio. Se você sabe que a crise começa às 18h, inicie um “blackout sensorial” às 16h30. Reduza as luzes da casa, desligue a TV e fale baixo. O objetivo é parar de colocar água no copo que já está quase cheio.
Veja alguns detalhes:
- Banho terapêutico: Água morna ajuda a relaxar a tensão muscular causada pelo cortisol.
- Ruído constante: O som do útero (white noise) abafa os barulhos externos que irritam o bebê.
- Contenção: O charutinho (swaddle) impede que os próprios movimentos desordenados do bebê o assustem ainda mais.
Entender a hora da bruxaria muda sua perspectiva. Em vez de se desesperar achando que o bebê sente dor, você assume o papel de “amortecedor de mundo”, protegendo-o do excesso de vida que ele ainda não consegue digerir.










