Ouvir sapos coaxando no jardim durante setembro costuma estar ligado ao aumento da atividade reprodutiva desses anfíbios, especialmente em locais úmidos e após períodos de chuva. Na Argentina e em outras áreas do Hemisfério Sul, a aproximação da primavera cria condições mais favoráveis para que os machos vocalizem e procurem parceiras para reprodução.
Por que os sapos começam a coaxar com mais frequência
O coaxar é principalmente uma forma de comunicação reprodutiva. Nos sapos, são normalmente os machos que produzem os chamados para anunciar sua presença e atrair fêmeas, formando em alguns locais verdadeiros coros perto de poças, lagoas, valas e outros pontos com água.
A época exata muda conforme espécie, região e clima, por isso setembro não representa uma data fixa para todos os anfíbios. Temperatura, disponibilidade de água e chuvas influenciam a atividade; o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos também explica que os chamados de sapos e rãs acompanham os períodos de reprodução dos anfíbios.

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O sapo-comum argentino tem um comportamento parecido
Na Argentina, uma das espécies conhecidas como sapo-comum é a Rhinella arenarum, também chamada de sapo-argentino. O Sistema de Informação de Biodiversidade da Administração de Parques Nacionais informa que os machos possuem saco vocal e podem cantar durante o dia ou à noite depois de chuvas intensas.
A água tem papel direto nesse ciclo. A espécie deposita ovos em cordões gelatinosos presos a objetos submersos, e os girinos passam por metamorfose antes de deixar o ambiente aquático, processo que ajuda a explicar por que áreas com poças temporárias, açudes ou outros pontos úmidos atraem os animais durante a reprodução.
Ter sapos no jardim pode trazer benefícios
Sapos adultos são predadores de diferentes pequenos animais e podem consumir insetos e outros invertebrados encontrados no ambiente. Isso faz com que participem naturalmente das relações entre predadores e presas, sem que seja necessário transformar sua presença em um método isolado de controle de pragas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos destaca que anfíbios consomem grandes quantidades de insetos e outros invertebrados e, ao mesmo tempo, servem de alimento para diversos animais. Dessa forma, sua presença contribui para a cadeia alimentar e para o funcionamento dos ecossistemas onde conseguem encontrar água, abrigo e alimento. Se você gosta de curiosidades, separamos esse vídeo do canal do Caminhos da Espiritualidade falando mais sobre esse tema:
Por que anfíbios também ajudam a revelar mudanças ambientais
Rãs, sapos e outros anfíbios têm características que os tornam particularmente sensíveis ao ambiente. Sua pele permeável e a dependência frequente de ambientes terrestres e aquáticos fazem com que possam responder a alterações na qualidade da água, temperatura, umidade, disponibilidade de habitat e presença de determinados contaminantes.
Por esse motivo, pesquisadores utilizam populações de anfíbios como um dos elementos para acompanhar a saúde de ecossistemas. Isso não significa, porém, que encontrar um sapo no quintal prove que o local esteja livre de poluição; segundo o USGS, esses animais são bons indicadores de mudanças ambientais justamente por sua sensibilidade a diferentes fatores.
O que fazer ao encontrar sapos no quintal
Na maioria das situações, não há motivo para retirar um sapo saudável simplesmente porque ele apareceu entre plantas ou próximo de uma área úmida. O mais indicado é deixar o animal seguir seu comportamento natural, evitando pegá-lo, perseguir ou destruir o abrigo que ele escolheu.
Também convém reduzir o uso desnecessário de inseticidas e outros químicos perto de poças, lagos ornamentais e locais utilizados pelos anfíbios. Se os coaxos aumentarem durante noites úmidas de setembro, o fenômeno pode ser apenas o sinal de que começou um período de maior atividade reprodutiva e que o jardim oferece condições temporárias para esses animais viverem e se reproduzirem.




