Pode parecer contraditório, mas sentimos frio com febre justamente porque o cérebro decidiu aumentar a temperatura corporal para criar um ambiente hostil aos invasores. Essa sensação gélida é o sinal físico de que seu organismo está trabalhando intensamente para elevar seu calor interno até atingir um novo padrão de segurança definido pelo sistema imunológico.
Como o “termostato” do cérebro reage à infecção?
Tudo começa no hipotálamo, uma pequena região cerebral que funciona como o termostato central do nosso organismo, mantendo a temperatura estável em torno de 37°C. Quando vírus ou bactérias invadem o corpo, células de defesa liberam substâncias químicas chamadas pirogênios, que viajam até o cérebro e ordenam uma mudança drástica na regulação térmica.
Segundo especialistas da Mayo Clinic, o hipotálamo responde a esse alerta redefinindo o “ponto de ajuste” da temperatura para um nível mais alto, como 39°C ou 40°C. O objetivo biológico é simples: a maioria dos patógenos não consegue se reproduzir eficientemente em ambientes muito quentes, tornando a febre um mecanismo de defesa vital.

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Por que a sensação é de gelo se o corpo vai esquentar?
O frio intenso surge devido à discrepância temporária entre a temperatura atual do seu corpo e a nova meta estipulada pelo cérebro. Se o seu termostato interno foi subitamente ajustado para 39°C, mas seu corpo ainda está fisicamente a 37°C, o cérebro interpreta essa diferença como hipotermia relativa.
Informações da MedlinePlus explicam que, para corrigir esse “déficit” de calor, o sistema nervoso envia mensagens de urgência para que você se sinta congelando. É por isso que, mesmo estando quente ao toque para outras pessoas, o paciente febril busca desesperadamente cobertores e agasalhos para ajudar o corpo a subir a temperatura.
Qual a função dos tremores e calafrios?
Para atingir a nova temperatura exigida pelo hipotálamo, o corpo não depende apenas da sensação de frio, mas ativa mecanismos fisiológicos agressivos para gerar calor rapidamente. Os tremores que você sente são contrações musculares rápidas e involuntárias, projetadas para produzir energia térmica através da fricção interna dos tecidos.
Além dos tremores, o corpo executa outras manobras de conservação de calor listadas abaixo:
- Vasoconstrição: Os vasos sanguíneos da pele se contraem para desviar o sangue quente para os órgãos vitais, deixando as extremidades geladas e pálidas.
- Piloereção: Os pelos se arrepiam na tentativa (evolutiva) de criar uma camada de ar isolante sobre a pele.
- Inibição do suor: O corpo para temporariamente de transpirar para evitar a perda de calor por evaporação.
- Comportamento de busca: O desejo incontrolável de se enrolar na cama para reter o calor gerado.
No vídeo a seguir, o canal com mais de 40 mil inscritos, Banheira de conhecimento, explica um pouco sobre esse assunto:
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O que acontece quando a febre finalmente “quebra”?
O processo inverso ocorre quando a infecção é controlada ou quando você toma um medicamento antitérmico, fazendo o termostato do hipotálamo voltar ao normal (37°C). De repente, seu corpo, que estava aquecido a 39°C, percebe que agora está excessivamente quente em relação ao novo ajuste padrão.
Conforme detalhado pela Harvard Health Publishing, é nesse momento que o mecanismo de resfriamento entra em ação para dissipar o excesso de calor. Isso resulta na famosa sudorese profusa (suadeira) e na vasodilatação, que deixa a pele vermelha e quente, sinalizando que a febre está baixando e o equilíbrio térmico está sendo restaurado.










