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Início Cidades

Rochas de 300 milhões de anos, a maior fábrica de Heineken do Brasil e inverno de 4 °C fazem da “Princesa dos Campos” um destino único

Por Maura Pereira
14/07/2026
Em Cidades, Turismo
Na "Princesa dos Campos", rochas de 300 milhões de anos e a maior fábrica de Heineken do Brasil surpreendem quem visita a 120 km de Curitiba

Vila Velha é daqueles lugares que fazem o visitante recalcular a própria escala de tempo. / Imagem ilustrativa

Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, reúne algumas das paisagens geológicas mais impressionantes do Brasil. A pouco mais de uma hora de Curitiba, a cidade combina formações rochosas com centenas de milhões de anos, furnas gigantes e cachoeiras escondidas em um cenário moldado muito antes da separação dos continentes.

Por que as rochas da Princesa dos Campos têm forma de taça?

O Parque Estadual de Vila Velha preserva arenitos esculpidos pela ação do vento e da chuva ao longo de cerca de 300 milhões de anos. Durante o período Carbonífero, a região fazia parte de um ambiente costeiro ligado ao supercontinente Gondwana. Com o passar das eras geológicas, a erosão deu origem às formações que hoje lembram figuras como camelos, botas e a famosa Taça, principal símbolo natural de Ponta Grossa.

Além dos arenitos, o parque reúne atrações como as Furnas, crateras naturais que chegam a 100 metros de profundidade, e a Lagoa Dourada, conhecida pelo brilho dourado refletido pela areia no fundo da água durante o pôr do sol. A estrutura também inclui uma trilha principal de 1.100 metros, totalmente acessível, outra rota de 1.600 metros em meio à mata nativa e caminhadas noturnas realizadas em datas especiais de lua cheia.

Na "Princesa dos Campos", rochas de 300 milhões de anos e a maior fábrica de Heineken do Brasil surpreendem quem visita a 120 km de Curitiba
O Parque Vila Velha, famoso por seus arenitos, furnas e a Lagoa Dourada, em Ponta Grossa. // Créditos: depositphotos.com / caio.acquesta@gmail.com

O que visitar além de Vila Velha?

Os Campos Gerais concentram cachoeiras, furnas e trilhas em um raio de 30 km a partir do centro. Cada atração pede ao menos meio período.

  • Buraco do Padre: furna de 40 metros com cascata interna de 30 metros, formada pelo Rio Quebra Perna. Trilha fácil de 880 metros com passarelas acessíveis. Dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais.
  • Fenda da Freira: passagem estreita entre paredões de arenito com 300 metros de extensão e marcas geológicas de 400 milhões de anos. Visitação guiada em grupos de até 12 pessoas.
  • Cachoeira da Mariquinha: queda de cerca de 30 metros com poço para banho, a 30 km do centro. Trilha curta e tranquila.
  • Canyon e Cachoeira do Rio São Jorge: queda imponente para contemplação, com possibilidade de rapel no cânion. Fica a 15 km do centro.
  • Capão da Onça: área com trilhas ao longo do rio e piscinas naturais entre rochas de arenito.

O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com 143 mil inscritos, e detalha a economia pujante, as universidades de ponta e atrações imperdíveis como o Parque Estadual de Vila Velha e o Buraco do Padre:

Cerveja sai direto da fábrica para o copo do visitante

Ponta Grossa produz mais Heineken do que qualquer outra cidade brasileira. A fábrica da multinacional holandesa recebeu mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos e é a única no país a fabricar o barril de chope da marca e a versão sem álcool. A Ambev também opera ali desde 2016, com a cervejaria batizada de Adriática, nome que homenageia a fábrica fundada por imigrantes alemães na cidade em 1864.

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As duas gigantes oferecem tours guiados com degustação. A experiência na Heineken inclui visita à linha de produção e chope direto do tanque. Para quem prefere rótulos artesanais, a cidade abriga dezenas de cervejarias menores que exploram ingredientes regionais. A tradição cervejeira é tão forte que a Maltaria Campos Gerais, erguida por seis cooperativas paranaenses com investimento de R$ 1,6 bilhão, vai produzir 280 mil toneladas de malte por ano na região.

O que comer na capital do tropeirismo?

A culinária local carrega a herança dos tropeiros que cruzavam os Campos Gerais no século XVIII. O virado tropeiro, feito com feijão e farinha de mandioca, é o prato símbolo da rota histórica. A alcatra na pedra, receita pesquisada por mais de 50 anos e registrada em lei municipal, é o prato oficial de Ponta Grossa. A MunchenFest, festival gastronômico com apoio do Consulado Alemão, celebra a herança germânica com cervejas e pratos típicos há quase 30 anos.

Com esculturas naturais de 300 milhões de anos e cerveja artesanal premiada, essa cidade brasileira atrai turistas do mundo todo
O Buraco do Padre é uma furna em Ponta Grossa com cascata de 30 m dentro de um anfiteatro natural. // Créditos: Wikipédia

Leia também: A única cidade brasileira entre as 10 melhores do mundo em gastronomia fica na foz do Amazonas.

Quando o clima favorece trilhas e cachoeiras?

O clima subtropical de altitude, a cerca de 900 metros, garante verões amenos e invernos com geadas. Pancadas de chuva à tarde são comuns no verão, mas as manhãs costumam abrir com sol.

☀️ Verão
Dez – Fev
22-32 °C
Média
Época de chuva alta. O calor intenso pede programações ao final do dia, sendo perfeito para curtir noites vibrantes no Parque do Povo e se refrescar nas sorveterias.
🍦 Sorvetes & Noite
🍂 Outono
Mar – Mai
18-28 °C
Média
Período com chuva média. Apresenta um clima muito agradável e equilibrado, ideal para realizar calmas caminhadas ao ar livre e visitar as movimentadas feiras culturais.
🎨 Feiras & Lazer
🧣 Inverno
Jun – Ago
15-25 °C
Média
Estação de chuva baixa. O tempo fica mais seco, tornando-se o momento ideal para visitar o Observatório e conferir a agenda de eventos no Centro Cultural Matarazzo.
✨ Matarazzo & Estrelas
🌸 Primavera
Set – Nov
18-30 °C
Média
Meses marcados por chuva média. Uma excelente oportunidade para explorar de perto as divertidas trilhas na Cidade da Criança e aproveitar bem as ciclovias da região.
🚴 Ciclovias & Trilhas

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Princesa dos Campos Gerais?

Ponta Grossa fica a 120 km de Curitiba pela BR-376, rodovia duplicada com pedágios, em cerca de 1h40 de carro. Ônibus da Viação Princesa dos Campos fazem o trajeto várias vezes ao dia e param na entrada do Parque de Vila Velha. O Aeroporto Sant’Ana recebe voos regionais, mas a maioria dos visitantes desembarca em Curitiba e segue de carro ou transfer.

Geologia, cerveja e história tropeira em um só destino

Ponta Grossa reúne paisagens que contam 300 milhões de anos da Terra com uma cultura cervejeira que cresce a cada safra de cevada nos Campos Gerais. Entre arenitos, furnas, cachoeiras e fábricas que abrem suas portas ao público, a Princesa dos Campos entrega um roteiro raro no Brasil: natureza de tirar o fôlego a pouco mais de uma hora da capital paranaense.

Você precisa reservar ao menos três dias para dar conta de tudo, e provavelmente vai voltar para a próxima MunchenFest.

Tags: ParanáPonta Grossa
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