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Início Beleza

Especialistas em cabelo explicam o detalhe das tintas sem amônia que pode aumentar a sensibilização dos fios

Por Daniely Cardoso
04/10/2026
Em Beleza, Bem-Estar
É justamente aí que o rótulo “sem amônia” pode gerar uma interpretação incompleta.

É justamente aí que o rótulo “sem amônia” pode gerar uma interpretação incompleta.

Colorações sem amônia costumam ser apresentadas como alternativas mais suaves, mas essa troca não significa automaticamente menos dano aos fios. Algumas fórmulas substituem a amônia pela monoetanolamina, também chamada de MEA, e estudos mostram que esse agente alcalinizante pode provocar danos à fibra capilar dependendo da concentração e da formulação.

Por que a amônia aparece nas tinturas permanentes

Nas colorações oxidativas, é necessário elevar o pH para favorecer a entrada dos componentes responsáveis pela mudança de cor. A amônia atua como alcalinizante, ajudando a modificar temporariamente a estrutura da cutícula para que os precursores do pigmento alcancem regiões mais internas do fio e desenvolvam a cor desejada.

O problema é que esse processo químico pode alterar características da fibra, principalmente quando as colorações são repetidas com frequência ou combinadas com descoloração e outros procedimentos. Isso ajuda a explicar por que cabelos tingidos podem apresentar maior porosidade, aspereza e quebra, especialmente quando já estavam sensibilizados antes do procedimento.

A expressão pode transmitir a ideia de dano, mas não descreve literalmente o que acontece no cabelo.

Leia também: A tonalidade que ajuda a misturar fios brancos ao cabelo e ainda cria reflexos dourados e amarronzados

Tinta sem amônia também precisa de um agente alcalinizante

Retirar a amônia da fórmula não elimina a necessidade de controlar o pH em uma coloração permanente. Uma alternativa bastante utilizada é a monoetanolamina, ou MEA, substância com odor menos volátil e que pode permanecer na formulação de maneira diferente da amônia durante o processo de coloração.

É justamente aí que o rótulo “sem amônia” pode gerar uma interpretação incompleta. Uma tinta pode não conter amônia e ainda utilizar outro alcalinizante potente. Por isso, avaliar apenas essa expressão na embalagem não é suficiente para determinar quanto uma coloração poderá sensibilizar o cabelo.

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Estudo encontrou mais danos com monoetanolamina em certas condições

Um estudo publicado no Journal of Cosmetic Science comparou formulações baseadas em monoetanolamina e amônia. Os pesquisadores analisaram alterações por diferentes métodos e observaram que, nas condições mais extremas testadas, as formulações com MEA produziram mais danos à fibra do que aquelas com amônia.

Os autores registraram aumento de danos de até 85% em determinadas condições experimentais, avaliando fatores como perda de proteína e alterações da cutícula. O dado não significa que toda tinta sem amônia cause exatamente esse nível de dano, porque concentrações, ingredientes complementares, tempo de exposição e características do cabelo mudam de um produto para outro.

Não é correto dizer que a substância simplesmente “frita” a cutícula

A expressão pode transmitir a ideia de dano, mas não descreve literalmente o que acontece no cabelo. A fibra sofre alterações químicas e estruturais durante processos oxidativos, e os estudos avaliam fenômenos como oxidação de aminoácidos, perda de proteínas e mudanças na superfície das cutículas, em vez de um processo semelhante a fritar o fio.

Outra pesquisa disponível no PubMed investigou componentes de tinturas e encontrou efeitos relacionados à combinação de peróxido de hidrogênio e monoetanolamina em modelos experimentais. Os resultados reforçam que a análise de uma coloração deve considerar a fórmula completa, e não apenas a presença ou ausência de amônia.

Os autores registraram aumento de danos de até 85% em determinadas condições experimentais, avaliando fatores como perda de proteína e alterações da cutícula.

Sem amônia não significa necessariamente mais seguro ou melhor

Também seria incorreto concluir que toda fórmula com MEA é ruim. Um estudo clínico publicado em 2022 avaliou uma coloração permanente sem amônia formulada com monoetanolamina e encontrou boa tolerabilidade no grupo estudado. O trabalho, disponível no PubMed, mostra como a formulação inteira influencia o resultado final.

Isso explica por que duas tinturas sem amônia podem se comportar de maneiras bastante diferentes. Concentração do alcalinizante, peróxido, agentes condicionantes e tempo de aplicação interferem no procedimento. Além disso, um cabelo previamente descolorido ou muito poroso tende a apresentar maior vulnerabilidade química do que um fio sem histórico de processos agressivos.

Como reduzir o risco de ressecamento e quebra após a coloração

Quem colore o cabelo regularmente pode diminuir a sobreposição desnecessária de química concentrando o retoque principalmente no crescimento da raiz, quando o procedimento permitir. Espaçar processos intensos, evitar descoloração repetida sobre áreas já sensibilizadas e manter uma rotina adequada de condicionamento também ajudam a preservar resistência e maleabilidade dos fios.

Antes de escolher entre uma tinta com ou sem amônia, faz mais sentido observar o estado atual do cabelo e a composição do produto do que confiar apenas em uma alegação de marketing. Ardência intensa, feridas no couro cabeludo, quebra acentuada ou queda após a coloração merecem avaliação profissional, pois “sem amônia” não é sinônimo automático de uma fórmula incapaz de causar irritação ou dano.

Tags: BelezaCabelocosméticosSaúde
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