Angelina Jolie mantém há mais de duas décadas uma ligação com a região de Samlaut, no noroeste do Camboja, onde apoia projetos de proteção ambiental e desenvolvimento comunitário. O trabalho começou após a adoção de Maddox e hoje envolve conservação de florestas, agricultura sustentável, saúde e geração de renda para moradores locais.
Como Angelina Jolie começou o projeto no Camboja
Jolie adotou Maddox no Camboja em 2002 e passou a conhecer de perto os problemas enfrentados pela região onde o filho nasceu. Segundo reportagem do La Nación, a atriz adquiriu 39 hectares próximos ao bosque de Samlaut em um momento em que a área sofria com caça furtiva, extração ilegal de madeira e degradação ambiental.
A atuação passou a ser organizada pela fundação criada por Jolie, atualmente chamada Maddox Foundation. A própria organização informa em sua cronologia oficial que o trabalho começou em 2003, inicialmente com ações ligadas à retirada de minas terrestres, antes de ampliar o foco para conservação, educação, saúde e meios de subsistência.
A área protegida é muito maior que os 39 hectares comprados
Os 39 hectares adquiridos pela atriz não correspondem ao tamanho total da floresta sob ações de conservação. A região integra a Samlaut Multiple Use Area, uma zona protegida de 60.994 hectares entre as províncias de Battambang e Pailin; atualmente, a fundação informa atuar na proteção de mais de 40 mil hectares dentro desse território.

Floresta abriga espécies ameaçadas e exige patrulhamento constante
Samlaut reúne uma biodiversidade relevante no Sudeste Asiático. A reportagem argentina cita cerca de 30 espécies de mamíferos e 140 espécies de aves, além de diferentes plantas encontradas na região, mas levantamentos posteriores ampliaram o conhecimento sobre a fauna que ainda depende dessa floresta.
Um levantamento realizado com participação da Fauna & Flora e do Ministério do Meio Ambiente do Camboja confirmou a presença de animais ameaçados, incluindo o elefante-asiático e o pangolim-de-sunda. A Maddox Foundation afirma que os dados do estudo passaram a orientar tanto o trabalho dos guardas quanto decisões sobre o uso das diferentes áreas de Samlaut.
O combate à caça continua fazendo parte da rotina. Segundo a fundação, patrulhas retiraram aproximadamente 7.800 metros de armadilhas de arame da floresta somente em 2025, mostrando que a conservação não depende apenas da criação formal de uma área protegida, mas de fiscalização contínua contra caça ilegal e ocupação irregular.
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Moradores locais passaram a fazer parte da estratégia
Um dos pontos centrais do modelo adotado em Samlaut é combinar proteção ambiental com emprego e renda. A organização afirma que sua equipe atual é formada integralmente por profissionais locais e trabalha em parceria com autoridades para patrulhar a floresta, recuperar áreas degradadas e ampliar a conscientização sobre a preservação dos recursos naturais.
A agricultura também entrou nesse processo. Produtores recebem orientação sobre práticas sustentáveis, enquanto programas de apicultura criaram uma fonte alternativa de renda ligada diretamente à manutenção da floresta; de acordo com a fundação, os apicultores locais produzem coletivamente entre 800 e 1.500 litros de mel por ano.
Projeto também avançou para saúde, educação e infraestrutura
Com o passar dos anos, a atuação deixou de se limitar à conservação. A Maddox Foundation informa apoiar instalações públicas de saúde que atendem mais de 10 mil moradores por ano, além de projetos de acesso à água, saneamento, escolas e capacitação de professores e estudantes em comunidades rurais.
Essa ampliação ajuda a explicar a lógica do projeto: reduzir a pressão sobre a floresta também exige enfrentar problemas econômicos e sociais que podem levar famílias a depender da caça, do corte de madeira ou da exploração excessiva do solo. O modelo passou, portanto, a tratar conservação e desenvolvimento como questões conectadas.
O que acontece agora em Samlaut
A proteção da região permanece em andamento, com patrulhamento, reflorestamento e revisão das regras de uso da Samlaut Multiple Use Area em parceria com autoridades cambojanas. Mais de duas décadas depois do início do projeto, o principal desafio continua sendo manter a floresta preservada ao mesmo tempo em que as comunidades encontram formas sustentáveis de viver e produzir dentro de uma região que ainda enfrenta caça, exploração ilegal de madeira e pressão sobre o território.




