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Início Cidades

Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais registram envelhecimento precoce com 115 idosos para cada 100 crianças e reorganizam a economia

Por Maura Pereira
01/05/2026
Em Cidades, Turismo
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais registram envelhecimento precoce com 115 idosos para cada 100 crianças e reorganizam a economia

Menos jovens entrando significa menos braços nas indústrias. / Imagem ilustrativas

Em Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, quase quatro de cada dez moradores passaram dos 60 anos. A cena se repete em escalas diferentes no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais, os quatro estados onde o Brasil envelhece mais rápido.

Por que esses quatro estados envelhecem antes do restante do país?

O envelhecimento aqui chegou cedo porque a queda na fecundidade também chegou. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo 2022 mostrou que o número de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos, mas o ritmo nesses quatro estados foi maior que a média nacional.

O Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul registra que, em 1970, apenas 5,8% dos gaúchos tinham mais de 60 anos. Em 2022, são 20,07%. Cinco décadas para multiplicar por quase quatro a fatia da terceira idade.

Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais registram envelhecimento precoce com 115 idosos para cada 100 crianças e reorganizam a economia
Porto Alegre é a capital do Rio Grande do Sul, com quase 1,5 milhão de habitantes e rica história cultural. // Créditos: depositphotos.com / diegograndi

O fenômeno demográfico em números

Nada explica melhor o tamanho do desafio do que a tabela do IBGE. O índice de envelhecimento mostra quantos idosos existem para cada 100 crianças, e o salto é nítido nos quatro estados.

📍 Rio Grande do Sul
Estado mais Idoso
14,1%
População 65+
Possui a maior idade mediana (38 anos) e o maior índice de envelhecimento (115,0) entre os estados listados.
📈 Lidera Envelhecimento
📍 Rio de Janeiro
Região Sudeste
13,1%
População 65+
Apresenta uma idade mediana de 37 anos e um elevado índice de envelhecimento de 105,9.
👥 Perfil Urbano
📍 Minas Gerais
Região Sudeste
12,4%
População 65+
Com idade mediana de 36 anos, o estado mineiro registra um índice de envelhecimento acima de 70.
⛰️ Transição Etária
📍 Santa Catarina
Região Sul
9,6%
População 65+
Apresenta o menor índice de envelhecimento da lista (55,8), com idade mediana de 35 anos.
🍏 Perfil Jovem
🇧🇷 Brasil (Média)
Nacional
10,9%
População 65+
A média nacional situa-se em 35 anos de idade mediana e um índice de envelhecimento geral de 80,0.
📊 Panorama Geral

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, segunda apuração.

O destaque vai para o RS, único estado em que os idosos ultrapassam as crianças com folga. No RJ, a virada também já aconteceu. MG caminha para o mesmo cenário, e SC, ainda mais jovem na comparação direta, viu seu índice quase dobrar entre 2010 e 2022.

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A cidade mais envelhecida do Brasil fica no Vale do Taquari

Em Coqueiro Baixo, no Rio Grande do Sul, 38,91% da população tem mais de 60 anos. A cidade tem 277 idosos para cada 100 crianças, segundo dados do Jornal do Comércio baseados no Censo 2022. A idade mediana local é de 53 anos.

O fenômeno não é isolado. Entre as 20 cidades mais envelhecidas do país, 19 estão no estado gaúcho. Boa parte fica na Macrorregião Central, em municípios pequenos que perderam jovens para os centros urbanos e viram a base da pirâmide etária encolher.

Como o envelhecimento mexe com a economia regional?

O efeito imediato aparece no mercado de trabalho. Menos jovens entrando significa menos braços nas indústrias, menos pessoas em idade reprodutiva e menos contribuintes para a previdência. Em alguns municípios gaúchos, escolas fecham por falta de alunos enquanto serviços de saúde para idosos disputam vagas.

O peso fiscal já se vê. Os gastos com aposentadorias urbanas, rurais e benefícios assistenciais somaram cerca de 6,5% do PIB em 2023, segundo análise do Centro de Liderança Pública (CLP), patamar comparável ao de países desenvolvidos da OCDE. As consequências para os estados envelhecidos:

  • Mercado de trabalho encolhido: indústrias gaúchas e fluminenses já relatam dificuldade para repor mão de obra qualificada.
  • Pressão sobre o sistema de saúde: crescem demandas por geriatria, cuidados domiciliares e tratamentos crônicos.
  • Queda na arrecadação local: cidades pequenas perdem jovens contribuintes e dependem de repasses estaduais.
  • Novos setores em alta: cuidadores, instituições de longa permanência, turismo sênior e produtos voltados à terceira idade ganham espaço.
  • Reorganização do consumo: o varejo regional precisa redesenhar produtos e serviços para um público mais velho.
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais registram envelhecimento precoce com 115 idosos para cada 100 crianças e reorganizam a economia
Mariana, em Minas Gerais, é uma das principais cidades históricas do estado, com centro colonial preservado, igrejas barrocas e forte ligação com o Ciclo do Ouro. // Créditos: Wikipédia

Leia também: A “Capital do Agro” que você ainda não conhece guarda um circuito com 9 cachoeiras e quedas d’água a 55 km do centro.

O que vem pela frente nas próximas décadas

As Projeções de População 2024 do IBGE indicam que o Brasil vai parar de crescer em 2041. No RS, a queda começa antes, em 2027. Em 2070, cerca de 37,8% dos brasileiros terão mais de 60 anos, o que corresponde a 75,3 milhões de pessoas.

A idade média projetada para o país em 2070 é de 48,4 anos. O Rio Grande do Sul, hoje com idade média de 38,1 anos, deve chegar a esse ponto bem antes da média nacional. Os quatro estados precisarão repensar políticas públicas, infraestrutura urbana e estrutura produtiva para acompanhar essa mudança.

O Brasil que já chegou lá primeiro

Esses quatro estados funcionam como um laboratório do Brasil que vem aí. As decisões tomadas hoje no Sul e no Sudeste sobre saúde pública, mercado de trabalho e previdência darão o tom de como o restante do país vai enfrentar o mesmo cenário nas próximas décadas.

Vale acompanhar de perto o que acontece em municípios como Coqueiro Baixo e nas grandes capitais fluminenses, mineiras e gaúchas, porque o futuro demográfico do Brasil já está sendo desenhado por lá.

Tags: Minas GeraisRio de JaneiroRio Grande do SulSanta Catarina
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