Para muitas pessoas, a sensação de limpar os ouvidos com uma haste flexível após o banho é quase irresistível, um hábito de higiene considerado indispensável. No entanto, otorrinolaringologistas classificam este ato como uma das práticas domésticas mais perigosas para a saúde auditiva. Ao tentar limpar, você está, na verdade, interrompendo um mecanismo biológico perfeito e empurrando o problema para um lugar onde ele não deveria estar.
O mecanismo de autolimpeza interrompido
Ao contrário do que o senso comum dita, a cera (cerume) não é sujeira; é uma barreira de proteção. Ela lubrifica o canal auditivo, impedindo o ressecamento, e atua como uma rede que captura poeira, bactérias e pequenos insetos.
O ouvido humano possui um sistema de “esteira rolante” natural. A pele do canal auditivo cresce de dentro para fora, transportando a cera velha e a sujeira capturada para a abertura do ouvido, onde ela seca e cai sozinha durante a mastigação ou o banho. Quando você insere um objeto estranho no canal, você paralisa esse processo natural de expulsão.

O efeito “pilão”: empurrando a sujeira para o fundo
O diâmetro da ponta de uma haste flexível é quase do tamanho do canal auditivo. Quando você o introduz, pode até ver um pouco de cera amarela saindo na ponta, o que dá a falsa sensação de limpeza. Porém, a física mostra que você empurrou a maior parte da cera para o fundo, compactando-a contra o tímpano.
Segundo a Mayo Clinic, esse hábito é a causa número um da “impactação de cerume” (rolha de cera). Com o tempo, essa cera compactada endurece, causando zumbido, sensação de ouvido tapado e até perda auditiva temporária.
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Riscos de infecção e perfuração
A pele interna do ouvido é extremamente fina e sensível. O atrito constante das hastes flexíveis causa microfissuras que servem de porta de entrada para bactérias e fungos, levando à otite externa (uma infecção dolorosa).
Além disso, um movimento brusco acidental pode levar à perfuração do tímpano, uma lesão grave que pode exigir cirurgia. É um risco desnecessário para uma área que, fisiologicamente, não precisa ser esfregada.
Esse cuidado com a preservação das barreiras naturais do corpo é o mesmo princípio que devemos ter com a pele do rosto.
No vídeo a seguir, o Dr. Ricardo Araújo, com mais de 2 mil seguidores, fala o motivo para não limpar o ouvido com as hastes flexíveis:
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Como limpar corretamente?
A regra médica é simples: “Não coloque nada no seu ouvido que seja menor que o seu cotovelo”. A limpeza deve ser feita apenas na parte externa (o pavilhão auricular).
Veja detalhes a seguir:
- Após o banho, use a ponta da toalha para secar e limpar apenas a parte de fora e a entrada do canal, até onde o dedo alcança sem forçar.
- Não insira nada no canal.
- Se sentir que tem cera excessiva ou endurecida, não tente remover em casa. Procure um médico para fazer uma lavagem segura.










