Existe uma frase atravessada por séculos na tradição de sabedoria persa que, por sua simplicidade, nunca perdeu a força: “isto também passará”. Ela costuma vir acompanhada de uma imagem dupla — tanto a noite mais escura quanto o dia mais radiante são passageiros. É um ensinamento sobre paciência, impermanência e a estranha consolação de saber que nenhuma fase, boa ou ruim, dura para sempre.
A frase é frequentemente contada em uma antiga história: um rei pede a seus sábios uma sentença que sirva para todos os momentos da vida — que o console na tristeza e o equilibre na alegria. A resposta que recebe é justamente essa. E é exatamente essa dupla aplicação que torna o ensinamento tão poderoso.
Por que lembrar que “tudo passa” nos ajuda nos momentos difíceis?
Quando estamos no meio de uma dor — um luto, uma crise, uma fase de angústia —, a sensação mais comum é a de que aquilo não vai acabar nunca. O sofrimento tem essa característica cruel: ele se apresenta como permanente. E é aí que a sabedoria persa oferece um respiro.
Lembrar que “isto também passará” não elimina a dor, mas muda a relação com ela. Transforma um “isto é para sempre” em um “isto é uma fase”. E essa simples mudança de perspectiva costuma ser suficiente para dar à pessoa o fôlego necessário para atravessar o momento, em vez de se afundar nele. A paciência, nesse sentido, não é passividade — é a confiança de que o tempo trabalha a favor de quem sabe esperar.

Quais atitudes essa sabedoria sugere no dia a dia?
O ensinamento persa não prega resignação, e sim equilíbrio diante das oscilações da vida. Algumas atitudes ajudam a colocá-lo em prática: encarar as fases difíceis como passageiras, lembrando que elas têm começo, meio e fim; evitar decisões impulsivas tomadas no auge de uma emoção intensa, que tende a se dissipar com o tempo; valorizar e aproveitar os bons momentos justamente por saber que também são passageiros; e cultivar a paciência como uma forma ativa de força, e não como mera espera passiva.
Por que a frase também serve para os bons momentos?
Aqui está a parte mais sutil e mais sábia do ensinamento. “Isto também passará” não é só um consolo para a dor — é também um convite a valorizar a alegria enquanto ela dura.
Quando entendemos que os bons momentos também são passageiros, paramos de tratá-los como garantidos. Passamos a prestar mais atenção, a saborear, a agradecer. A impermanência, que parece triste à primeira vista, vira na verdade um motivo para viver com mais presença. Saber que nada dura para sempre é o que dá valor ao que estamos vivendo agora.
O que muda quando aceitamos a impermanência?
Aceitar que tudo passa traz uma forma rara de serenidade. Boa parte da nossa ansiedade nasce de duas tentativas impossíveis: prolongar para sempre o que é bom e fazer cessar imediatamente o que é ruim. A sabedoria persa desarma as duas, lembrando que nem uma coisa nem outra está sob o nosso controle — mas ambas seguem o seu curso natural.
Quem internaliza isso vive com menos desespero nas quedas e menos apego nas alturas. Não por frieza, mas por uma compreensão profunda do ritmo da vida. As estações mudam, a noite vira dia, o inverno vira primavera — e conosco não é diferente.

A lição que atravessa o tempo
No fim, “isto também passará” permanece uma das frases mais sábias já formuladas porque cabe em qualquer momento de qualquer vida. Ela não promete que tudo ficará bem nem nega a realidade da dor. Apenas lembra, com a calma de quem já viu muitas noites virarem manhã, que nenhuma fase é o destino final — e que há uma forma de paz em simplesmente confiar na passagem do tempo.
Talvez seja essa a maior lição da paciência: não a de aguentar parado, mas a de seguir vivendo com a serenidade de quem sabe que tudo, mais cedo ou mais tarde, se transforma.










