Sem asfalto, sem postes de luz convencionais e sem carros circulando pela vila, Jericoacoara guarda um dos raros cantos do Brasil onde o sol se põe no mar. A antiga aldeia de pescadores no litoral oeste do Ceará ganhou fama internacional depois de ser eleita, em 1994, uma das dez praias mais bonitas do mundo pelo jornal norte-americano Washington Post.
De vila de pescadores a destino global
Até meados dos anos 1980, Jeri era um pontinho quase inacessível entre dunas móveis, a cerca de 300 km de Fortaleza. A chegada dependia de tração nas rodas e vontade de se perder. Depois da matéria do jornal americano, o mundo descobriu o vilarejo.
Em 2002, a antiga Área de Proteção Ambiental virou Parque Nacional de Jericoacoara, com 8.850 hectares de dunas, lagoas, manguezais e faixa marítima. A gestão é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e a vila permanece encravada dentro dos limites do parque.

O que fazer em Jericoacoara além da praia?
A vila cabe em uma caminhada de ponta a ponta, mas a região reserva atrações que exigem buggy, cavalo ou barco. Boa parte fica dentro do Parna.
- Duna do Pôr do Sol: ponto de encontro no fim da tarde, com aplausos coletivos quando o sol some no mar.
- Pedra Furada: arco rochoso esculpido pelo vento e pelas ondas, cartão-postal da vila. Entre 15 de julho e 15 de agosto, o sol se põe atravessando o arco.
- Serrote: formação rochosa a 95 m de altitude, ponto culminante do parque, com o farol no topo.
- Lagoa do Paraíso: águas quase transparentes e as famosas redes dentro d’água, a cerca de 18 km da vila.
- Mangue Seco e Rio Guriú: passeio de canoa para avistamento de cavalos-marinhos.
- Praia do Preá: pista natural de kitesurf, uma das mais consistentes do país em vento.
- Tatajuba: vila de pescadores soterrada pelas dunas móveis, exemplo do avanço da areia sobre a paisagem.
A vila onde carro não entra
Dentro da Vila de Jericoacoara, a circulação de veículos particulares é proibida. As ruas são de areia batida, os carros ficam no estacionamento na entrada e a locomoção é feita a pé, de bicicleta ou de carroça. A regra vale para preservar a paisagem e a mobilidade das ruas estreitas.
Quem chega paga a Taxa de Turismo Sustentável, cobrada pela Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara. O valor é de R$ 41,50 por pessoa, válido por 10 dias, com renovação de R$ 4,15 ao dia. O recurso é destinado à preservação ambiental e à manutenção dos serviços turísticos.
Sabores do litoral oeste
A cozinha em Jeri é herança de aldeia de pescadores, com peixes frescos que chegam do mar no mesmo dia. Os pratos são simples e pedem tempo.
- Peixada cearense: peixe branco cozido no leite de coco com pimentão, coentro e batata, servida com pirão.
- Caranguejo do Mangue Seco: catado na hora e preparado nas barracas próximas ao manguezal, referência gastronômica da região.
- Lagosta ao alho e óleo: tradicional na Praia do Preá, onde a pesca é abundante.
- Tapioca de camarão: café da manhã ou fim de tarde, servida em várias barracas da orla.
- Caipifruta: cajá, tamarindo e maracujá são os favoritos nos bares da rua principal.
Quando ir a Jeri?
O período seco, entre julho e dezembro, concentra os dias de sol firme e ventos constantes. As chuvas ficam entre fevereiro e maio, com temporais rápidos que dão lugar a manhãs abertas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Jericoacoara?
De Fortaleza, o trajeto por via terrestre tem cerca de 300 km pela CE-085, conhecida como Rodovia do Sol Poente, mais um trecho final de estrada de terra e areia que exige veículo 4×4. Existem transfers regulares em vans e carros de tração. Por via aérea, o Aeroporto Regional Comandante Ariston Pessoa, no município de Cruz, fica a cerca de 33 km da vila e recebe voos diretos de várias capitais brasileiras.
Vá conhecer Jericoacoara
Poucos lugares no Brasil combinam parque nacional, vila sem carros e um pôr do sol no oceano no mesmo passeio. Jeri virou destino global sem perder o cheiro de peixe fresco e o silêncio das dunas depois que os buggies vão embora.
Você precisa subir a Duna do Pôr do Sol pelo menos uma vez na vida e entender por que essa vila cearense encantou o mundo antes mesmo de ter luz elétrica em todas as ruas.


