Quando o assunto é trombose, fatores como idade, imobilidade, cirurgias e histórico familiar costumam receber atenção. Porém, uma característica presente desde o nascimento também pode estar relacionada ao risco: o grupo sanguíneo do sistema ABO. Pessoas com tipos A, B ou AB apresentam, em estudos populacionais, risco diferente de quem pertence ao grupo O para eventos trombóticos ao longo da vida.
Por que o tipo sanguíneo pode influenciar a formação de coágulos?
O sistema ABO classifica o sangue pela presença ou ausência dos antígenos A e B nas hemácias. Os quatro grupos mais conhecidos são A, B, AB e O. Essa classificação não serve apenas para transfusões: diferenças biológicas associadas a esses grupos também podem influenciar proteínas envolvidas na coagulação e modificar a tendência à formação de coágulos.
Entre os grupos ABO, o tipo O costuma aparecer associado a menor risco de tromboembolismo venoso, enquanto A, B e AB, chamados de não-O, apresentam risco relativamente maior. Isso não significa que uma pessoa com sangue não-O desenvolverá trombose, pois o risco individual depende de vários fatores que podem atuar juntos ao longo da vida.

O que diferencia o grupo O dos demais quando o assunto é trombose?
A relação entre grupo sanguíneo e trombose está ligada, em parte, às diferenças nos níveis de algumas proteínas da coagulação. Pessoas com grupos não-O tendem a apresentar níveis mais altos do fator de von Willebrand e do fator VIII, componentes importantes para a formação e estabilização dos coágulos. Essa característica pode contribuir para uma maior propensão trombótica.
Pesquisas publicadas no estudo com mais de 1,5 milhão de doadores mostram associação entre grupos não-O e maior ocorrência de eventos tromboembólicos. A análise encontrou incidência superior nos grupos A, B e AB em comparação ao O, reforçando que o sistema ABO está associado ao risco, embora não seja um fator determinante isolado.
Quais situações fazem a diferença entre ter maior risco e realmente desenvolver trombose?
O risco de trombose também pode aumentar em situações que deixam o sangue mais propenso a coagular ou reduzem sua circulação normal. Longos períodos de imobilidade, cirurgias, traumas, alguns tratamentos hormonais, gravidez, câncer e determinadas alterações hereditárias estão entre os fatores relevantes. Por isso, o grupo sanguíneo deve ser visto como uma peça dentro de um cenário muito maior.
A diferença entre os grupos também não significa que o tipo O ofereça proteção absoluta. Pessoas desse grupo ainda podem apresentar trombose quando outros fatores importantes estão presentes. Da mesma forma, quem tem A, B ou AB não deve assumir que terá um coágulo. A avaliação considera sintomas, histórico, medicamentos, condições de saúde e circunstâncias específicas.
Veja a seguir um vídeo do YouTube do canal DOUTOR AJUDA, que explica detalhadamente os sintomas, as causas e a gravidade da trombose venosa profunda (TVP). O especialista destaca os principais sinais de alerta, como dor contínua, inchaço e vermelhidão — geralmente presentes em apenas uma das pernas — e esclarece fatores de risco como imobilidade prolongada, obesidade, tabagismo e o uso de anticoncepcionais:
Quais fatores podem aumentar ainda mais o risco de trombose?
O tipo sanguíneo pode ser considerado uma característica de fundo, mas não deve ser interpretado como diagnóstico ou previsão individual. A presença de um grupo não-O não significa que a pessoa tenha uma doença de coagulação. O mais importante é observar a combinação entre características hereditárias, condições clínicas e situações que favorecem a formação de coágulos:
Saber o próprio tipo sanguíneo ajuda a avaliar o risco de trombose?
Saber o próprio tipo sanguíneo pode ser útil, mas essa informação não permite calcular sozinha a chance de uma trombose. Quando existem fatores de risco relevantes ou episódios anteriores, a investigação pode incluir avaliação clínica e exames específicos. O grupo ABO ajuda a compor esse quadro, sem substituir uma análise individual feita por profissional de saúde.
Na prática, a principal mensagem é simples: pessoas com sangue não-O apresentam, em média, maior risco de tromboembolismo venoso do que aquelas do grupo O. Ainda assim, hábitos, doenças, medicamentos e circunstâncias temporárias podem ter grande peso. Conhecer essa diferença ajuda a interpretar informações sobre saúde com mais cuidado e a buscar orientação adequada quando houver fatores de risco.
