Embora pareça uma alternativa confortável e prática, especialmente em dias frios ou em escritórios, tomar sol através do vidro é biologicamente ineficaz para a síntese de nutrientes. A barreira física da janela filtra quase totalmente a radiação necessária para a produção de vitamina D, permitindo apenas a passagem de luz que pode danificar sua derme de forma silenciosa.
Por que o vidro bloqueia a produção de Vitamina D?
O vidro comum atua como um filtro seletivo de radiação, bloqueando quase 100% dos raios ultravioleta B (UVB), que são os únicos responsáveis por desencadear a síntese de vitamina D na pele. Sem o contato direto e desimpedido desses raios específicos com a epiderme, a reação fotoquímica necessária para converter o colesterol em pré-vitamina D simplesmente não acontece.
Isso significa que, mesmo sentindo o calor intenso na pele ao lado de uma janela fechada, seu corpo não está recebendo o estímulo biológico necessário para a saúde óssea e imunológica. Segundo estudos da Skin Cancer Foundation, enquanto o vidro barra o espectro de luz que você precisa para a vitamina, ele permite a passagem livre de raios que não trazem esse benefício nutricional.

Qual é o perigo real dos raios UVA que atravessam a janela?
O grande problema é que o vidro permite a passagem da radiação ultravioleta A (UVA), que penetra profundamente na pele e é a principal causadora do envelhecimento precoce (fotoenvelhecimento). Essa radiação degrada as fibras de colágeno e elastina, criando uma falsa sensação de segurança porque, diferentemente do UVB, o UVA não causa a vermelhidão imediata típica da queimadura solar.
A exposição crônica aos raios UVA através de janelas de escritórios ou carros contribui cumulativamente para danos celulares e rugas profundas.
Leia também: Tábua de corte com cheiro de cebola? O truque do limão com sal grosso
Quanto tempo de sol direto é necessário para a saúde?
Para manter níveis adequados desse hormônio essencial, a exposição deve ser feita preferencialmente ao ar livre, sem barreiras físicas, por curtos períodos de tempo e em horários seguros. Geralmente, cerca de 10 a 20 minutos de sol direto em braços e pernas, algumas vezes por semana, são suficientes para a maioria das pessoas de pele clara sintetizar o nutriente.
Pessoas com pele mais escura possuem mais melanina, o que funciona como um protetor natural, exigindo um tempo de exposição ligeiramente maior para produzir a mesma quantidade. De acordo com o National Institutes of Health (NIH), fatores geográficos como a latitude, a estação do ano e o horário do dia também influenciam drasticamente a eficiência dessa produção.
O que mais interfere na absorção correta dos raios solares?
Existem diversas variáveis que podem impedir que seu “banho de sol” seja efetivo, além da barreira do vidro, levando a comportamentos que não trazem o retorno de saúde esperado. É fundamental distinguir o conforto térmico (sentir calor) da eficácia biológica real (receber UVB).
Observe os seguintes fatores que influenciam sua exposição:
- Vidros de carro: A maioria dos para-brisas é tratada para bloquear UVA e UVB, mas os vidros laterais geralmente deixam passar o UVA.
- Janela aberta: Se você abrir a janela e deixar o sol bater diretamente na pele, sem o vidro no meio, a produção de vitamina D ocorre normalmente.
- Dias nublados: Os raios UVB conseguem atravessar nuvens, então é possível sintetizar a vitamina (e se queimar) mesmo sem sol pleno.
- Idade: A capacidade da pele de produzir vitamina D diminui conforme envelhecemos, exigindo mais atenção aos níveis séricos.
No vídeo a seguir, o Dr. Fábio Euka, com mais de 6 mil seguidores, fala um pouco sobre o assunto:
Leia também: O que acontece quando você toma sol nos primeiros 30 minutos do dia?
A suplementação é mais segura que o sol?
Dado o risco de câncer de pele associado à exposição UV, muitos especialistas defendem que obter vitamina D através da dieta ou suplementos é uma estratégia mais segura do que buscar o sol intencionalmente. O uso de protetor solar, essencial para prevenir melanomas, também bloqueia a produção da vitamina, criando um dilema para quem depende exclusivamente da fonte solar.
Por isso, a orientação médica moderna tende a priorizar a segurança da pele, sugerindo a correção de deficiências via oral quando necessário. A Harvard T.H. Chan School of Public Health destaca que a suplementação é frequentemente a via mais consistente e livre de riscos para garantir níveis adequados sem aumentar a probabilidade de danos oncológicos.










