Crises de ansiedade e ataques de pânico costumam ser mencionados como se fossem a mesma coisa, mas, na prática, descrevem experiências diferentes. Muitas pessoas relatam uma sensação intensa de medo, aceleração do coração e falta de ar e não sabem ao certo se estão diante de um ataque de pânico ou de um quadro de ansiedade mais prolongado, o que gera dúvidas sobre diagnóstico, tratamento e sobre quando procurar ajuda profissional.
Qual é a diferença principal entre ataque de pânico e ansiedade
Em termos clínicos, trata-se de um episódio súbito, com início rápido e sintomas físicos intensos, como falta de ar, palpitações, suor, tremores e sensação de perigo iminente, que atingem um pico em poucos minutos e podem surgir sem um gatilho claro.
Já a ansiedade persistente, como a observada no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), costuma se manifestar de forma mais contínua, com apreensão prolongada, tensão muscular, fadiga e dificuldade de relaxar. Nesse contexto, a expressão “ataque de ansiedade” é usada de maneira informal para descrever momentos de maior intensidade, sem uma definição técnica específica.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Dra. Fernanda Rizzo, médica da família e de saúde mental, publicada em seu perfil @drafernandarizzo que conta com mais de 4 mil seguidores:
@drafernandarizzo Ansiedade e crise de pânico não são a mesma coisa. Enquanto a ansiedade cresce aos poucos e pode durar horas ou dias, a crise de pânico surge do nada, atinge o pico em minutos e vem com sintomas físicos intensos, como falta de ar e sensação de morte iminente. Se você já passou por algo assim, não ignore os sinais. A saúde mental importa! 💙 #Ansiedade #CriseDePanico #SaudeMental #Psicologia #Autoconhecimento ♬ som original – Dra Fernanda Rizzo
O que caracteriza um ataque de pânico
O ataque de pânico, reconhecido em classificações oficiais de transtornos mentais, é definido por um conjunto específico de sintomas físicos e emocionais. Ele pode ocorrer tanto em pessoas com transtorno do pânico quanto em outros transtornos de ansiedade ou de forma isolada ao longo da vida, muitas vezes sem um gatilho evidente, como trouxe a Family Doctor.
Esses episódios costumam ser muito marcantes e assustadores, podendo levar a idas repetidas a prontos-socorros por medo de um problema cardíaco ou respiratório. A seguir, alguns dos sintomas mais comuns que ajudam a identificar um ataque de pânico:
- Sintomas físicos comuns: taquicardia, falta de ar, dor ou aperto no peito, sudorese, tremores, náusea, tontura e sensação de desmaio.
- Sintomas emocionais: medo intenso de enlouquecer, de perder o controle ou de morrer, sensação de irrealidade ou de desconexão do próprio corpo.
- Duração: geralmente atinge o ápice em poucos minutos, mas a sensação de mal-estar pode se estender por mais tempo.
Depois de algumas crises, é comum surgir a chamada ansiedade antecipatória, isto é, o medo constante de ter um novo ataque de pânico. Essa preocupação pode levar à evitação de lugares, situações ou atividades, restringindo a vida social, profissional e até deslocamentos simples do dia a dia.
Como é o que muitas pessoas chamam de ataque de ansiedade
O termo ataque de ansiedade não consta como diagnóstico específico em manuais como o DSM, utilizados por profissionais de saúde mental. Mesmo assim, é muito usado no cotidiano para descrever momentos de intensa preocupação, nervosismo e tensão, frequentemente associados a situações reconhecidamente estressoras, como problemas financeiros, conflitos familiares ou pressão no trabalho.
Em alguns casos, o que é chamado de crise de ansiedade pode estar relacionado a um quadro de transtorno de ansiedade generalizada. Nessa condição, os sintomas se mantêm por pelo menos seis meses, com preocupação difícil de controlar, alterações de sono, dificuldades de concentração e sensação constante de inquietação, muitas vezes acompanhadas de tensão muscular e cansaço.
Quais são as possíveis causas de ataques de pânico e ansiedade
As origens tanto dos ataques de pânico quanto da ansiedade crônica são consideradas multifatoriais. Não há um único motivo claramente definido, mas sim uma combinação de elementos biológicos, psicológicos e ambientais que interagem ao longo da vida, aumentando ou reduzindo a vulnerabilidade de cada pessoa.
Pesquisas em saúde mental até 2025 apontam que alguns fatores aparecem com frequência em pessoas que relatam crises recorrentes, ajudando a compreender melhor por que certos indivíduos desenvolvem sintomas mais intensos:
- Genética: histórico familiar de transtornos de ansiedade ou depressão pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento de sintomas semelhantes.
- Funcionamento cerebral: alterações em sistemas de resposta ao estresse e em substâncias químicas cerebrais, como serotonina e noradrenalina, podem influenciar a vulnerabilidade a ataques de pânico.
- Ambiente e experiências de vida: situações traumáticas, perdas significativas, conflitos crônicos e ritmo de vida muito estressante são frequentemente associados ao surgimento ou agravamento de crises.
- Uso de substâncias: consumo de álcool, cafeína em excesso ou algumas drogas pode desencadear ou intensificar sintomas ansiosos em pessoas sensíveis.
Como lidar com ataque de pânico e ansiedade no dia a dia
Além do acompanhamento com profissionais de saúde, algumas estratégias podem ser úteis no manejo cotidiano de sintomas de ataques de pânico e de ansiedade em geral. Elas não substituem tratamentos indicados por especialistas, mas funcionam como apoio complementar, ajudando na regulação do estresse e na sensação de controle.
- Reconhecimento dos sinais: identificar padrões de sintomas, situações gatilho e respostas do próprio corpo ajuda a agir mais cedo diante de uma crise.
- Respiração e aterramento: técnicas de respiração lenta e exercícios de foco nos sentidos (como notar o que se vê, ouve e toca) podem contribuir para reduzir a intensidade do ataque de pânico.
- Rotina estruturada: horários regulares de sono, alimentação equilibrada e prática de atividade física leve ou moderada estão associados a melhor regulação do estresse.
- Redução de estimulantes: moderar o consumo de cafeína, nicotina e bebidas energéticas pode diminuir a frequência de sintomas físicos que lembram crises de ansiedade.
- Rede de apoio: contar a pessoas próximas sobre o que acontece e combinar formas de ajuda em momentos de crise pode tornar esses episódios menos isoladores.

Quando é importante procurar um profissional de saúde
Quando ataques de pânico ou crises de ansiedade começam a prejudicar relações pessoais, desempenho no trabalho ou na escola, ou a autoestima, é recomendável buscar um profissional de saúde mental. A avaliação especializada diferencia um ataque de pânico isolado de um transtorno de ansiedade mais amplo e indica o tratamento mais adequado, como psicoterapia, medicação ou a combinação de abordagens.
Também é importante procurar atendimento quando há dúvida se os sintomas físicos têm origem emocional ou se podem estar relacionados a condições clínicas, como problemas cardíacos ou respiratórios. Um exame médico completo ajuda a afastar outras causas, oferecendo maior segurança no manejo das crises e facilitando o acesso a estratégias mais eficazes de enfrentamento.






