Tentar ser discreto em público pode custar caro: prender o espirro redireciona uma força explosiva de volta para as vias aéreas superiores, transformando suas cavidades nasais em uma panela de pressão. Ao fechar a saída natural (boca e nariz), você obriga o ar comprimido a buscar rotas de fuga perigosas, colocando tímpanos e tecidos delicados em risco imediato de trauma físico.
Por que a pressão interna se torna tão destrutiva?
Um espirro é um mecanismo de defesa potente projetado para expulsar irritantes a velocidades que podem ultrapassar 160 km/h. Quando você bloqueia essa saída, a pressão nas vias aéreas aumenta de 5 a 24 vezes mais do que num espirro normal, segundo especialistas da Cleveland Clinic.
Essa energia cinética não desaparece simplesmente; ela precisa ser absorvida pelo próprio corpo. O ar pressurizado rebate contra os tecidos moles da garganta, os seios da face e as tubas auditivas, criando um impacto interno súbito capaz de causar lesões estruturais que variam de desconfortos leves a emergências médicas.

O bloqueio pode realmente estourar seus tímpanos?
Sim, o sistema auditivo é frequentemente a primeira vítima dessa manobra arriscada. Ao impedir a saída do ar pelo nariz, a pressão é forçada através das Trompas de Eustáquio diretamente para o ouvido médio, empurrando o tímpano para fora com violência.
Médicos da University of Arkansas for Medical Sciences (UAMS) alertam que essa distensão súbita pode causar a ruptura da membrana timpânica. Além da dor intensa e da perda auditiva temporária ou permanente, esse tipo de lesão pode levar a infecções graves no ouvido médio devido à invasão de bactérias e muco.
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Quais são os riscos vasculares e oculares?
Além dos ouvidos, a microcirculação da cabeça sofre com o pico de pressão, podendo resultar em danos visíveis e dolorosos. O aumento súbito da pressão sanguínea intracraniana tensiona as paredes dos vasos mais frágeis, que não estão preparados para suportar tal carga.
Os efeitos colaterais comuns de conter essa explosão incluem:
- Rompimento de vasos nos olhos: Causando manchas vermelhas visíveis na parte branca do globo ocular (hemorragia subconjuntival).
- Sangramento nasal: A força do ar pode ferir a mucosa nasal, provocando epistaxe imediata.
- Dores de cabeça: A pressão nos seios da face pode desencadear cefaleias tensionais instantâneas.
- Tontura e vertigem: Causadas pela alteração de pressão no ouvido interno, afetando o equilíbrio.
No vídeo a seguir, com mais de 2 milhões de inscritos, o Dr Mohamad Saada, explica por que não se deve segurar o espirro:
É possível rasgar a garganta segurando o ar?
Embora raro, existem casos documentados na literatura médica de pessoas que sofreram perfurações na faringe ao segurar espirros. Um relatório famoso publicado no BMJ Case Reports descreveu um paciente que rompeu a parte de trás da garganta, resultando em bolhas de ar presas nos tecidos do pescoço e tórax, uma condição gravíssima.
Essa lesão ocorre porque a força do espirro contido é suficiente para separar camadas de tecido muscular. Se você sentir uma dor aguda no pescoço ou ouvir um som de “estalo” após segurar um espirro, a orientação médica é buscar atendimento de emergência imediatamente para descartar enfisema subcutâneo ou danos estruturais.
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Como espirrar com educação sem se machucar?
A etiqueta social não deve se sobrepor à segurança biológica; o segredo é amortecer o som e a dispersão, não bloquear o fluxo. A etiqueta respiratória recomendada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) envolve cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel ou com a parte interna do cotovelo.
Essa técnica permite que a pressão seja liberada do corpo de forma segura, protegendo seus órgãos internos, ao mesmo tempo que impede que gotículas de saliva e vírus sejam projetados sobre outras pessoas. Nunca aperte as narinas com os dedos enquanto estiver no meio do reflexo de espirro.










