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Início Curiosidades

“As palavras são como moedas”: a reflexão de Thomas Hobbes sobre o hábito de acreditar em quem parece saber tudo

Por Daniely Cardoso
13/10/2026
Em Curiosidades
A passagem aparece no capítulo IV de Leviatã, publicado em 1651, uma das principais obras de Thomas Hobbes.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A passagem aparece no capítulo IV de Leviatã, publicado em 1651, uma das principais obras de Thomas Hobbes. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

O filósofo inglês Thomas Hobbes deixou uma reflexão sobre o poder das palavras e o perigo de aceitar ideias apenas pela autoridade de quem as pronuncia. Para ele, pessoas sábias utilizam a linguagem como instrumento de raciocínio, enquanto aquelas que não examinam o significado das afirmações podem confundir prestígio com conhecimento verdadeiro.

O que significa a frase de Thomas Hobbes sobre as palavras e os tolos?

A reflexão de Hobbes estabelece uma comparação entre palavras e dinheiro. Na metáfora, os sábios utilizam as palavras como peças de cálculo, instrumentos que ajudam a organizar pensamentos, comparar informações e construir argumentos. Já os tolos atribuem valor às palavras simplesmente porque foram pronunciadas por alguém considerado importante, sem investigar se aquilo realmente faz sentido.

O filósofo não estava afirmando que as palavras não possuem valor, mas questionando a maneira como são utilizadas. Uma declaração pode parecer convincente por causa da reputação de seu autor, mesmo quando apresenta erros. A principal mensagem é que a autoridade não substitui o raciocínio, e compreender uma ideia exige mais do que conhecer o nome de quem a apresentou.

A principal mensagem é que a autoridade não substitui o raciocínio, e compreender uma ideia exige mais do que conhecer o nome de quem a apresentou. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

De onde surgiu a famosa reflexão de Thomas Hobbes?

A passagem aparece no capítulo IV de Leviatã, publicado em 1651, uma das principais obras de Thomas Hobbes. Nesse capítulo, dedicado à linguagem, o pensador discute como as palavras permitem registrar pensamentos, comunicar ideias e desenvolver raciocínios. Ele também alerta que definições imprecisas podem provocar erros sucessivos, comprometendo conclusões que parecem corretas à primeira vista.

O texto original, disponível na Wikisource, no capítulo IV de Leviatã, menciona explicitamente Aristóteles, Cícero e Tomás, em referência a autoridades intelectuais. A versão apresentada em português é uma adaptação da passagem, e a referência a um personagem chamado Ben não corresponde ao texto original consultado. A comparação entre palavras, moedas e instrumentos de cálculo, entretanto, preserva o argumento central do filósofo.

Por que Hobbes criticava quem acredita em tudo o que uma autoridade diz?

Thomas Hobbes viveu entre 1588 e 1679, período marcado por conflitos políticos, religiosos e intelectuais na Inglaterra. Sua filosofia procurava compreender como as pessoas formam conhecimentos e organizam a vida em sociedade. Para ele, aceitar afirmações sem examinar seus fundamentos poderia levar à repetição de erros, especialmente quando indivíduos confundiam tradição intelectual com demonstração racional.

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No capítulo IV de Leviatã, Hobbes compara o raciocínio a uma operação em que os conceitos precisam ser definidos corretamente antes de produzir conclusões. Se uma definição estiver equivocada, o erro poderá se espalhar pelas etapas seguintes. Essa preocupação aparece também na reprodução do texto de Leviatã pelo SparkNotes, que apresenta sua crítica à confiança excessiva nos livros. O ponto central é que repetir uma afirmação não significa compreendê-la.

Como a frase ajuda a entender a influência das palavras na sociedade?

A reflexão continua pertinente em situações nas quais uma opinião ganha destaque principalmente porque foi apresentada por uma personalidade conhecida. Uma declaração divulgada por alguém com muitos seguidores, por exemplo, pode receber atenção imediata, mesmo sem apresentar evidências suficientes. Pela perspectiva de Hobbes, o mais adequado seria examinar o conteúdo do argumento, identificar suas premissas e verificar se a conclusão realmente decorre delas.

Isso não significa ignorar especialistas ou considerar todas as opiniões igualmente confiáveis. A experiência e o conhecimento técnico ajudam a avaliar informações, especialmente em assuntos complexos. A diferença está em reconhecer que credibilidade precisa ser acompanhada de fundamentos. Uma explicação consistente deve permitir algum grau de verificação, comparação ou análise, em vez de depender exclusivamente da fama ou do prestígio de quem fala.

O ponto central é que repetir uma afirmação não significa compreendê-la. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Qual é a diferença entre usar palavras para pensar e apenas repeti-las?

Para Hobbes, a linguagem tem uma função diretamente relacionada ao desenvolvimento do conhecimento. Ao definir termos e estabelecer relações entre eles, as pessoas conseguem organizar o pensamento e avaliar consequências. Nesse sentido, usar palavras para calcular significa trabalhar com conceitos de maneira ordenada, não realizar necessariamente operações matemáticas. A metáfora demonstra como o raciocínio depende da clareza das ideias utilizadas.

Por outro lado, repetir frases famosas sem conhecer seu contexto pode produzir interpretações diferentes da intenção original. Isso acontece quando uma expressão é retirada de um livro e passa a circular isoladamente. A versão de Leviatã disponibilizada pela Saylor Academy permite observar que a reflexão faz parte de uma discussão mais ampla sobre linguagem e conhecimento. Para Hobbes, entender os conceitos era uma condição para evitar raciocínios equivocados.

Como aplicar a reflexão de Thomas Hobbes nas decisões do cotidiano?

A lição prática começa com um hábito simples: antes de aceitar uma afirmação, procurar compreender o que ela realmente significa. Isso envolve perguntar quais informações sustentam a ideia, se existem contradições e se o argumento continua convincente quando o nome de seu autor é retirado. Essa postura é útil ao acompanhar notícias, tomar decisões financeiras, participar de discussões e avaliar informações compartilhadas nas redes sociais.

A frase de Hobbes também lembra que citar um pensador famoso não torna uma opinião automaticamente verdadeira. Ao ler uma citação, vale conferir sua origem e observar o contexto em que foi escrita, especialmente quando aparecem versões diferentes do mesmo pensamento. O ensinamento permanece atual: pensar criticamente significa utilizar as palavras para compreender a realidade, em vez de atribuir a elas um valor que depende apenas da autoridade de quem as pronunciou.

Tags: comunicaçãofilosofiahistóriasociedade
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